Dois rios caudalosos serpenteiam pelo rochedo,
água densa, grossa, pesada, nem quente, nem fria,
que, ao chegar ao penhasco, se joga sem saber onde
em formas quase que maciças, desesperadas.
Dois rios caudalosos que inundam com a cheia fora de época,
mas prevista.
Sobe teu barraco, pro nível acima da primeira ponte, que os rios levam, sobe!
E teu barco, Caronte na vida, navega manso, eu sei... mas cuida...
cuida que a água não amortece no fim da queda, é dura feito pedra.
Mergulha as tuas mãos pra ver que é só água...
só água, só água, só água...
E passa, prum infinito a perder dos teus olhos,
um infinito que é tão perto e tão distante que confunde a tua mente, um pouco fraca.
Mas esquece.
Esquece, que este rio nunca há de secar,
e esquece, pois as águas, mansas ou afobadas, sempre serão novas por seus dedos...
e esquece, porque a sina do barqueiro, cruel, sempre é a tua vida.
[texto em fluxo, sem correção alguma, amanhã falo mais sobre ele]