Que não tenho nada de insano, que definições indefinem qualquer um, que ando trilhando por cíclicas obviedades, que eu adoro o som de algumas palavras e adoro inventar outras e que, acima de tudo, minha prebenda exstante é saborosamente... perdi a palavra. De novo. E não era nada disso que passava aqui antes.
25.11.09
Tinha um texto perfeito...
...mas esqueci.
Juro.
Estava no meio de umas considerações metafísicas e me perdi. Sei lá onde, sei lá de que maneira, sei lá os motivos, sei lá se eram realmente metafísicas. Simplesmente me peguei pensando em nada. Aí abri esta página pra escrever sobre o ponto importante a que tinha chegado e cadê? O lume voou.
Juro.
Estava no meio de umas considerações metafísicas e me perdi. Sei lá onde, sei lá de que maneira, sei lá os motivos, sei lá se eram realmente metafísicas. Simplesmente me peguei pensando em nada. Aí abri esta página pra escrever sobre o ponto importante a que tinha chegado e cadê? O lume voou.
23.11.09
Do divino
A cabeça doi. Uma dor sutil, mas persistente.
Imaginei-me naquela floresta feérica, de novo. Sucumbi, com a mais leve frustração, ao mundo perfeito. Não é justo, não é correto, não é...
...
Por qual razão agarro-me a esta dor tão sutil e ruidosa? Ela não me pertence. A contradição não me pertence. Eu não pertenço.
Eu não pertenço a esta prebenda tão íntima minha.
Eu pertenço a outro trabalho. Mas qual?
"Now were going to another land
Will you show me the way
Time has gone
It has gone far away
Far away"
22.11.09
Agora era asno
O asno come sem notar a repentina coroa de luz a enfeitar-lhe o topo divinamente.
O vento poderoso também se alimenta, dos vãos, das frestas, da vaidade, do orgulho.
Os lumes, a todo custo, tentam ficar ali, na inteligência do asno.
Uma rajada a mais e pronto (lá se foram todos).
21.11.09
18.11.09
Dons
Egocentrismo é sempre um passo anterior.
Estou refletindo sobre isso. E sobre, mais ainda, coisas além disso; as pessoas que tenho (re)encontrado estão diretamente ligadas às decisões.
Não estou preocupada com este fato, pois é direito. Estou preocupada com explosões que poderão acontecer a quaisquer momentos e acabar com o mundo. Meu mundo.
Daí a questão do egocentrismo. Egocêntricos não dependem de conexões; no máximo, dependem de relações assimétricas, pendentes, sempre, para os seus lados.
Mas eu fiquei me perguntando, no além, desde quando o mundo tem lados.
O meu não tem. Não mais.
17.11.09
Interpretando o silêncio
De uma proposta feita, só veio o silêncio. Recusa.
Recusa por medo, por merecimentos meus, por vergonha (não que medo e vergonha não sejam merecimentos).
Estou frustrada. Com vergonha de ter mexido na ordem das coisas.
Por mais que eu me cale, ainda não sei ficar calada. E isso dói.
...
Não sei falar, não sei calar, não sei expressar, não sei saber.
Que é, que é?
Que é que vou palavreando?
Que é?
Tão finas, tão soltas, tão fracas estão minhas palavras... que cadê?
Cadê os meus traços?
Cadê tudo aquilo que era eu?
Estou me livrando de eu... de novo?
E ficando só com o mim... minguado?
Nó
Então ela me perguntou o que eu tinha a dizer. Eu tinha muitas coisas a serem ditas.
Por mais que eu me esforçasse em desatá-lo, o nó que estava sendo resolvido, voltou a embolar-se na minha garganta. E ficou ali, sem se deixar ser engolido e recusando-se a mover-se um milímetro em qualquer outra direção.
É claro, senti-me frágil e quase me fiz de vítima - para que ela sentisse compaixão e então eu pudesse abafar o meu fracasso - mas o ódio era tão sem tamanho, transbordava por todas as frestas, que eu não disse nada de nada.
No fim foi isso: por não ter nada o que dizer, percebi que não tenho coisas a serem ditas.
Então me calo.
Quem poderá julgar?
14.11.09
Lobato disse...
primeiro que troca muito bem gato por lebre, quando se referia à troca de habilidade e talento. Que o certo é que ele fosse pintor, pois nasceu assim.
Depois disse que ele sentia saudades do que ele poderia ser, que era um derivativo de Literatura, porque pinta com as palavras.
E eu fiquei me perguntando como era possível amar mais uma coisa que eu já amava tanto.
Eu não fazia ideia dessas palavras quando eu disse a alguém que meus textos eram minhas pinturas. (Obviamente, desconsiderando a minha mediocridade para ambos - sem qualquer pretensão de me comparar a quem quer que seja - pintor ou escritor).
11.11.09
Não choca mais.
Sinto dizer que a visão deste inferno de imagens sociais não me choca mais.
A constante de republicações realizadas por militantes que nada têm a acrescentar a não ser suas angústias egoísticas de que o mundo é injusto e que eles o compreendem mas não conseguem mudar - como se quisessem - é anestésica.
O mundo é um volume existencial... e só. E é justo.
As leis existenciais são exatas. E isto é fato.
Portanto, não me venham com a justiça enfadonha de que, por acaso, vocês são os únicos a enxergar o que está nítido para qualquer um que queira ver.
Eu vi. Eu vi e engoli minha hipocrisia. Ardeu um pouco enquanto descia pela minha garganta, mas ardeu mais a ideia de que ela descia do que, de fato, o que acontecia.
Eu vi e não procurei fazer armas com a indiferença dos outros. Foi difícil engolir mais este pedaço falso de ego, fantasiado de razão. Foi.
E nada me choca mais com relação aos comportamentos, às ideias, às cebolas alheias.
O que me choca é ver um cachorro rasgando o lixo, apoiado sobre a sua pata quebrada e remontada, dobrada como um origami complexamente simples.
É o que me choca: o olhar determinado e a postura de galante daquele cão - junto com seu andar desencantado do mundo.
10.11.09
Vejo
Vejo o seis e entristeço-me. Coro com a dor. Dor que vejo saciada, quando olho o seis que não era mais. E coro com o alívio.
Num pulsar, sofro. Com a indiferença.
E sofro com a minha indiferença.
Onde é que vou parar?
Talvez eu saiba. Daquela coisa rastejante lá, dentro de mim. Talvez.
Era um sibilar que me torturava ao mostrar como transpassava o fino limite da minha consciência. Uma coisa que eu gostaria de ignorar.
Talvez, não. Com certeza.
Ignorei toda a imensidão que a serperte rasgou diante de mim e eis que, ao vislumbre do seis, não pude mais me enganar.
Não era a lucidez que estava a viver até o exato momento, mas a realidade invertida. Aquela inversão depois da descoberta final.
Aquela inversão... que agora parece estar cedendo.
Estou voltando a cabeça para o chão, que é o que mais se parece com a sanidade. O resto do meu corpo pode ficar suspenso... feérico.
Talvez.
5.11.09
3.11.09
Conto que conto
Estou escrevendo não sei bem pra quem. Falar tem sido uma tarefa árdua, não só por provocar grandes embaraços, tanto fora quanto dentro da minha cabeça, mas por faltar-me a rapidez necessária para a análise e a construção do que sai do meu aparelho.
Tudo bem que deveria surtir efeito contrário, só que eu já compreendi que uma mudança leva tempo para acontecer; ela não é só um começo, ela consiste numa jornada e num propósito.
Falar foi o começo, considerei.
Fosse só falar, estaria tudo muito bem. Entretanto, nossa complexidade não permite que assimilemos uma única coisa, nossa complexidade e o hipercomplexo no qual e do qual abastecemos nossa complexidade.
É uma infinidade de infinitos que está rodeando a minha cabeça de possibilidades e de Descartes e de coisas que eu nem posso imaginar por onde começar a definir para ser o mínimo compreendida. Ou até se há algum modo de definir. Ou, pior ainda, se há definições. Porque, agora, eu não importo com definições. Definições limitam demais a coisa.
Daí que me deslumbrei com a oportunidade de ser claramente não compreendida. Falar é muito mais perigoso que escrever, considerei.
Perdi a paciência, fiquei angustiada, chocada, senti-me vencida. E parti para a conduta mais fácil e natural que é isentar-me das responsabilidades, mesmo que isto destrua minha auto estima.
Tudo o que reconstruí, assumindo minhas ações, nomeando minhas incompetências e não deliberadamente vitimando-me e anulando-me, começou a desmoronar. Falar (me) diminuía, considerei. Mas não por ter a ideia de que falar é algo que fatalmente diminui. Não, não é isso.
Então assumi que não sabia falar. Que precisaria aprender. Que precisaria lidar e aprender a lidar com esta coisa tão imediata e tão inevitável que é o som.
Porque as letras... há quem ignore.
Há quem ignore as letras, considerei.
Não sei bem. Não sei bem quem.
Eu é que não.
(experimentado via e-mail)
Daí que
Na minha sorte via sabedoria orkutiana veio: você verá um biscoito da sorte que nunca viu antes.
Abri meu e-mail e a análise da perfeição do terceiro ensaio estava lá: muito ruim.
Claro, me remontei e pensei na análise da minha segunda perfeição que dizia "Receio de quê? Você escreve muito bem".
Taí.
2.11.09
Coleção
Colecionava notas imaginárias, histórias tecidas em fios crespos, alfinetes enferrujados e traços inacabados de qualquer coisa que havia começado e não concluiu. Coisas do tipo.
Sua vida não era muito movimentada. Mas era comovente.
E bastava comover-se com o mínimo que encontrava. O mínimo era sempre a sua meta.
Acostumou-se tanto, que, quando precisou, não conseguiu ser o máximo.
1.11.09
Frases dignas de twitter
Entre outras coisas, sandice é ligar de novo a TV só porque viu aquele ator LINDO e descabelado.
Sem mais.
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