27.10.10

Pra quem não tem mapa... seguir em frente.

Meu tio dizia que, quando não se sabia o caminho para algum lugar, era só seguir reto e, dando ou não dando certo, depois era só voltar reto. Essa sempre foi uma das minhas falas favoritas. Talvez pela simplicidade e pela simpatia de primeiro momento, mas mais por traduzir algo muito além de uma procura por um endereço qualquer.
Ironicamente, eu sempre fui do tipo que andou sem mapas, já que seguir um caminho não era a maior preocupação que eu tinha. Eu queria sempre parar, olhar as coisas pela estrada, sentir as sensações intraduzíveis que esbarravam em mim e, quem sabe, seguir alguma trilha atraente que partia da estrada principal para um lugarzinho perdido, talvez um pedaço de paraíso.
Minha alma exploradora se importava não em seguir, mas em decifrar e registrar todos os mínimos detalhes do caminho pelo qual passei.
E me dou conta de que é só seguir reto, enfim. Reto na direção que nos agradar. E é só voltar reto para o ponto do caminho principal que for o mais coerente com aquilo que se adquiriu nas expedições.
Eu era a criadora de mapas...






Há bem mais de uma semana eu não tenho vontade alguma de escrever... especialmente num diário.
Isso é estranho. Estranho demais quando penso que se trata de mim, que sempre apreendi o mundo através de leituras rabiscadas num papel.
(Onde irão parar os mapas que não forem registrados? Serão apagados?)
Eu amadureci, endureci, esqueci... ou me perdi... de novo?
Não faço ideia e nem me importo, na verdade.
Só vou reto, achando que ainda faço escolhas no caminho e que vivo.



É saudável?







(Então não sei se foi mundo demais dentro de mim ou aquele buraco por onde escapavam as cascas da minha cebola... ele continuou sendo cutucado, para ser mantido aberto, e meu mundo foi escapando de mim... Ser vazia talvez seja melhor que ser medíocre, por isso talvez não me importe, também.)




(Ter meus propósitos reduzidos a quase nada faz parte desta jornada rumo ao vazio... e eu tenho esperança de ser mais eu quando tiver mais espaço. Uma razão paradoxal, a do perder-se para se encontrar.)

Mas eu só acho. Só acho. Acho. E acho.