28.5.13

O que não


amor nicotina
oxigênio, amizade
um pulo cego
desgarrar no concreto
vida pesadelo
necessidade intolerância
abraço molhado
coração sambado
não quero.

você nomeando
um mim descontornos
tal bolsa da volta
dolorido sinal
entendimento molenga
na beira enfileirado
buraco sedutor
navio assobio
só no barulho.

não quero.

o que não
não quero
saladas celadas serenas sirenes
sumiço sombra sobra silvo
soluço sozinha...
não.

deixa recostada
sufocada 
partida...
deixa...
não olha
não alimenta
não cresce
a fome acaba
comendo a si mesma
não hipocrisia
limpa no calor da aceitação velada
não quero.
deixa só
olhando a plateia vazia
imensidão infinita
mas dentro.
deixa
deixa
cuca quente
não...
deixa
não quero
não toca
não pensa
não fala
deixa sem.

não quero.
não.

aceita não
nó frouxo
desliza
some...

eu.
mas não.
deixa.
deixa...


[exercício de redução num fluxo por contaminações... ou... um suspiro escorregando numa gota - com desabafos que me terminam num mim sem sentido... não entendo a chateação, mas reconheço a imagem e, incrível, aceito e sorrio: sou eu, de verdade. ]
Respira e vai... no fim, não há entendimento... quanto mais se vive, menos se sabe... amém.

27.5.13

Olá, breve e carregado

Estou no meio de vários projetos - e isso é bom - dos quais falarei conforme irei resolvendo, portanto, estou meio sem tempo para escapar um pouco de mim por aqui, já que... pego qualquer folha à mão e pronto... vocês devem saber disso, porque eu disse ou porque viram acontecendo em algum momento... :D MAS tenho algo bacana pra compartilhar e-xa-ta-men-te agora! Quem se lembra, além de mim, de que eu havia me comprometido a colocar projetos e ideias trabalhadas em sala de aula aqui nesse espaço, além das minhas próprias experimentações em textos/leituras/expressão? Resumindo, esta é uma ideia que venho modelando há 11 anos, não exatamente apenas para educação infantil (este resultado é assim, pois acompanha o público envolvido), mas como incentivo à produção de textos e expressão de qualquer pessoa que possa estar envolvida nesta ideia, num projeto referente a ela, ou desejando se libertar de ideias de textos de outros (ou conversar com elas, também, claro). Venho experimentando atividades deste tipo em sala de aula esse tempo todo e este resultado é um dos que mais tem me mostrado que estou pelo caminho certo... (vou colocar as tentativas anteriores, num outro momento... são bacanas, tanto quanto, mas não tão ligadas à expressão e autonomia quanto esta está mostrando que é e pode vir a ser cada vez mais...) então... esta é uma ideia executada que está funcionando muito bem e trazendo coisas super interessantes em retorno... aqui: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10200384865797323.1073741829.1025787371&type=1

Esta não é a forma de registro mais adequada e nem a que mais me agrada, eu queria realizar esses registros como uma espécie de documentação, mas isso não é possível acontecer sem auxílios (de todo tipo que podem imaginar), esse é o mínimo que venho conseguindo fazer com crianças pequenas e estou confiante de que conseguirei materiais desenvolvidos por elas, sem minha intervenção ou apoio como escriba... daí sim terei um registro quase eficiente e que será válido por si só.

7.5.13

Caiu o pano
sobre a cela,
mudou a cena:
desengano.
Mas,
hoje,
remorro
pra eternidade
com a  notícia...
lembro da dor,
lembro dos sonhos,
acho injusto...
rios correm desesperados madrugada adentro...
Eu te amo numa medida que não compreendo...
e quero terminar de destatuar seu nome daqui, desse turbilhão de pensamentos.
(Cai da cela,
o pano,
mas,
chaves à mão,
procuro com certa tranquilidade a que destranca:
vai e voa livre, contente!
Bebe d'água de fontes, canta!
Vai, passarinho doente,
bica dos frutos mais docinhos
e procura os outros passarinhos!)

[Dos criados em '5 minutos', mas que me orgulham... às vezes acredito que sou fluente em poesia... vai entender esse meu ego... esse saiu agora, sobre um incômodo... um grande incômodo... incômodo que aniversaria 15 anos:





Apaguei... ehehehehe >:D








, Fim.]

Uma vez, Delirium foi Delight...
(GAIMAN, Neil. Sandman. Edição 42, pág. 20)


Agora durmam com isso... :)

Post mortem

Eu acho que essa mancha não sai nunca mais,
queimou, alterou o estado natural.
Começou com aquela resposta esperta,
grudou com aquele assobio,
aumentou com aqueles telefonemas,
derreteu com aquela peça,
(me declarei)
enrugou com o silêncio,
pretejou com o namoro,
afundou com a falsa esperança,
deixei de notá-la,
e ficou clara, quase sumiu...
mas ontem... ainda ontem repararam nela...
e eu, achando que nunca mais a veria,
chorei porque não sai nunca mais.
Mesmo.

6.5.13

Pássaro negro, trazendo notícias
tendenciosas,
pousa no poleiro,
observa a derrocada:
motores que tossem,
papagaios que bicam,
porcos com fome,
macacos se agitam,
a onça dorme,
os peixes fogem,
o puro sangue retorna, num pôr-de-sangue, sonho dolorido.


[É isso que anda saindo, isso que ando sofrendo]

5.5.13

Entre o acorde e a trilha paradoxal

Num acorde, canto o colo negado, sofro o mundo de inquietações, provocadas pelo monstro de todos os seres: [...] Sinto o fracasso pulsando nas veias e, num sorriso sem graça, torto de repuxado à força daquele bico de choro evitado, sou mais forte.
Respiro e me retiro com a viola d'água pro canto do palco, desmorono por dentro, enquanto observo as existências, instantes.
[...]
Com pesar, digo que há anos não me comovo com opiniões alheias sobre mim, mas é bom que saibam a fim de evitarem esforços desnecessários. Mesmo assim, me chateio. Pro resto do dia. Porque uma medida sem fim de responsabilidades recaiu sobre mim, e agora busco por aquelas que são minhas, só minhas, numa sede bastante egoísta.
Não é nada contra o que você representa, muito menos contra o que você canta... é que eu já nadava numa marola quando me viu - mas você não viu. E enquanto eu lutava pra respirar, porque já nadava há muito tempo e estava cansada, você me jogou mais coisas sobre a cabeça... coisas que não eram só minhas, coisas que me afundaram e me tiraram o fôlego, coisas que me afogaram por ricos instantes em que eu parecia me encontrar no mar... mas foi assim, inesperadamente e na secura de nem uma trilha sonora pra ajudar...

[exercício de fluxo - sem correção, apenas censura - indicada pelo sinal "[...]"]

3.5.13

Elfos de Lothar

Dançam sobre a relva, silenciosamente, os elfos de Lothar. Não distinguem o mundo alheio de si mesmos: além, aquém, onde quer que esteja...; estão o que são e seguem somente seus passos marcados.
Os elfos saltam e rodopiam com a brisa de longe, carregando as folhas soltas pelo espaço. Só porque vêm e os seguem, não outra razão... não enxergam além dos próprios corpos, nem um corpo além.
Falai o que, quando quiserdes, mostrai o que quiserdes, mas que vos poupeis do esforço de serdes notados: eles não sentem vossos suores, nem que esforços abissais...
Dedicai poemas, dedicai e destruí serenos suas belas imagens: eles não se reconhecerão além do que são.
Mas ignorai suas presenças... que o monstro da essência de todos os seres acordará e vos engolirá... com mistérios, com sopros, com injustas palavras - tesouros impressionantes construídos com esmero...
Ignorai e sede digeridos, devastados, depostos na eternidade do tempo, do espaço... como abaixo de uma existência simples e tênue.
Assim como quereis que sejam os elfos.

[...texto-fluxo, sem correção, em 12 minutos, sobre suas indiretas com palavras rudes e dolorosas, mas não mais que o doloroso desprezo, imerecido, prêmio de uma jogada sua em que você mesmo foi o vencedor - isto não é uma indireta como a sua, mas um abrigo com lâminas afiadas e venenosas. Vai embora. - numa análise rápida, meu fluxo de consciência, tema, palavras, anda ou não anda mais árido, ácido, adorável? Sou eu, muito prazer. E eu realmente gosto das 2ªs pessoas... é uma escolha inconsciente, mas que agora me perturba um tanto.]

2.5.13

Uma palavra e...

Não estou negligenciando o blog, é que voltei a escrever noutros lugares... dentre eles, um que me fazia a maior falta: bloco de papel.
Estou escrevendo coisas que ainda não reconheço... quero dizer... são minhas palavras, meu repertório de escolhas e significações e vivências, mas num molde estranho, de um sabor um tanto mais ácido... e isso me faz feliz de um jeito como se eu tivesse reencontrando uma velha companhia...
Além dos blocos de papel (eu escrevo no que estiver à mão), criei uma página para a Murphy, com pretensão de perpetuar a personagem que ela virou quando botei as mãos nela (isto é, aquela longa história que já contei aqui... e, no fundo, também acho que Murphy realmente tem vida... ehehehe)... aqui: https://www.facebook.com/MurphysCauses
Por enquanto, com o tempo que tenho, estou resgatando o projeto de histórias infantis recontadas por ela, e colocando umas fotos aleatórias; na verdade, a intenção é postar coisas essencialmente aleatórias da rotina da Murphy e promover a interação dela com as pessoas: dar voz a ela, pra que ela continue a ser mais do que uma boneca.

Para encerrar esse post, vou deixar alguns dos últimos escritos nos blocos (sem correção):

Corre pequeno o sonho
nascido em fonte indecisa
Fluidez há de jorrar
num dia manso

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Chiado,
Pássaros ao longe,
Tarde em prantos,
Murmúrio,
Corre o mundo lá fora
E dentro imensidão.

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Não te quero mais
não sorriso de canto a canto
num perfeito linguajar
"faço o que quero, desafio-te"
Não me desafies.
Não me testes.
Não tentes domar, prever, segurar...
não sabes o que te esperas,
pronto para te devorar.
[...] [ou: tenho vergonha do resto]

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Desfio que deixa o traço
O fio desentrelaço
Fica o destroço
[essa, pra mim, é uma obra de arte - considerando além da forma, toda a significação contida... que não explicarei, não precisa de explicação]
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Pousa serena
uma radiante nota ao pé da fera
Cega bela curiosa
pequena desvela o véu
Solstício da muda
Da alma vazia
que torna menor
microcosmo num universo
desverso, inverso, sem versos.
[Aumentando para...]
[Assim mesmo: pontuações e palavras. Gosto muito desse porque é muito significativo pra mim, no momento de que estou saindo]

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Entre tantas ondas que arrebentam n'areia,
você notou aquela feia, torta que tinha tudo para ter dó de si mesma,
e veio forte, altiva, lhe arrancando um tanto de palmas pelo espetáculo.
Era de graça.
Sempre foi de graça.

Antes você não sabia como dizer, como se comportar, como viver.
Queria pagar pelo que não tinha preço,
mas numa troca sem noção de valores e justiça.
Não estava à venda.
Então pensou que havia comprado um serviço,
querendo usufruir, cobrando por usufruir algo que era livre.

O mar calmou, calou... alô?
Então você veio num toque sereno, mas firme, e singelo, mas cheio de significações.
Veio desculpar-se com um genuíno respeito...
Passou dias beijando o mar, paciente por seu despertar...
Dançou com as ondas, viveu um menino de verdade,
sentindo suas roupas úmidas e frias...

Enfim, você voltou para a costa, adentrou a cidade e sumiu.
Sumiu, calou-se, vingou-se?
O mar continuou...
em ondas que arrebentam n'areia.