Dois rios caudalosos serpenteiam pelo rochedo,
água densa, grossa, pesada, nem quente, nem fria,
que, ao chegar ao penhasco, se joga sem saber onde
em formas quase que maciças, desesperadas.
Dois rios caudalosos que inundam com a cheia fora de época,
mas prevista.
Sobe teu barraco, pro nível acima da primeira ponte, que os rios levam, sobe!
E teu barco, Caronte na vida, navega manso, eu sei... mas cuida...
cuida que a água não amortece no fim da queda, é dura feito pedra.
Mergulha as tuas mãos pra ver que é só água...
só água, só água, só água...
E passa, prum infinito a perder dos teus olhos,
um infinito que é tão perto e tão distante que confunde a tua mente, um pouco fraca.
Mas esquece.
Esquece, que este rio nunca há de secar,
e esquece, pois as águas, mansas ou afobadas, sempre serão novas por seus dedos...
e esquece, porque a sina do barqueiro, cruel, sempre é a tua vida.
[texto em fluxo, sem correção alguma, amanhã falo mais sobre ele]
27.2.14
26.2.14
E mais uma vez...
pego a folha rabiscada, alisada, craquelada pelo tempo e pelas mãos que um dia a tornaram uma pequena bola, com um buraco negro dentro, de tanto espremer, apertar, fincar no próprio peito até lacerar e demarcar a área onde deveria ser plantada, quem sabe nasce um pequeno arbusto, de palavras sem odores, cafés insípidos, abraços sem calor... quem sabe não cresce a erva daninha que mata tudo, e enterra no fundo da alma um sentido que nessa existência deveria ter passado só enterrado, sem respiro, no claustro, sem vida, sem luz, sem ar, sem nada. É o tamanho da folha agora: pequena bola amassada, num punho cerrado que quase sangra a palma desavisada... mas não por não querer se desfazer, e sim pra ter certeza de que ali está se criando o buraco negro.
A bola sobre e desce no ar sem movimento, num paradoxo a se pensar... e a mira é para o cesto. Longe, antes impossível, agora já bem certo no lugar. Era assim, já não é mais, as coisas crescem e mudam de importância.
E então, transpassa silenciosamente, quase numa trilha rarefeita, querendo voltar de tanto atrito... não volta, não! Não vai ter mão pra te apanhar!
Cai no cesto e fim: vira-se a página.
9.2.14
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