3.11.09

Conto que conto

Estou escrevendo não sei bem pra quem. Falar tem sido uma tarefa árdua, não só por provocar grandes embaraços, tanto fora quanto dentro da minha cabeça, mas por faltar-me a rapidez necessária para a análise e a construção do que sai do meu aparelho.
Tudo bem que deveria surtir efeito contrário, só que eu já compreendi que uma mudança leva tempo para acontecer; ela não é só um começo, ela consiste numa jornada e num propósito.
Falar foi o começo, considerei.
Fosse só falar, estaria tudo muito bem. Entretanto, nossa complexidade não permite que assimilemos uma única coisa, nossa complexidade e o hipercomplexo no qual e do qual abastecemos nossa complexidade.
É uma infinidade de infinitos que está rodeando a minha cabeça de possibilidades e de Descartes e de coisas que eu nem posso imaginar por onde começar a definir para ser o mínimo compreendida. Ou até se há algum modo de definir. Ou, pior ainda, se há definições. Porque, agora, eu não importo com definições. Definições limitam demais a coisa.
Daí que me deslumbrei com a oportunidade de ser claramente não compreendida. Falar é muito mais perigoso que escrever, considerei.
Perdi a paciência, fiquei angustiada, chocada, senti-me vencida. E parti para a conduta mais fácil e natural que é isentar-me das responsabilidades, mesmo que isto destrua minha auto estima.
Tudo o que reconstruí, assumindo minhas ações, nomeando minhas incompetências e não deliberadamente vitimando-me e anulando-me, começou a desmoronar. Falar (me) diminuía, considerei. Mas não por ter a ideia de que falar é algo que fatalmente diminui. Não, não é isso.
Então assumi que não sabia falar. Que precisaria aprender. Que precisaria lidar e aprender a lidar com esta coisa tão imediata e tão inevitável que é o som.
Porque as letras... há quem ignore.
Há quem ignore as letras, considerei.
Não sei bem. Não sei bem quem.
Eu é que não.

(experimentado via e-mail)

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