24.11.10

Do baú

O duende que só escondia

Era tudo!

Tudo o que a gente procurava,

a gente nunca encontrava,

porque aquele duendezinho

escondia tudo o que achava!


O duende que só encontrava

Vixe!

Tudo o que a gente tentava esconder,

a gente só encontrava!

(aquela criatura malvada,

procurava tudo o que a gente escondia)


E o duende que não sabia o que fazer?

Então decidimos:

não procuraríamos e não esconderíamos mais nada!

Aí o vermezinho ficou perdido:

ele esconderia ou encontraria?




[Poeminhas de 2007, dum projetusco chamado "a menina que nunca comia" - escrito e ilustrado para a minha sobrinha, que nunca come, ainda.]

13.11.10

#Sandman



[There is only one thing to see in the twilight realm of Desire. It is called The Threshold. The fortress of Desire. Desire has always live on the edge. The Threshold is larger than you can easily imagine. It is a statue of Desire, Him - Her- or It-self. The Thershold is a portrait of Desire complete in all details, built out of blood and flesh, and bone, and skin. And, like every true citadel since time began, the Threshold is inhabited. There is only one occupant, at this time. Desire of the Endless. The Threshold is far too large for just one person. It contains two eardrums larger than a dozen marble ballrooms. And empty, echoing veins, like tunnels. You will walk them until you grow old and die without once retracing your steps. Given Desire's temperament, however, there was only one place in the cathedral of its body to make its home. Desire lives in the heart.]



Descrição perfeita e poética de Desejo, num trecho de Neil Gaiman, em Sandman [Casa de Bonecas]

4.11.10

Entre declarações de amor...

Eu estava só pensando, AGORA, em como tenho abandonado muitas coisas pela metade; todos os tipos de coisas que alguém puder imaginar.
Talvez seja um karma relacionado a minha data de nascimento e eu nunca possa me livrar deste irritante modo de levar a vida que tenho. Originou-se ali e, contudo, nenhuma cirurgia d(n)o mundo é capaz de removê-lo sem deixar marcas na obra divina e/ou sequelas no funcionamento da máquina.
Daí me deparo com coisas simples que meus amigos me dizem ou me escrevem e lembro que eu também consigo deixá-los pela metade. Culpada.



Mas... é assim... vou vivendo ao resgatá-los...

"[...] tá ficando muito ridículo isso de "andarmos sumidas", [...] dá um rélpi neguinha, maninha tá lembrando da gente, falando bem (mal) da gente pros outros (diga de passagem, porque de viagem tá doida prá encher nós duas de porrada, eu no lugar dela também faria o mesmo só que ia bater mais de leve em mim, ora),[...]"

"[...]Impossível se perder nesse mundinho de Deus... pois se até os pombos, os patos e as borboletas, as baleias, e as trutas retornam ao seu lugar de origem, porque a neguinha havia de se perder por aí, né, que injustiça meu Deus... a gente acha ela..[...]mesmo que você esteja sem crédito no celular... não tem problema, a gente acha o diacho do número dela e ligamos a cobrar, afinal... rs... ela nos ama tenho certeza disso[...]"

(Ainda assim, culpada, por estas razões... - dos retalhos, longa história pra este breve post, que meus amigos costuram em mim - a minha vida é a melhor.)