29.7.10

Estudos

...1.....2^..3.....4......5....6.....7.....8...X

Bon/s a/res/ vêm/ de/ lon/ge,/ de/le.....A

........^.............................^......8

Ma/s a/ mi/nha/ de/lí/cia, a/go/ra,.....B

......................................^......8

é,/ só,/ a/que/le/ tan/go ar/den/te,.....C

...............^.............................8

[sen/ti/do, e/ ur/gen/te,/ na/ pe/le...]...A

....................^.......................8

en/rus/ti/do em/ tri/lha/ so/no/ra,.....B

........^......................^...............8

so/b um/ som/ do/ce e/ so/rri/den/te....C




[estudo em folha do word :D Sou dos versos brancos, não me metrifique!]

27.7.10

Soneto simples

Numa floresta quente e escura,
onde música alguma ecoa,
onde esconde-se negra criatura,
avista-se uma boa pessoa:

Vai a moça branca, tão pura,
sussurrando antiga canção,
embora trêmula, como uma jura,
mas sem dar-se por a Muda, então...

Em tiras miúdas, sem cura,
deslumbrada, mas não ressentida,
calada, vê seu vestido no chão.

A vagar por terras sombrias,
de tecido luzente vestida
e uma nova flauta negra na mão.





[estudo em grafite, numa sulfite rosa, mas com falta de rigidez na métrica e nas rimas - poderiam ser versos exatamente do mesmo tamanho e com rimas podres de ricas, mas é que gostei tanto dele... embora isso não justifique.]

26.7.10

Sublimação

Metáfora maior é esta que sinto.

[Como... arde como... arde...]

Só me sobram as dores,
deliciosas dores...
o resto voou.





[pseudo-poema e direto, ao blog e ao ponto. Fresquinho.]

23.7.10

Novo corte

Uma pessoa estranha
a falar coisas estranhas...

Quem é?

O corte descerrou:
desabrochou depois da poda.


[De hoje, à caneta bic rosa, numa folha de sulfite colocada às pressas dentro da bolsa. No trabalho, escrevendo ao acaso, sentada num cantinho perto da porta e esperando a hora de voltar pra casa. Adoro folhas à mão na hora do aperto.]

22.7.10

O que mudei, não sei...

mas mudei.

E me peguei num trecho de uma carta pra uma amiga muito querida:

"Ai, maninha... que coisa engraçada é viver, passar os minutos e de repente perceber que um pedaço ficou pra trás... mas que... perder os pedaços é crescer, não é diminuir. Como é que dói muito quando isso começa e que depois se torna um vício, o que vira dor é não mudar..."

Eu, perdida no mundo de mim. Em todas as instâncias desta afirmação.

18.7.10

Pensamentos alheios

Estava me preparando para uma narrativa delicada; um discurso tênue que quase sumiria perante os traços delineados dos acontecimentos de hoje.
Fui a uma festa de aniversário.
Se você que está lendo já vislumbrou o que vem a seguir e decidiu parar de ler agora, tenha calma, garanto que este não é mais um momento de elucubração. Eu teria muito pouco tempo para resgatar a poesia de qualquer coisa que fosse seriamente pensada no momento da festa. Teria trabalho para diluir as camadas penosas, pesadas, de pensamentos firmemente tecidos, magicamente entrelaçados, para então separá-las e pensar num valor qualquer que lhes coubesse como luva e, finalmente, quase certamente, decidir o que seria mais interessante e mais bonito de pôr em dança com as palavras.

Daí que fui à festa do primeiro aniversário do primeiro filho de um primo meu que quase foi o primeiro de todos nós.
Entretanto, o fato é que nunca me senti tão outra quanto hoje entre meus parentes. Nunca me senti tão alheia, tão distante, tão rastro, tão poeira, tão mínima, tão... E não imagino de onde possa ter surgido tal sensação - atreveria-me a pensar que possa ser do novo corte de cabelo, mas não é.
Daí... e daí que fugiu o resto de mim ali no meio de todos...; uma coisa sem limites: sem forma, sem hora... era o que eu era até escapar o resto, mas agora...?
Por fim, alguém me diz que eu não estava comum nem a mim mesma, constatando ("Por que está triste?") com muita segurança; eu, decidindo querer mesmo escapar dali, pensei que aconteceu mais uma mudança verdadeira.
O eu distante me acenou, lá na festa, e o eu mais próximo continuou a caminhar... para onde eu nem faço questão mais de saber ou adivinhar.


O abismo que se abriu entre mins está aí para ser desvendado - e agora pouco me importa se há caminhos para defini-lo e compreendê-lo. Agora não, pelo menos.

3.7.10

Da Sombra

Estou numa
letargia de sentidos.
E é assim que é quando
se sente tantas coisas, mas
também quando se sente
apenas uma
desesperadamente
enlouquecedoramente
dolorosamente.




Ironia do Paradoxo

Uma subsequência
de ser no máximo ralé:
sentir mínima em tudo
e constatar a incapacidade.

Mas meu desejo é um, o melhor,
o direito...
E por que, meu deus, sempre entorto?
Sempre estou do outro lado de onde deveria estar?
Sempre vejo ao contrário?
Sempre estou tão aquém que,
mesmo pra mim mesma e de mim mesma,
me perco.

É isso ser escória?
Ou é ser tão torta, que até o torto perde o sentido?






[à caneta de ponta fina, marinho; enviesado numa folha de sulfite branca, desenhada, presa numa prancheta, num canto do meu quarto]