Estou escrevendo não sei bem pra quem. Falar tem sido uma tarefa árdua, não só por provocar grandes embaraços, tanto fora quanto dentro da minha cabeça, mas por faltar-me a rapidez necessária para a análise e a construção do que sai do meu aparelho.
Tudo bem que deveria surtir efeito contrário, só que eu já compreendi que uma mudança leva tempo para acontecer; ela não é só um começo, ela consiste numa jornada e num propósito.
Falar foi o começo, considerei.
Fosse só falar, estaria tudo muito bem. Entretanto, nossa complexidade não permite que assimilemos uma única coisa, nossa complexidade e o hipercomplexo no qual e do qual abastecemos nossa complexidade.
É uma infinidade de infinitos que está rodeando a minha cabeça de possibilidades e de Descartes e de coisas que eu nem posso imaginar por onde começar a definir para ser o mínimo compreendida. Ou até se há algum modo de definir. Ou, pior ainda, se há definições. Porque, agora, eu não importo com definições. Definições limitam demais a coisa.
Daí que me deslumbrei com a oportunidade de ser claramente não compreendida. Falar é muito mais perigoso que escrever, considerei.
Perdi a paciência, fiquei angustiada, chocada, senti-me vencida. E parti para a conduta mais fácil e natural que é isentar-me das responsabilidades, mesmo que isto destrua minha auto estima.
Tudo o que reconstruí, assumindo minhas ações, nomeando minhas incompetências e não deliberadamente vitimando-me e anulando-me, começou a desmoronar. Falar (me) diminuía, considerei. Mas não por ter a ideia de que falar é algo que fatalmente diminui. Não, não é isso.
Então assumi que não sabia falar. Que precisaria aprender. Que precisaria lidar e aprender a lidar com esta coisa tão imediata e tão inevitável que é o som.
Porque as letras... há quem ignore.
Há quem ignore as letras, considerei.
Não sei bem. Não sei bem quem.
Eu é que não.
(experimentado via e-mail)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
:)
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.