Oro
pela hora,
nos dedos, o aro
que os carregam, ara!
Ara, mas que dó de mim...
ora por minh'alma definhando,
passando pelos aros da hora,
com gosto de metal na língua,
cruzada por fios que guardam o segredo
cosido há anos dentro do pote,
dentro do meu pensamento.
Oro pela hora, em que puxarei o fio,
e ele sairá a contragosto,
largando pequenos furos que os acolhiam alegremente...
não quero calar mais.
É que o aro nos dedos roliços
me levaram ao desejo de lavar o gosto de ferro, de níquel, não sei, qualquer metal que tenha me comprado o silêncio.
Não vejo a hora.
Lavar a cara com segredos me parece justo,
e me parece o certo,
e me parece um fim digno.
Depois, uma nova era:
Era uma vez... uma moça descosturada, com uma agulha prateada e um cavalo baio, de ouro.
Irada, cavalgava os ares sem fim,
respirando livre...
e desconfiada.
O que vinha lá no horizonte, na orla, no mar, na onda?
Não importa...
Arisca, vai voando no ar, denso de passado,
desfiando outro tanto de fios pelo caminho.
24.3.14
1.3.14
Mas só pra esclarecer...
uma coisa que vem me tirando do meu 'NDS' (nível desejado de sossego):
Eu não preciso de palavras, imagens, filosofias bonitas. Não é isso que procuro pra minha existência.
Uma vez me perguntaram o que eu procurava e eu disse algo que era praticamente impossível de definir; estava difícil tentar definir, porque é uma coisa que não existe ainda nesse mundo (talvez em outro).
Hoje... pra esse mundo... eu digo que procuro Respeito, porque, em minha singela opinião, é dele que brotam os mais sinceros e justos sentimentos e atitudes.
Eu sou tolerante e paciente num limite que às vezes me dá raiva... mas eu tenho um limite, ainda assim.
Quando atingem o meu limite, eu sou difícil de ser reconquistada... mas quando o ultrapassam de novo... olha... dói tanto na minha existência que o que acontece é a pior morte, pra mim.
Se algo que foi desrespeitoso deixou de existir, morreu... eu torço sinceramente pra que nunca mais reapareça na minha vida, torço tanto e com tanta gana que a coisa desaparece que nunca existiu.
[desabafo de abril/13]
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Ficou faltando, se eu não estivesse com tanta raiva quando escrevi: Mas meu coração ama tanto que, ao menor sinal de sinceras desculpas, eu renasço.
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Encontrei esse rascunho aqui no blog, não lembro porque não publiquei... acho que fiquei de reler, por ser um desabafo... mas estou publicando agora porque estou louca pra que seja verdadeiro em relação ao meu último coração partido. Aquele do qual venho tratando há anos. O que me partiram pela primeira vez aos 19, depois aos 24 e, agora, prestes a alcançar os 28. Mas a gente só sofre porque permite um poder ao outro, sobre suas intimidades, que nunca deveria estar atrelado ao Amor. Amor não é poder. E eu gostaria de me libertar de verdade deste Amor que não concordo, não entendo e não quero sustentar pra nunca mais. Porque tudo bem que eu mantenho uma relação linda, mesmo que unilateral, sou a pessoa que ama o que é e odeia com a mesma medida, sentindo tudo quanto for, e respeita tanto que não invade a vida do outro nem por decreto... mas... o que me incomoda, sinceramente, é que eu não venho sendo capaz de me permitir a encontrar outros amores tão sinceros quanto este. Quero dizer... eu até os encontro, mas antes que eu lhes dê o tal poder pleno, corto as tiras que me atam e esbanjo pés livres... que, não compreendidos por ninguém, desaparecem e fazem com que o provável novo amor também suma.
Olha, um coração partido, neste mundo, é o inferno.
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