29.1.11

E o que é a vida?
A vida é um fato.
Breve.
Polêmica.
Alardeadora.

A vida...?
A vida é um curta.
Passa.
Escorrega.
A vida vai e termina.
(e é preciso ser rápido para captá-la)

A vida é um caso.
Daquele tipo... que não se sai ileso.
Daquele tipo... que você deve se entregar.
Daquele tipo... que marca pra nunca mais esquecer.

Então...
Por que eu paro e admiro o tempo que corre?
Por que tenho a sensação de que a minha vida tem sido longa demais?
E por que é que o medo de me marcar me deixa sem ter do que me lembrar?

O que é a minha vida, a minha vida quase sem lembranças?
A minha vida é uma peça incoerente em exposição permanente.

24.1.11

Bomba

Estava pensando no quanto uma pessoa consegue segurar uma bomba. Assim, sem saber de origens, sem saber de destinos, sem saber de suas características, sem saber de nada, nada.
Estava pensando na capacidade de esperar pelo inesperável. Assim, com todas as letras, inesperável. Pelo imprevisível inesperável.
Pelo inesperável apreensível...
É que eu tenho uma bomba antiga e caminho com ela o tempo todo. Às vezes penso que nunca mais terei que carregá-la, mas, quando percebo, lá está ela... amarrada a mim por uma corrente indestrutível. A bomba que destroi.
Talvez a bomba destrua a corrente quando finalmente explodir. A corrente indestrutível.
Estava pensando... se essa sensação é algo memorável. Se alguém pode ficar feliz e orgulhoso de sentir esse peso, essa responsabilidade. Segurar levianamente uma bomba destruidora atada por uma corrente indestrutível, esperando pelo imprevisível inesperável. Apreensível.
A marca da corrente deixa um rastro para compreender o mínimo. O mínimo dessa bomba quase que amalgamada a minha alma.
E o que fazer além de carregar e esperar? O que é possível fazer com esta prisão que me persegue onde quer que eu vá?
O que fazer com essa porção de sentimentos presos e que não deixam de crescer e tomar os pequenos espaços que ainda restam dentro da bomba? E quando eles não couberem mais?
Eles serão extinguidos? Eles crescerão infinitamente numa proporção astronômica e incalculável? Estes sentimentos presos vão fugir quando repararem o horror que os circundará? Vão procurar quaisquer coisas alcançáveis para serem plenos, enfim?
E as tantas outras possibilidades intraduzíveis?
O que fazer com esse objeto? O que esperar, enfim? O que calcular? E a coragem para explodi-lo e sair desta angústia que é a espera? Espera pelo inesperável.








[escrito num fluxo de pensamentos, em poucos minutos, sem correção. Uma tentativa falha de traduzir um sentimento, talvez uma mescla de angústia com frustração e um tanto de medo. Um sentimento que me ronda e do qual não consigo me desapegar, talvez seja por isso que ele insista em voltar com o mínimo de incentivo - como um convite, ou uma fala animadora sobre algo que nunca irá se concretizar.]

3.1.11

20/06/2006

Na verdade, estava relendo mesmo o meu diário e descobrindo todo o histórico deste que escrevo agora. Eu ia retirar uns trechos sobre a cebola, de como tudo começou... mas são tantas coisas que... nem sei por onde começar.
Ia ser interessante fazer este paralelo... para eu lembrar.
Daí achei esse textinho tão singelo, que resolvi colocar aqui, assim, sem editar também:

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Nada não


Bem… nada como um dia após o outro… um momento após o outro… um segundo após o outro…

Agora estou prestando atenção no ar que sai e no ar que entra… o ar que entra, entra com muito mais força que o ar que sai, como se fosse preciso muito esforço para que ele subisse e entrasse no meu corpo. Ou como se eu estrivesse determinada em puxá-lo. O que sai, por sua vez, parece inibido ou receoso de juntar-se com o de fora.

É engraçado como é paradoxal com o que estou sentindo agora. Muito mais soltando que absorvendo.

Mas talvez seja da minha natureza… ou talvez seja costume.

Engraçado, engraçado.

Acho que vou aproveitar, reler aquele diário e republicar algumas coisas... ou reescrevê-las, bateu uma dorzinha... que não consigo descrever agora.

Do diário

Eu estava querendo uma coisa antiga que havia escrito, mas não lembrava onde estava... por fim, fui mexer no diário (aquele, o espaço em que só eu posso mexer, mas que nem mesmo lá eu conto tudo pra mim mesma) e encontrei o que queria.
Por alguma razão, talvez uma resposta para uma prima muito querida (que queria saber o que era crescer) vou colar aqui o meu primeiro estranhamento (que só ela entenderá, já que o motivo é o mesmo).
Para os outros, se é que há outros além de mim, talvez não caia muito bem, já que não é propriamente algo trabalhado para ser exposto aqui.
(de 2005 e 2006 - sem edição neste diário/caderno de estudo que é público)

(atualiz.:e olha a metáfora do oceano ali... nem havia visto! eheheh//fui mexer nesse diário porque precisava migrar pro wordpress, parece... será que ficou público? #medo)

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Máquina do Tempo – O estranho olhar que meu avô tem ao tocar uma moda de viola em seu bom e velho violão

Estava sentada sobre a bacia de louça, com um caderno nos joelhos e uma caneta que rodava entre as minhas mãos. Todo o resto dormia, exceto a rua lá fora, onde os carros passavam distribuindo sons e luzes. A porta sanfonada do recinto estava aberta e um corpo com barulhos de sono se fazia presente no cômodo ao lado. A luz era tão amarelada, que fazia com que o toillet onde me encontrava viajasse no tempo.

Para o passado! Não há nada que a gente sinta mais falta que das coisas que já se passaram. Para o passado! Que é tão bem representado com fotos dessa coloração já citada.

Difícil é explicar o que eu sentia… senti como se o cubículo azulejado onde eu estava de repente parasse de contar o tempo. Senti-me como se estivesse presa num álbum de retratos. E, por um longo momento, senti-me inexistente. Nem os roncos dos carros da rua, nem os do corpo do cômodo ao lado ilustravam-se mais. Então vieram os apertos no peito e a tristeza profunda, uma nostalgia que veio sem ser chamada.

Contemplei a menina de vestido rodado que passava dançando, enquanto os ouvidos da minha memória escutavam o som de uma música caipira que estava sendo tocada no violão de um senhor de cabelos, barba e bigode negros. Outra menina acabava de chegar e, dando as mãos com a dançarina, esboçava passos nunca imaginados por profissionais famosos dessa arte.

Eles pareciam tão felizes!

Mas logo veio o tempo que empesteou de fios brancos os cabelos do avô, que agora tocava solitariamente seu violão – talvez preso em seu álbum de retratos – e as meninas, que não trajavam mais vestidos rodados, estavam agora deitadas numa cama, discutindo calorosamente a respeito de suas próprias vidas de adolescentes.

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É antigo… mas que saudade eu tenho de você, vozinho lindo… hoje é dia do seu aniversário e amanhã eu o verei e lhe abraçarei bem forte para matar um pouco dessa saudade.

Hoje estou adulta, mesmo que recém saída da adolescência, e vivo todo o tempo que é possível ao seu lado e ao lado da minha avó, porque sei que um dia não estarão mais presentes de corpo aqui… e eu sei que eu vou sentir muita falta, mas muita falta mesmo de vocês dois… e essa saudade antecipada já me traz algumas dores, embora me torne mais forte pra aguentar o que provavelmente vem por aí.

O problema é que a gente nunca pode prever o que acontece. E assim foi o que aconteceu esses dias; amanhã vou contar tudo para a minha avó e procurar saber o que ela acha… será que de fato estou comovida com alguma coisa que não pretendia estar?

E isso está doendo mais que tudo, porque é um nó que não ata e nem desata… é uma situação que eu não posso resolver, porque não depende apenas do meu aval… rs… e isso me traz uma angústia sem tamanho.

E me pergunto outra vez… "é isto que é crescer?"; "é isto que é sentir?".

Estou me sentindo uma idiota. Idiota, idiota, idiota, rs…

Mas tenho uma novidade… não estou nem aí se estou realmente sendo idiota. Nem se estou sendo qualquer outra coisa e passando qualquer outra imagem… olhando a listagem que fiz com os adjetivos que me empregam, percebi que é por demais extensa e por vezes muito contraditória. a maior contradição é que todo mundo acha que sou mais exata que inexata… logo, todos devem estar errados. Mesmo que estejam certos.

E daí?

Estou pintando novamente a minha face, desta vez sem remorso algum. Estou saindo da minha própria tempestade e afundando meu navio num oceano que eu nem pretendia visitar.

Deuses traiçoeiros.

Só EU tenho essa camiseta :P