4.11.10

Entre declarações de amor...

Eu estava só pensando, AGORA, em como tenho abandonado muitas coisas pela metade; todos os tipos de coisas que alguém puder imaginar.
Talvez seja um karma relacionado a minha data de nascimento e eu nunca possa me livrar deste irritante modo de levar a vida que tenho. Originou-se ali e, contudo, nenhuma cirurgia d(n)o mundo é capaz de removê-lo sem deixar marcas na obra divina e/ou sequelas no funcionamento da máquina.
Daí me deparo com coisas simples que meus amigos me dizem ou me escrevem e lembro que eu também consigo deixá-los pela metade. Culpada.



Mas... é assim... vou vivendo ao resgatá-los...

"[...] tá ficando muito ridículo isso de "andarmos sumidas", [...] dá um rélpi neguinha, maninha tá lembrando da gente, falando bem (mal) da gente pros outros (diga de passagem, porque de viagem tá doida prá encher nós duas de porrada, eu no lugar dela também faria o mesmo só que ia bater mais de leve em mim, ora),[...]"

"[...]Impossível se perder nesse mundinho de Deus... pois se até os pombos, os patos e as borboletas, as baleias, e as trutas retornam ao seu lugar de origem, porque a neguinha havia de se perder por aí, né, que injustiça meu Deus... a gente acha ela..[...]mesmo que você esteja sem crédito no celular... não tem problema, a gente acha o diacho do número dela e ligamos a cobrar, afinal... rs... ela nos ama tenho certeza disso[...]"

(Ainda assim, culpada, por estas razões... - dos retalhos, longa história pra este breve post, que meus amigos costuram em mim - a minha vida é a melhor.)

27.10.10

Pra quem não tem mapa... seguir em frente.

Meu tio dizia que, quando não se sabia o caminho para algum lugar, era só seguir reto e, dando ou não dando certo, depois era só voltar reto. Essa sempre foi uma das minhas falas favoritas. Talvez pela simplicidade e pela simpatia de primeiro momento, mas mais por traduzir algo muito além de uma procura por um endereço qualquer.
Ironicamente, eu sempre fui do tipo que andou sem mapas, já que seguir um caminho não era a maior preocupação que eu tinha. Eu queria sempre parar, olhar as coisas pela estrada, sentir as sensações intraduzíveis que esbarravam em mim e, quem sabe, seguir alguma trilha atraente que partia da estrada principal para um lugarzinho perdido, talvez um pedaço de paraíso.
Minha alma exploradora se importava não em seguir, mas em decifrar e registrar todos os mínimos detalhes do caminho pelo qual passei.
E me dou conta de que é só seguir reto, enfim. Reto na direção que nos agradar. E é só voltar reto para o ponto do caminho principal que for o mais coerente com aquilo que se adquiriu nas expedições.
Eu era a criadora de mapas...






Há bem mais de uma semana eu não tenho vontade alguma de escrever... especialmente num diário.
Isso é estranho. Estranho demais quando penso que se trata de mim, que sempre apreendi o mundo através de leituras rabiscadas num papel.
(Onde irão parar os mapas que não forem registrados? Serão apagados?)
Eu amadureci, endureci, esqueci... ou me perdi... de novo?
Não faço ideia e nem me importo, na verdade.
Só vou reto, achando que ainda faço escolhas no caminho e que vivo.



É saudável?







(Então não sei se foi mundo demais dentro de mim ou aquele buraco por onde escapavam as cascas da minha cebola... ele continuou sendo cutucado, para ser mantido aberto, e meu mundo foi escapando de mim... Ser vazia talvez seja melhor que ser medíocre, por isso talvez não me importe, também.)




(Ter meus propósitos reduzidos a quase nada faz parte desta jornada rumo ao vazio... e eu tenho esperança de ser mais eu quando tiver mais espaço. Uma razão paradoxal, a do perder-se para se encontrar.)

Mas eu só acho. Só acho. Acho. E acho.

13.10.10

Floripa


Sabe aquelas imagens sem nome e sem tempo? Então.


O céu de Santa Catarina e as Araucárias espalhadas pela estrada de lá até aqui... <:}
Numa viagem maravilhosa, com pessoas maravilhosas...

3.10.10


Sempre gostei desta canção, talvez mais por conhecer a versão simpática do Santa Esmeralda e ser apaixonada pelo curso dos instrumentos, das palmas e do sorrisinho maroto do vocalista enquanto cantava.
Daí resolvi reparar na letra e me apaixonei pela outra versão... que antes eu não gostava muito.
Agora estou bem no clima da canção [inteira]. Confesso que só agora que entendi, sinceramente, a interpretação da Nina e fiquei com o meu coração doendo também.

11.9.10

Relendo, remoendo, refletindo, re-re-re...

Lendo Pessoa, porque a necessidade foi maior do que a vontade de realmente deixar os versos pra lá (e evitar entrar em conflito comigo mesma outra vez), comecei pelos versos que de repente pularam da minha memória e ficaram me cutucando até que eu lhes desse a devida atenção. Parei, concordando e achando maravilhosa a metáfora, neste trecho perfeito (talvez porque ande enamorada de metáforas que tenham mar, peixes, navios e etc e tal do gênero, talvez porque eu ache que a gente é mesmo assim, essa criatura selvagem e linda):

"[...]Como eu vos amo a todos, porque sois assim,
Nem imorais de tão baixos que sois, nem bons nem maus,
Inatingíveis por todos os progressos,
Fauna maravilhosa do fundo do mar da vida![...]"

Álvaro de Campos, Ode Triunfal


E eu me sinto, neste exato momento, um complexo organizado de pensamentos e sensações.
Ser é a essência; ser tudo o quanto posso, assimilar todas as experiências possíveis;
eu sou, e é o que me basta.


E, depois de escrever isto, que é uma ideia que persiste em tudo o que escrevo há tempos, li e vi que Pessoa disse algo como isto noutro poema, Passagem das Horas:

"[...]Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.[...]"

Álvaro de Campos


Só precisei escrever em algum lugar estes apontamentos, porque, sei lá, era algo que não queria deixar perdido por aí.
Fui levada a remoer os versos que com o passar dos anos são cada vez mais verdadeiros para mim, porque parecia que uma das coisas que mais me incomoda agora estava a dialogar com eles. E estava mesmo.
Ah, mas, deixando os incômodos por um instante, é preciso celebrar: como eu adoro ser parte disso tudo e ser esse eco de consciência maravilhosa que somos todos nós... Afinal... o maravilhoso de ser humano é isso mesmo, ser. Ser essa coisa complexa que é ser igual e único ao mesmo tempo, ser inteiro, bom e ruim... ser.

[e a graça está sempre naquilo que não é dito, obviamente.]

Partida

Daí que pegaram aquele volume retalhado, coberto de marcas das mais variadas espécies e origens, e resolveram que uma partida de futebol seria perfeita para testar a qualidade do material.
Ninguém pensou nas razões metafísicas da bola e nem nada mais de um milímetro além disto.
E qual a importância mesmo, não é?

6.9.10

Sinais

pro.vi.den.te adj m+f 1 Que provê. 2 Cuidadoso, cauteloso, prudente. Sup abs sint: providentíssimo. [míni da melhoramentos - o que estava à mão agora]






Eu JURO que não escolho as palavras do dicionário, elas que me escolhem! ahahahaha

5.9.10

Conto de fadas invertido.

Uma vez eu conheci um príncipe
que conheceu uma princesa e a amou...
MAS DAÍ, haja MAIS quem dessa história participe,
esse amor se desintegrou.

Então... ele pegou seu cavalo bravo e partiu bravo, BRAVO!

E galopou triste, errante,
por terras estranhas;
porém, perdeu-se nas mais distantes:
em suas próprias entranhas.

No meio da viagem de ida, encontrou um velho monstro. Bravo.

Bravamente, cravou-lhe a espada
no coração (do monstro)
e, com uma breve risada,
partiu em busca de outro.

(Já que a ferida em seu coração não lhe bastava... né?)

Daí... era pra essa história acabar,
mas o final feliz se escondeu.
Alguém poderia imaginá-lo?
porque não eu...
?



[Brincando com sentidos vários e estudando um pouco de composição, eu queria trabalhar mais neste, mas estou tão atordoada com uma ideia que não me sai da cabeça, que, embora isso não seja desculpa que caiba, eu mal consegui me distanciar e ser uma crítica que prestasse - apesar que é muito difícil fazer esse tipo de observação com o próprio trabalho. Mas eu queria continuar mesmo, a viagem de volta do príncipe, porque estava uma delícia pensar num enredo pra este poeminha... só que eu fiquei apavorada, também.]

Não é justo.

Eu esperava a tormenta na minha vida como um marujo experiente espera a tormenta enquanto navega: sabe que é uma questão de experiência e que também é um toque de sorte.
O que eu não esperava é que fosse esta, e justamente esta, Tormenta.
O que há?, elas são sempre as mesmas? É preciso reclamar com quem a respeito da originalidade e da exclusividade que esta Tormenta tem sobre a minha navegação?
E eu estou chocada, assustada... que não sei...
Não esperava, também, que ela chegasse assim... mansa, escondidinha sob espessos véus de bons tempos e, muito menos, que, depois de firmar-se no meu oceano, se mostrasse tão violenta.
Tão violenta que não é justo. Ela precisava de uma autorização sei lá de que governo para existir.
...
Eu achei que chegaria, mas que não fosse essa; porque essa eu havia deixado para trás.

1.9.10

Daí que há várias 'modalidades' de relações sociais, inclusive aquelas consigo mesmo(sic). Entretanto, todas são regidas pelo mesmo princípio lógico que orienta a massa; mesmo que usem caminhos diferentes, seguem as mesmas leis.


Só resumindo um pensamento. Ao acaso.
Sou eu.

Isonomia

i.so.no.mi.a s.f. 1 estado dos que são governados pelas mesmas leis 2 DIR princípio constitucional que garante igualdade para todos perante a lei ~ isonômico adj.




Dando seguimento ao jogo do dicionário; com as palavras vindo sempre a calhar.
[evitando pensar em piadinhas do tipo "isso não mia"]

31.8.10

É que não tem adiantado pensar,

É que não tem adiantado pensar,
então fez-se o silêncio.

E o oco não passou d'um eco,
uma tentativa falha de transcender.

Dá pra ultrapassar a linguagem,
alinguagem?


a eles,


[Terminei a leitura dos poemas de Vaganau, sentindo-me bastante culpada por fazer uma leitura pela metade; o que talvez justifique a minha visão da obra, neste momento.
Consegui separar uns trechos muito bons, e alguns poemas interessantes, mas não sei ainda se gostei realmente do conjunto da obra. Foi mais por ser um apanhado de declarações de amor - e nada contra o "tipo" de amor (arre, que pra mim o que importa é o amor e a poesia, não existem tipos!)-, embora eu tenha achado o meio de expressão, a princípio, fantástico.
"Livro das desoras" é algo que vou pegar novamente pra ler, em breve, são poemas densos, que merecem uma leitura mais atenciosa (talvez porque a mistura de sensações e o tema que é diferenciado tenham me chamado mais a atenção).]


29.8.10

Contradição

Sou aquele ponto cheio

De onde saem os caminhos para todos os lugares

E para onde chegam, de todos os lugares, os caminhos.

A contradição não me obriga a abrigá-la;

Sou uma casa cheia de escolhas,

Mas vazia de espaço.

Aqui também não cabe aquele punhado de descrença,

Nem aquela gama de julgamentos precipitados,

Nem as gotas alheias de tentativas de compreensão.

Não há o que compreender,

Eu sou,

E só.

Não pensar em não pensar

Reduzida a um gemido
entoado num murmúrio,
não quis mais entender
donde vêm os enlaces.

Melhor é não pensar.

Esmorecer

Estribou em um terreno firme
e dali nunca mais saiu.
Que adiantou,
hein
?

22.8.10

A coisa complexa

Daí as trevas esmaeceram e o punhado de pó espalhou-se por todo o espaço. Não era esperado que isso acontecesse tão cedo, nem que fosse possível ou fosse tão breve e tão fácil destruir uma coisa gigantesca e coesa.

Mas as trevas continuaram a ser trevas, espalhadas por todos os cantos, sobre todas as coisas, numa infinidade absoluta que não se importava com a destruição. Afinal, continuavam sendo. Acontecendo.

Foi neste instante do sonho que a coisa despertou. Suando com o ardor de uma derrota imaginária, sofrendo das possibilidades determinadas por variáveis várias, tão incertas que eram.

A coisa então se levantou, olhou para seu reflexo e viu que continuava ali, inteiro. Sorriu. Se é que coisas sorriem. E a felicidade era tamanha que não havia como segurar mais, escapava por todas as bordas! Então, a coisa, além de sorrir, dançou, pulou e cantou.

Os vizinhos bem que acharam aquilo muito estranho, uma algazarra repentina misturada com felicidade expressada em tantos modos! Mas que modo!

Então a coisa saiu da toca e saudou a outra coisa, rugindo em bom tom:

- Não é maravilhoso estar vivo e inteiro, sem faltar pedaço algum?

E o narrador resolve parar esta história por aqui. Basta de tanta complexidade para só uma criatura de um conto só. Ele vai deixar a criatividade se espalhar por todos os outros contos também. O bom mesmo é dividir.


[não resolvi ainda o estribar, mas achei isto tão singelo, que resolvi colocar aqui.]

17.8.10

The Wheel


Sem mais.

The Wheel


The Wheel
Tuatha de Danann

Coming with the whistle of the wind there´s a leaf dancing in the air
Floating, rounding, shining, laughing it comes changing colours and tearing in front of me

Suddenly it turns into a wild being
That sits on the ground - So quietly
Looking at me... it rises... So the creature starts to tell me this:

“Sometimes when you think everything’s gone
No lights, reason, love or hope
Everything lost its sense
you feel down, want to leave it all...

Life is an old wheel
You must learn it soon
Wheel of transformations...
Everything goes and has their own purpose...”

Sometimes in, but sometimes out - never stand and still...
New horizons, that´s the mysterious wheel
Cycles, roundings, time, birth, death chances to try again
That´s a secret - Everything is turning

Welcome to this play my friend - most call it life
You have many ways to pick - but try choose the right.
What´s right?

Sometimes in, but sometimes out - never stand and still...
New horizons, that´s the mysterious wheel
Cycles, roundings, time, birth, death chances to try again
That´s a secret - Everything is turning

Night - is the sleep of the sun
Death of our light king
next day he rises again - The wheel completes its whole process
“What is alive must die - what dies must be harvested
What is Harvested must be seeded - The seeded must Rebirth”
Secrets of the Wheel...

Sometimes in, but sometimes out - never stand and still...
New horizons, that´s the mysterious wheel
Cycles, roundings, time, birth, death chances to try again
That´s a secret - Everything is turning




[Tuatha de Danann é uma banda brasileira; a conheci em 2005, no festival Live'n'Louder -em que fui ver SCORPIONS pela primeira vez, ehehehe-, quando entrei as pessoas estavam dançando como se fosse festa junina - comparado às danças folclóricas daqui, rs, foi o máximo que conseguiram, né? - o sol estava lindo e brilhante e o clima perfeito. Mas o que mais me fascinou foi quando, em 2006, reparei nesta música. Até onde sei, está no último álbum da banda: Trova di Danú. O motivo não convém.][aliás, segunda metáfora pra ela hoje]

Há tempos...

Devaneio dentro do 21, voltando pra casa.

Aliás, aproveitei pra anotar isso:



Estribar

Meter a vida em arreios
não é garantia de cavalgadura mansa.





[linhas anotadas no bloco de notas do celular, originalmente: "meter arreios na vida/não garante cavalgadura mansa/estribar"; já que, se desvio de um pensamento, perco em poucos segundos para outros pensamentos aleatórios palavras exatas que jamais retornam. Na hora pareceu bom, mas agora bateu o clichê. E a ideia que tive de primeira não tinha nada a ver com isto, mas com outra coisa que estava tentando esquecer... e acho que esqueci mesmo. rs]

15.8.10

Estribar

Com o jogo resolvido, fiquei curiosa pela próxima palavra, e qual não foi a minha surpresa?


es.tri.bar v.t.d., int. e pron. 1 firmar(-se) nos estribos ñ t.d.i. e pron. 2 (prep. em) ter como fundamento; basear(-se)


Esta palavra combina com o meu sentimento de hoje, exatamente.

Jogo do dicionário finalmente resolvido:

Juglandácea

Noz
no biscoito
de leite:
um sonho.



[o máximo da minha sublimação e o máximo que a metáfora me permite alcançar agora; poemeto achado repentinamente: um achado! E não se esqueçam: as palavras são minhas amigas. Próxima palavra!]

Teorizações que sucederam a uma ilustração de um conceito qualquer

Antes de mais retratações a respeito do jogo do dicionário, eu gostaria de fazer uns comentários sobre uma coisa que me incomoda (mesmo que ninguém vá ler).
O caso que me perturbou e que não convém ser esclarecido ainda não saiu da minha cabeça; eu não pude fazer estes questionamentos durante o problema, porque eles não cabiam para o momento, mas eu não posso segurá-los mais: quem as pessoas pensam que são quando dizem quem são? Quem elas estão enganando? Quem é capaz, REALMENTE, de considerar que existe certo e errado? Será que elas não percebem que o que existe é o que convém? Quem elas acham que estão se tornando sendo que para elas a mudança não faz parte do que são? Como podem ignorar a conveniência quando admitem a existência de múltiplos conceitos "auto-excludentes" (para elas) dentro de suas considerações? Como podem querer discutir METAFÍSICA se ignoram o que está além da superfície? Como podem ser tão mais medíocres, teorizando algo que está além do alcance da compreensão e estabelecendo critérios de conveniência para um pseudogrupo que deverá se expandir para a humanidade? COMO? COMO? COMO?

12.8.10

Um pouco de...


...às vezes cai bem.

1ª Tentativa de retratação

E
era
uma vez
uma bruxa
com casca em vez de coração.
No oco da casca,
a princípio,
só o oco.
(Sufoco
era o vazio
que preenchia)

Daí veio um fruto seboso,
intrometido,
um tumor crescendo bem ali naquela casca.
E cresceu tanto que brotou.
E o broto vingou que saiu pela boca.
Cresceu.
Cresceu.
Cresceu ainda mais que era mais árvore que bruxa.
E da árvore caiam outras cascas
que, com a queda, partiam-se
e alimentavam a todos.

Fim.


[Escrito sem pensar; um texto vergonhoso que durou cerca de 8 minutos, mas que, sei lá por qual motivo, achei que valia o registro.]

11.8.10

Juglandácea [a ideia do jogo do dicionário]

Cultivei, num pequeno buraco, uma semente. Tão dura, tão seca, tão áspera, tão feia era, que expectativas não brotavam. Ao mesmo tempo, cultivei, no abismo do tempo, uma expectativa. Tão grande, tão vistosa, tão forte, tão... que a espera era dolorosa. O final clichê da mensagem: a semente brotou, cresceu, sem alarde. A expectativa minguou rapidamente na queda. Agora o poema em construção:


Me joguei,
esperando alcançar a sublime essência celestial.
Doloroso foi chegar ao terreno seco.

Dias longos arrastaram-se sem piedade sobre a minha carcaça,
e o vento cobriu-me com um manto poeirento.
Adormeci sem sonhos.

Então, brotei
[...]

ju.glan.dá.cea s.f. BOT espécime das juglandáceas, família de árvores e arbustos aromáticos, cultivados como ornamentais, pela madeira e por seus frutos com sementes comestíveis, como a noz e a pecã ~juglandáceo adj [míni Houaiss]

-----------------------
Jogo do dicionário é para gente entediada. Abre-se o dicionário numa página qualquer e um verbete aleatório vira tema. Daí, a pessoa entediada tem uns dias pra refletir, encontrar uma figura poética e escrever alguma coisa que seja boa ou inteligente. Acontece que eu tô querendo trapacear e escolher outra palavra aleatória. Mas trapaça não é uma coisa muito bonita e nem muito construtora da personalidade consistente que tanto almejo.
Foi assim: peguei a palavra, não tive ideia do que fazer com ela; mal pensei e cheguei num clichê daqueles bem batidos; fiquei com preguiça e larguei o jogo pela metade. Entretanto, isto virou uma questão de honra. Resolvi postar essa coisa para me obrigar a pensar em outra coisa melhor.
[E, sim. É questão da monografia também.]
Pra salvar este post, vou dizer a metáfora perfeita mais linda de hoje, que merece muito mais que uns tweets.

Onde eu trabalho, eu tenho o maior prazer do mundo. E eu tenho a sorte de ouvir coisas maravilhosas das crianças. Coisas que eles dizem sem medo, sem procurar por recompensas, sem achar que dizem besteiras.
O meu maior defeito é não registrar. Eu sou bem hedonista mesmo, curto o momento, me delicio, preservo um pouco na memória e daí, fico sempre a espera do próximo momento.
Conversando com a estagiária hoje, contei dos meus projetos deste ano e disse da minha preocupação em trabalhar a linguagem. (eu acredito sinceramente que quem sabe se expressar, se comunicar com eficiência, é a pessoa mais feliz e bem vista no mundo) Mas também falei deste meu defeito em não registrar as coisas que acontecem.
Cheguei em casa com a conversa na cabeça e conclui que eu vou trabalhar isto (rsrs...).

Hoje eu tive o prazer de ouvir de uma das crianças da minha turma a coisa mais linda.
Pra explicar mais ou menos de onde veio, a base histórica da coisa, rs...: estamos estudando botânica estes dias. E eu encontrei um livro muito legal, lá na estante da biblioteca, sobre plantio; com dicas para cultivar as mais variadas sementes, bulbos e mudas.
Daí, levei o livro para eles e propus uns dias para plantarmos algumas daquelas coisas (feijão, amaryllis e mudas de árvores para recuperar o jardim que foi destruído com a reforma da escola).
Noutro dia, levei os bulbos para que eles pudessem ver que a figura do livro era de verdade mesmo e que a gente ia mesmo plantar. Este dia foi praticamente um milagre: sem ter o que fazer (reforma, chuva e muitas crianças entediadas com a semana longa) sentei com eles e ficamos durante quase 2h conversando sobre o assunto. Contei sobre o plantio e comparei o crescimento das plantas ao crescimento da gente.
Hoje, durante o almoço, a fruta servida foi mexerica. Disse, sem dar conta, para prestarem atenção aos caroços. E seguiu isso:

"T: PRÔ, PRÔ!!! EU TIVE UMA IDEIA!!!
Eu: Que ideia você teve, Thalles?
T: O caroço da mexerica é uma semente, não é?
Eu: Isso mesmo! O caroço é uma semente. Muito bem!
T: Então a gente pode plantar, não é?
Eu: Sim, a gente pode plantar. [aqui eu já estava muito feliz]
T: E que tal se a gente plantar?
Eu: Mas que ideia boa você teve! Vamos fazer assim então: separa as suas sementes aí que eu vou contar a sua ideia para os seus amigos e pedir para que eles as separem também, tá?"

Passei de mesa em mesa e contei para as crianças a ideia e elas ficaram MUITO empolgadas! Corri até à secretaria, peguei um saquinho para que eles colocassem as sementes dentro e quando voltei foi que aconteceu. O Thalles estava abrindo todos os gomos da mexerica e separando as sementes, rsrs... e daí, quando ele me viu, disse:

"PRÔ! OLHA, PRÔ, QUE LEGAL! Os bebês sementes estão saindo de dentro do ovo laranja! AI QUE LINDO!"

E eu só queria ter filmado pra guardar isso melhor na minha memória. A carinha dele estava ótima, os olhinhos brilhando e, todo melecado com o suco a mexerica, ele sorria e repetia a metáfora: Esse ovo laranja é lindo, e os bebês também!

(Então cheguei em casa e minha mente preocupada com a criação de metáforas perfeitas não conseguiu estudar a botânica de uma mera Juglandácea. Acho que vou pedir socorro ao meu querido aluno, rsrs...)

10.8.10

Mar teu (pra quem já leu a mensagem)

Quis velejar e
naufraguei,
mas me acostumei às águas,
justas em mim,
e à maré:
modelando,
embalando,
carregando
este veleiro que vai firme ao seu fim...
ir...
ir...
ir.

3.8.10

Poemetos geniais II [de ontem - Sobre peixes]

Peixolhos, desta vez invadem a tela do paintbrush.


Poema Ímpar

Dois peixes num aquário a olhar

os peixes d’outro aquário a brilhar;

Dois peixes e dois peixes, em par.


.oOºOo.


Poema para montar

Então se vê:

Nadando a esmo,

d’um aquário,

na cidade,

os peixes

não vêem.


.oOºOo.


Lembrete sobre a rachadura do aquário

E vede o vão

d’onde esvai

a vida,

viu?


.oOºOo.


Poemolhado

Num mar de olhos,

Tudo quer ser (m)olhado.




[Todos rascunhados numa sulfite rosa, à bic laranja; rabiscados, referenciados por várias setas, com desenhos estranhos ao lado, metrificados... mas não passam de uma tentativa de extração de imagens a partir de uma imagem que persiste entre meus desenhos: PEIXOLHOS.]

Poemetos "geniais" I [de ontem - Reflexões acerca duns fatos]

Poema da Misericórdia


Deus faz gente estranha,

com o coração cheio de miséria.


- + -


Poema Cristão


Rezava direito,

Andava direito,

Falava direito,

Mas escrevia com a esquerda.



[rabiscados após percebem caricaturas cotidianas, bizarras, e achar que davam um bom assunto em versos. Bobagem. Numa folha rosa, à caneta laranja]

2.8.10

Poemeto da adaptação

Frio que corre o espinhaço
freme as mãos e os lábios,
freezer instantâneo.

Labiosa, labiríntica...
neste frasco lábil,
pouco tremo.




[estudo direto: tradução do tempo e da figura, com um pouco de sensação]

29.7.10

Estudos

...1.....2^..3.....4......5....6.....7.....8...X

Bon/s a/res/ vêm/ de/ lon/ge,/ de/le.....A

........^.............................^......8

Ma/s a/ mi/nha/ de/lí/cia, a/go/ra,.....B

......................................^......8

é,/ só,/ a/que/le/ tan/go ar/den/te,.....C

...............^.............................8

[sen/ti/do, e/ ur/gen/te,/ na/ pe/le...]...A

....................^.......................8

en/rus/ti/do em/ tri/lha/ so/no/ra,.....B

........^......................^...............8

so/b um/ som/ do/ce e/ so/rri/den/te....C




[estudo em folha do word :D Sou dos versos brancos, não me metrifique!]

27.7.10

Soneto simples

Numa floresta quente e escura,
onde música alguma ecoa,
onde esconde-se negra criatura,
avista-se uma boa pessoa:

Vai a moça branca, tão pura,
sussurrando antiga canção,
embora trêmula, como uma jura,
mas sem dar-se por a Muda, então...

Em tiras miúdas, sem cura,
deslumbrada, mas não ressentida,
calada, vê seu vestido no chão.

A vagar por terras sombrias,
de tecido luzente vestida
e uma nova flauta negra na mão.





[estudo em grafite, numa sulfite rosa, mas com falta de rigidez na métrica e nas rimas - poderiam ser versos exatamente do mesmo tamanho e com rimas podres de ricas, mas é que gostei tanto dele... embora isso não justifique.]

26.7.10

Sublimação

Metáfora maior é esta que sinto.

[Como... arde como... arde...]

Só me sobram as dores,
deliciosas dores...
o resto voou.





[pseudo-poema e direto, ao blog e ao ponto. Fresquinho.]

23.7.10

Novo corte

Uma pessoa estranha
a falar coisas estranhas...

Quem é?

O corte descerrou:
desabrochou depois da poda.


[De hoje, à caneta bic rosa, numa folha de sulfite colocada às pressas dentro da bolsa. No trabalho, escrevendo ao acaso, sentada num cantinho perto da porta e esperando a hora de voltar pra casa. Adoro folhas à mão na hora do aperto.]

22.7.10

O que mudei, não sei...

mas mudei.

E me peguei num trecho de uma carta pra uma amiga muito querida:

"Ai, maninha... que coisa engraçada é viver, passar os minutos e de repente perceber que um pedaço ficou pra trás... mas que... perder os pedaços é crescer, não é diminuir. Como é que dói muito quando isso começa e que depois se torna um vício, o que vira dor é não mudar..."

Eu, perdida no mundo de mim. Em todas as instâncias desta afirmação.

18.7.10

Pensamentos alheios

Estava me preparando para uma narrativa delicada; um discurso tênue que quase sumiria perante os traços delineados dos acontecimentos de hoje.
Fui a uma festa de aniversário.
Se você que está lendo já vislumbrou o que vem a seguir e decidiu parar de ler agora, tenha calma, garanto que este não é mais um momento de elucubração. Eu teria muito pouco tempo para resgatar a poesia de qualquer coisa que fosse seriamente pensada no momento da festa. Teria trabalho para diluir as camadas penosas, pesadas, de pensamentos firmemente tecidos, magicamente entrelaçados, para então separá-las e pensar num valor qualquer que lhes coubesse como luva e, finalmente, quase certamente, decidir o que seria mais interessante e mais bonito de pôr em dança com as palavras.

Daí que fui à festa do primeiro aniversário do primeiro filho de um primo meu que quase foi o primeiro de todos nós.
Entretanto, o fato é que nunca me senti tão outra quanto hoje entre meus parentes. Nunca me senti tão alheia, tão distante, tão rastro, tão poeira, tão mínima, tão... E não imagino de onde possa ter surgido tal sensação - atreveria-me a pensar que possa ser do novo corte de cabelo, mas não é.
Daí... e daí que fugiu o resto de mim ali no meio de todos...; uma coisa sem limites: sem forma, sem hora... era o que eu era até escapar o resto, mas agora...?
Por fim, alguém me diz que eu não estava comum nem a mim mesma, constatando ("Por que está triste?") com muita segurança; eu, decidindo querer mesmo escapar dali, pensei que aconteceu mais uma mudança verdadeira.
O eu distante me acenou, lá na festa, e o eu mais próximo continuou a caminhar... para onde eu nem faço questão mais de saber ou adivinhar.


O abismo que se abriu entre mins está aí para ser desvendado - e agora pouco me importa se há caminhos para defini-lo e compreendê-lo. Agora não, pelo menos.

3.7.10

Da Sombra

Estou numa
letargia de sentidos.
E é assim que é quando
se sente tantas coisas, mas
também quando se sente
apenas uma
desesperadamente
enlouquecedoramente
dolorosamente.




Ironia do Paradoxo

Uma subsequência
de ser no máximo ralé:
sentir mínima em tudo
e constatar a incapacidade.

Mas meu desejo é um, o melhor,
o direito...
E por que, meu deus, sempre entorto?
Sempre estou do outro lado de onde deveria estar?
Sempre vejo ao contrário?
Sempre estou tão aquém que,
mesmo pra mim mesma e de mim mesma,
me perco.

É isso ser escória?
Ou é ser tão torta, que até o torto perde o sentido?






[à caneta de ponta fina, marinho; enviesado numa folha de sulfite branca, desenhada, presa numa prancheta, num canto do meu quarto]

25.6.10

Dos poemas avulsos e recentes

Sem ruídos

Na folha branca
encaro minha sorte:
palavras soltas,
caçadas, encaixadas,
modeladas...
num vão vão.
Não são minhas
(por vezes até são)
são ruídos de fora.
Tento escrever, surda.
(...)

E a folha ri:
Sem ruídos?
Impossível.
Muda.

[à caneta de ponta fina e tinta verde numa folha de sulfite num canto qualquer do meu quarto]


Iniciei uma jornada sabendo onde chegaria. Tracei meus objetivos e trabalhei para concretizá-los, orientando-me com um esboço de mapa. Andei e andei tanto que perdi o propósito da jornada. Parecia andar em círculos. Perdida e frustrada, olhei o mapa e os caminhos, culpei as ferramentas e passei um longo tempo tentando compreendê-las, sem sair do lugar. Quando resolvi andar novamente, o tempo era outro e eu era outra: o meu objetivo era a jornada e o propósito era saber a razão de realizá-la. Aconteceu algo... o que foi?

[de um dos cadernos, um amarelado, com um título antigo para uma ideia que viraria um livro, certeza.]

24.6.10



Daí que bateu aquela tristezinha que bate sempre, aquela que me anuncia a vontade de mudar, de rever, de compreender, de aglomerar, de viver mais e melhor. Minha cebola me pegou de jeito com esta rotina à qual me obrigo a me adaptar... mas eu não vou. Não vou mesmo entrar nesta onda que é de mutilação, de medo, de insegurança... Eu vou mudar e vou crescer, com licença poética, etc e tudo mais do gênero.
Entretanto, paro por aqui com as palavras, porque devo ter muito cuidado com elas, devo tratá-las muito bem e não ser verborrágica como venho sendo ultimamente em outros lugares por aí. [e eu quero muito isto... trazer coisas bonitas e bem tratadas para cá]

30.5.10

Girafas com complexo










Não é fixação por girafas. São algumas das minhas contribuições prum site que adoro, aquele com um prazo pra conseguir 1.000.000 de girafas feitas pelos visitantes/contribuidores sem auxílio de tecnologia.
Meu scanner quebrou, então não dá pra ler as coisas escritas porque as fotos estão horrorosas.


Tão verdadeiro... e velho.

Recado

Oi...? Você não me respondeu, e sei que eu já devia ter tirado aqueles sonhos da minha cabeça, mas acontece que eu ainda não terminei de dizer tudo o que queria lhe dizer.
Eu cresci.
Já estou bem mais madura do que era quando me conheceu, um pouco mais consciente também. É isso que o tempo e a vida fazem com a gente quando damos atenção a eles.
Eu cresci mesmo.
Já não tenho mais medo, aquele medo bobo que eu tinha quando você quis realmente me conhecer. E estou bem mais disponível do que estava antes.
Mas cresci muito mesmo.
E eu não posso imaginar até que ponto isto é bom ou ruim para lhe dizer. Na verdade, é só para justificar a minha pergunta: você cresceu também?

27.5.10

Exatamente

A minha vontade era de urrar os sentidos mais cavernosos, tirar tudo de dentro dessa caixa bizarra que venho montando desde que aprendi a colecionar.
Tirar, limpar, jogar um monte de coisa fora, escancarar todas as tampas para que as pessoas vejam e se sintam tão horrorizadas quanto eu.
Não sei por qual razão inventei e atribui todas as responsabilidades dos fatos a mim mesma. Como se eu fosse uma coisa onisciente, onipresente, onipotente.
Eu sou um pouco mais que nada. E só.
Sou eu. E basta.
Mas ainda tenho a vontade. Urge tirar tudo. Tudo, tudinho.
Não porque precisava me reestruturar porque estou me sentindo oh uma coitada, como havia sido a minha vida toda até uns tempos atrás até que aprendi a desobrigar-me do que não me pertence, mas porque eu queria renovar, parar com essa pressão gigante de quem ainda acha que sou eu quem devo algo, de parar de deixar crescer em mim essa responsabilidade também.
Eu não devo NADA.



CARALHO. Embora essa palavra não exista no meu dicionário.

19.5.10

Todo amor...

Hoje uma amiga no trabalho falava sobre o amor que sentia pelo filho. Um amor que, de tanto amor, doía.
Todo amor doi.
(...)

Este diário está se tornando uma verdadeira coleção de desculpas para a falta do que escrever. O que acontece é que as reais desculpas são estas:

- eu realmente não tenho que escrever;
- sabotagem: tenho o que escrever, mas procuro não escrever;
- até escrevo, mas acho horrível e apago tudo;
- escrevo, mas em códigos para que ninguém entenda o que eu quis dizer;
- ou estou realmente animada e quero escrever, estou confiante e serei clara o suficiente para que o texto não pareça um elo perdido e... ou o blog não funciona (como hoje) e a vontade passa, ou a internet não funciona e eu escrevo em outro lugar, de preferência junto com os textos que ninguém lerá (e fico pensando se isto não é, também, alguma sabotagem);

Mas o que eu quero dizer é que eu ia escrever sobre o assunto ali do começo, ia escrever uma constatação que me doeu, mas eu perdi todas as palavras e ficou só a sensação.
E traduzir a sensação é um trabalho... exigente.

Talvez eu escreva.

10.5.10

Protótipo para frustrações

Achei que nunca conseguiria chegar a um consenso.
Queria dormir, mas fiquei acordada... as pessoas apareciam para conversar, e, quando se desconectavam, outras as substituiam.
(Engrenei num assunto, mas não havia o que ser dito. Conversando sobre narcóticos, tive a ideia de escrever um conto muito bom.)
Daí quis ficar acordada, mas fui dormir... estava quase na hora de ir trabalhar e eu precisava descansar um pouco, ao menos.
(Deixei de escrever quando havia o que ser escrito. Então perdi tudo. E fiquei frustrada porque seja lá o que viesse... nunca seria tão bom quanto o que seria antes.)
Entretanto, concluí. Concluí que não importa mais.

27.4.10

24.4.10

A razão pela qual eu me sinto tão horrorosa é, para variar, aquela sensação.
Aquela sensação que me estica, me deixa fina, me deixa falhando em mim, me deixa sumir... assim, com um pronome pessoal oblíquo ao lado de uma vírgula, que eu não sei se, de fato, é um problema.
Eu sumo quando a frustração vem acompanhada daquela falsa esperança de creditar a mim mesma algum adjetivo que seja grandioso e bonito, que persiste até que eu repare, insiste até que eu acredite ser real e desaparece, depois que já estou inebriada com uma imagem que logo vai ruir.
Estou assim, pensando no quanto a mediocre sensação faz com que eu a acompanhe, como sombra, em seus movimentos e idealizações.
Estou assim, sentindo-me horrorosa. Tenho o direito de sentir.

9.4.10

Farelos

A minha vontade era... ser verborrágica e espalhar tudo aqui nesse pedaço de diário. Mas... eu não sei o que há, toda vez que faço o login e vou escrever, o branco me contamina.
Eram os sons dos tambores ao fundo [provavelmente daquela casa que eu achava que não estava mais recebendo visitas por aqui, mas em outra casa... em outro lugar - e que me fez pensar num sonho que tive há uns meses atrás...], misturando com as imagens das minhas HQs favoritas [e preocupações e mais sonhos velhos], com uma ânsia por sonhos novos [e desejos novos], embolando peças do meu quebra-cabeça de relações [e esclarecendo as minhas relações comigo mesma], com a experiência nova de leituras novas [precisas e além]... uma sensação traduzível que, no momento em que eu me propus a defini-la, esmaeceu. Restou isso.

31.3.10

Encontrei o caderno. Dentro da caixa de fitas, dentro do meu quarto. É.

Pré-vendo. Em disposição:
Surtos de genialidade.
Alguém quer comprá-los?


Só pra quebrar o gelo. :D

28.3.10

Do caderno da pós

Ano passado:

Num dia:
4:13 4:15 4:20 4:25 4:30 4:36: 4:40 4:48 fim.

No outro dia:
15h19

Há tantos gênios
tantos
que a genialidade
deixou de ser genial

Não sou gênio,
não sou especial,
sou uma coisa sem nome
Inquieta.

16h00 16h06 16h15

Divergente

16h26

Deste ano:
(numa trecho da aula da manhã, propondo hai-cai - não li os meus, óbvio)

A aranha
tecendo sua teia:
rede de desejos.

Semente que cai
Do alto do pinheiro:
Espio o helicóptero.

Na sala de aula
a aranha quer entrar:
Vem estudar?
(se hai-cai tivesse 4 versos, o último seria: Não, vai. - Certeza.)

Das brincadeiras com versos de Bandeira

(Re)leitura atual de Manuel, o Gostoso

Manuel Gostoso não era ninguém,

Mas um dia ele foi ao bar

Dançou

Cantou

Bebeu e se...

Afogou.

Para Bandeira – Reconstruindo a história


João Gostoso foi ao bar

Afogou-se:

Bebeu

Cantou

Dançou

Embriagou-se, encantou-se e exaltou-se

Flertou

Garrafeou

Herdou copos, não hesitou

Ingeriu e inspirou

Jactou-se, jocoso, à jovem

Levou e lastimou-se

Mamou mais

Naufragou

Obstinou-se a obter o oceano de odres, oscilou

Pegou pileque

Queixou-se

Resmungou, riu

Sorveu

Tomou, tropicou

Ungiu-se

Virou

Xingou

Zoneou, zurziu, zangou(se), zanzou e ZAiu!

Cabeça de Veado

Sonho acordada e sonhos recorrentes. Não tenho a intenção de definir um limite entre a ficção e a materialidade, porque não há um limite definido entre o que está na minha mente e o que está materializado fora dela.
Não é possível dizer se o que se passa é real ou possível; é uma mistura de desejos, de sensações, de definições, de quebra e anseio por libertação de mim para um mim muito mais amplo e ultrarreal... uma certeza de que é possível transcender a materialidade através da própria materialidade bem como a imaterialidade pela própria imaterialidade, porque uma não é o caminho de transcendência da outra (elas são a mesma coisa).
Eu tenho a sensação de estar amalgamada a um fio tênue, que chega a desaparecer de tão delicado, mas que não deixa de existir. E o que eu mais queria era saber sair deste círculo ao qual estou fadada nesta vida.
E daí meus sonhos fazem sentido, pois estão vagando num lugar muito além e me ajudam a observar de longe o meu círculo. Algumas coisas parecem não fazer sentido de tão além que se encontram, então me questionava se realmente precisaria haver um limite que determinaria o que era verdadeiro, que poderia materializar-se, existir e, portanto, tornar-se possível... daquilo que era imaterial, que tinha cara de ficção, de irrealidade, impossibilidade... até julguei logro da minha consciência que sabe muito bem ser cruel; aconteceu, por fim, que colocar um limite faria com que eu definisse muito bem o fio que me prende (ou sobre o qual eu caminho, como eu dizia quando era mais nova).
Esquecer o limite, por outro lado, faz com que desapareça o fio... e aí, se eu realmente ignorar esse julgamento, talvez eu possa pensar que o fio deixou mesmo de existir - quem sabe?
Entretanto, hoje eu tive uma prova muito grande de que limite é bobagem quando resolvi dar chances a minha intuição. Minha consciência dizia que estava pregando uma peça em mim mesma, que minha intuição não poderia me ajudar a resolver questionamentos sérios. Daí me peguei a sentir muitas coisas ao mesmo tempo enquanto sonhava mais uma vez.
Sonhei com a antiga cabeça de veado e os sons dos tambores ao meu redor, com a liberdade de poder deduzir o que é que significam, o que é que me dizem e com o que é que poderei relacioná-los... sonhei em perder o medo de experimentar mais, em todas os momentos da minha vida... sonhei com a quebra do fio e eu liberta, lá no futuro, protegida pela segurança que descobria agora...
E o que mais me tocou foi o encaixe perfeito de tudo o que surgiu no sonho. Uma iluminação para a minha jornada, um caminho a seguir, um sentido para o que não compreendo... tudo, tudo foi chegando e me fazendo esquecer um pouco mais tudo o que não é.
E aquele verso do meu diário, uma anotação depois de um poema sobre limites, faz mais sentido agora do que quando eu era mais nova: "acho que o limite é ser humano". O que eu já compreendia da tradução, que eu dizia ser óbvio, agora parece me afetar mais; era óbvio, mas eu não dava conta.
O limite é estar e ser. O limite é humano. O limite é o que é. Nada além.
Não queria me repetir, mas é justo transcrever aqui, depois, minhas previsões sobre mim mesma, aquilo que eu escrevia e não notava.
Aliás, antes disso, vou caçar umas coisas interessantes aqui no caderno da pós. De repente lembrei que deixei uma pista interessante para me desvendar.
Porque eu cansei de me devorar aos poucos.

26.3.10

Do paradoxo

Eu estava com vontade de colocar algumas anotações e impressões da viagem à praia que fiz em janeiro, mas é impressionante como as coisas somem no meu quarto. Aí pensei que as anotações do caderno da pós poderiam suprir minha necessidade de dizer, mas eram todas ridiculamente inexpressivas. Então desisti de procurar o caderno e no caderno e resolvi esperar a divina providência... Mas, como esta demorou demais, e eu não estou aguentando a ausência de um lugar para despejar as minhas próprias ausências... cá estou.
Cá estou e, agora que estou, não tenho mais necessidade de dizer, mas de calar.
Portanto, calo-me.