21.7.13

[Morrendo novamente]

Peguei aquela semente conservada feito vinho e, na palma da minha mão, vislumbrei os finos fios, quase translúcidos, flutuarem leves com minha respiração; delicadamente, a pousei num solo ardido, na esperança de que ele a envolvesse e a fortalecesse, mas a plantação de pimentas foi tão fria que nem viu a novidade.
Paciente, esperei por meses o primeiro sinal de que o braseiro a acolheria. Um silvo ritmado soou nos fios... meio rota, a semente se abriu com o toque e despejou seus sedosos e longos fios sobre o solo sedento; num emaranhado brilhante e sereno, a semente brotou vistosa e confiante, ergueu-se um palmo da terra e viu como era bonito aquele lugar.
O tempo passou rude, depressa, e trouxe a erva emaranhada aos caules sadios da pimenta; tímida, a semente viu o campo degradar-se até restar só, apática e seca, no solo salgado...
Peguei aquela escultura dolorosa e guardei numa caixa com todo o respeito, resguardando aquela história triste...
...
Inesperadamente, após anos, a plantação ressurgiu, e, trancada dentro da caixa, como mágica, a semente voltou a crescer. Cresceu que suas raízes fizeram buracos no fundo, clamando por serem enterradas... Obedeci e vi: dançando entre os caules firmes, novos fios sedosos trouxeram flores amarelas e singulares, estranhas, é verdade, mas de uma sinceridade sem igual.
Entretanto...lá na ponta dos dias, na ponta da plantação, na ponta da pétala amarela, vi crescer aquele mato injusto que já chegou tomando o espaço todo sem pedir licença...
Morrendo novamente, os fios sedosos voltaram a se enlaçar sobre si mesmos, as flores se fecharam silenciosas e a semente, esturricada, depois de tanto amor...
se quebrou.

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Só queria dizer que não é justo sentir tanto e tão profundo algo que só existe na minha imaginação - muito provável. Eu não queria ter um contrato eternamente renovado com algo que só me traz uma imensa dor quando me frustro. Ao mesmo tempo, eu queria ter coragem de arrancar de vez toda a ligação que existe no meu mundo com essa ideia tão... tão sem nome... mas eu não consigo arrancar algo tão honesto que existe dentro de mim... é como se eu também pudesse morrer um pouco mais e mais forte, sem chances de recuperar o que foi perdido de mim. Eu não entendo a imensidão desse amor e por que ele me fere tanto se o que eu mais quero é parar de sofrer.

8.7.13

Não dá para usar palavras...

Falando de algo que não sei identificar, mas que existe: quando o que você faz é só dar e ficar impaciente porque quer continuar dando este algo e não tem ninguém para recebê-lo... e daí você começa a estranhar que não está cansada e que está se sentindo em dívida com um tanto de pessoas... acredite: é aí que você passa a perceber que está tudo certo e é aí que mora um vazio de pensamentos que não é ruim, mas uma sensação de plenitude. Acho que é Amor.

4.7.13

Do Teatro... e daquela sensação de que algo perdurará

Havia escrito um texto enorme, que era até que bastante sincero e carregado de sentimentalismo, mas apaguei. Apaguei, porque... algumas coisas da vida, a gente tenta e tenta explicar, mas as palavras certas e mais fieis não existem ou demoram para ser esculpidas...
Sucedeu que eu imaginava que teria algo especial na minha vida, mas eu não achava que eu podia ter tanto.
O Teatro me trouxe tesouros inestimáveis...
(e aqui deixo apenas um retalho, dos mais honestos, escancarados, enfim:)
...Na forma de amigos, que são pra vida, pra pós vida e pro infinito. Porque não há coisa mais bonita quando nos encontramos com pessoas e lidamos com elas porque... não sabemos por quê... elas não são meios para chegar a lugar nenhum, elas existem para vivenciarmos um pouco mais de amor no mundo. Amor   na forma de cuidado e de atenção, Amor na forma de cura para um coração machucado e sozinho, Amor na forma de saudade que não sara, Amor na forma de respeito, Amor. Porque ali entregamos a nós mesmos e nós não temos outro tesouro que não este para oferecer...
Além dessas jóias, eu ganhei mais um tanto que me fez crescer: autoconhecimento, segurança, entre tantas outras coisas... uma lista considerável  e sobre a qual poderia falar muito, quase que eternamente.

Mas o que interessa agora é deixar guardado aqui, também, esses pedaços de tempo:

Para assistir à Parte I – Espaço Sucesso (jogo de improviso)
Para assistir à Parte II – Apresentação de Cenas e Monólogos de Shakespeare
Para assistir à Parte III – Homenagem Sucesso (Para Elisa)

E algumas fotos que foram cedidas pela colega Danielle Feltrin:

Foto linda, cena da Dani, da Fer e do Gabriel

Congelados numa foto, adorei esta!

Homenagem Sucesso, rsrsrrs... e a querida Elisa recebendo o monte de amor que a gente tinha pra lhe dar (sem reclamar, rssrsr)

Cena do Gui e do Jonathan

Outra foto dos congelados < 3


E a foto do grupo! < 3

Cena da Evelyn e da Lucia

Eu, incumbida de passar o recado pra Elisa... "Me explico?" eheheheh...

Na plataforma, esperando o trem chegar

Monstrinho Canibal querendo oferecer Elisa como Sacrifício, ahahahahh...

Nascem os monstrinhos!

Cena da Paty e da Sheyla

"Agora acabou!"

Todos no palco, em aquecimento

Num dos ensaios gerais - o último - da Homenagem Sucesso (e ideias para o Espaço Sucesso ficar maneiro!)

...e a Elisa achando que a gente tava ensaiando as cenas, ahahahha... < 3