Peguei aquela semente conservada feito vinho e, na palma da minha mão, vislumbrei os finos fios, quase translúcidos, flutuarem leves com minha respiração; delicadamente, a pousei num solo ardido, na esperança de que ele a envolvesse e a fortalecesse, mas a plantação de pimentas foi tão fria que nem viu a novidade.
Paciente, esperei por meses o primeiro sinal de que o braseiro a acolheria. Um silvo ritmado soou nos fios... meio rota, a semente se abriu com o toque e despejou seus sedosos e longos fios sobre o solo sedento; num emaranhado brilhante e sereno, a semente brotou vistosa e confiante, ergueu-se um palmo da terra e viu como era bonito aquele lugar.
O tempo passou rude, depressa, e trouxe a erva emaranhada aos caules sadios da pimenta; tímida, a semente viu o campo degradar-se até restar só, apática e seca, no solo salgado...
Peguei aquela escultura dolorosa e guardei numa caixa com todo o respeito, resguardando aquela história triste...
...
Inesperadamente, após anos, a plantação ressurgiu, e, trancada dentro da caixa, como mágica, a semente voltou a crescer. Cresceu que suas raízes fizeram buracos no fundo, clamando por serem enterradas... Obedeci e vi: dançando entre os caules firmes, novos fios sedosos trouxeram flores amarelas e singulares, estranhas, é verdade, mas de uma sinceridade sem igual.
Entretanto...lá na ponta dos dias, na ponta da plantação, na ponta da pétala amarela, vi crescer aquele mato injusto que já chegou tomando o espaço todo sem pedir licença...
Morrendo novamente, os fios sedosos voltaram a se enlaçar sobre si mesmos, as flores se fecharam silenciosas e a semente, esturricada, depois de tanto amor...
se quebrou.
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Só queria dizer que não é justo sentir tanto e tão profundo algo que só existe na minha imaginação - muito provável. Eu não queria ter um contrato eternamente renovado com algo que só me traz uma imensa dor quando me frustro. Ao mesmo tempo, eu queria ter coragem de arrancar de vez toda a ligação que existe no meu mundo com essa ideia tão... tão sem nome... mas eu não consigo arrancar algo tão honesto que existe dentro de mim... é como se eu também pudesse morrer um pouco mais e mais forte, sem chances de recuperar o que foi perdido de mim. Eu não entendo a imensidão desse amor e por que ele me fere tanto se o que eu mais quero é parar de sofrer.





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