14.7.11

Delicadeza do objeto dado

Ei, não tem espaço pra mim na sua vida.
Mesmo que eu não precise de muito, aquele espaço é pequeno demais.

Se só cabe aquele tipo de abraço pequeno, olhar ressabiado e um querer estar bastante superficial... sinto muito, porque eu não consigo diminuir.

Não tem espaço, não, eu sei. E eu sofro, fazer o quê... tem bastante espaço aqui pra caber toda a mágoa.

Tem um espaço enorme, de verdade. Cabe o universo e o universo e o universo e o universo e... uma espinha entalada, rasgando a minha garganta, toda vez que vejo e sinto a falta.

Mas, e então, é assim que é. Não tem espaço, não tem espaço: vou embora.
E, se uma vez tive medo de me acomodar num espaço errado, vou embora pra ocupar outro espaço mais certo, não é?

Deixa. Deixa, porque o que não serve, a gente não guarda, a gente dá embora mesmo.
E renova.

Só que quando a gente dá, a gente dá tudo. E, como eu vou embora, eu vou levar nada, também.
Vai ficar tudo perdido n'algum buraco do tempo.

Espero, sinceramente, que todo mundo se esqueça dessa ligação, até que o buraco engula tudo e a memória desapareça por completo. Porque eu decidi que vou embora e que nunca mais quero ter que voltar, revisitar esse sofrimento.

Chega de encher o meu espaço com aquela dor aguda que escorrega lentamente aqui dentro.