27.6.13

Calada, a menina não cabe
na cela.
Respira.
Cresce em membros tortos,
coluna cravada
e pesos encimando
contra a trave, contra a tela, contra aquela parede.
Chora...
primeiras palavras engasgam, entopem, enganam...
ela...
mas...
sem nome,
em fúria que a move,
vaza entre os trechos vazios...
convidativos...
É ninguém.

Respira...

...é só mais alguém.

(que se cala)

Menina, solta a fera,
ambiciona o que é direito!
Morde e engole o mundo...
cabe no vazio da tua barriga.

8.6.13

Chega
pesado 
ruídos metais guerra gritos
OOOOOO
assobio
pneus asfalto a noite
silêncio.
...
Leva a vida
resto
cacos tralhas
essência...
presença não.
...
Vai sendo o que deixam
pela cidade
numa fossa
sem fim...

[O que tem poesia agora? Exercício: improvável / Explorando fluxo, repertório, pontuação]

6.6.13

Cortando o vento as têmporas
bailando
penso olhos fechados
suspiro
paro a vida em quadros

disseco entranhas

toques

beijos

laços

nós.

E...
é.

[...experimentação, num fluido não sei de onde... é o que respiro agora. Durou de 21h31 a 21h33.]

2.6.13

Dos 10% que, na verdade, são 18%

Essa etiqueta nova está me ajudando a lidar com aquele incômodo que vivo dissecando há cerca de 15 anos - sobre o qual tenho sido o mais clara que posso aqui, nesse espaço, que é público.
(Não é preciso ler)

Breve retorno ao Conto de fadas

[Para relembrar: Parte 1 ]

O desassossego do puro-sangue

Galopando entre espinhos,
avisto a bela criatura.
Nós nos arreios,
pés partidos,
relincho,
saltos
pelo
ar
.
E
vai
voando
sobre o mar,
refletido nas ondas,
distorcido como um sonho.
E quase sem sentido,
cambaleia...
cansa,
cai,
e
f
i
m
.
Estive no calmo olho da fera,
refletida num espelho selvagem,
bebendo à saúde de deuses antigos,
festejando entre seres mágicos e pequeninos,
com um frio escaldante pesando leve em meu seio,
quando ouvi sua voz.

Cresceu um tormento já dantes conhecido,
com três goles de cerveja me despi,
trouxe o mundo sob meu olhar para uma galeria de imagens sóbrias,
queria lhe dizer coisas mais profundas e mansas e breves e lindas,
mas seria preciso dizer que ainda sinto algo que renego.
Não quero.
Não quero mesmo.
Pelo menos era essa minha crença.

Mas a linha livre me trouxe sua voz.
Breve chegaram também seus braços.
Logo, eu estava completamente embebida, pingando seus gestos, suas palavras, seu rosto.
E sua notícia que, não devia, me encheu dum sopro morno,
como quem traz ar para quem se afoga.
Eu estava ali ao seu lado...
numa festa particular, íntima, privada e proibida.

Respirei.
Engoli algumas coisas.
Voltei a mim.
Olhei pro reflexo no espelho:
o cabelo desarrumado, o rosto alegre e vermelho, sonhador...
aquela sou eu... reconheço.

(Então veio a despedida num abraço que poderia ter demorado um pouco mais...
pelo menos.)

(Carrego de novo aquela caixa que aniversaria 15 anos, este ano. Aquela da qual cuidei, por qual me desfiz, que joguei longe, que tentei destruir, que escondi sob um pano, que pensei que me desfiz... mas está diferente. Está bonita e limpa de um jeito que até me animo a guardar.)