7.11.12

Por que é que choro tanto?

E quantos e quantos e quantos... prantos derramados, delatados, dilacerados, esquecidos e maltratados ressurgem e refazem aquela dor velha, maltrapilha... por que não transformam toda num delicado pingente pro meu colar de lembranças? Juro que cuido melhor, se for assim. Mas me deixa crescer, amadurecer, virar também noutra coisa delicada, pintada de recordações que me decoram pra que eu possa também me pendurar, no ar, flutuar, plainar, voar e ver além, do espaço, bem de longe mesmo, a vida.
Sabe que a culpada, no fim, sou eu, porque cutuco a ferida que é quase uma cicatriz e a faço jorrar de novo. Não sei se pra sentir, não sei se pra lembrar, não sei se pra entender. Cutuco lá no fundo, até que dói. E dói e sangra e choro.
E por que é que choro tanto?