5.5.13

Entre o acorde e a trilha paradoxal

Num acorde, canto o colo negado, sofro o mundo de inquietações, provocadas pelo monstro de todos os seres: [...] Sinto o fracasso pulsando nas veias e, num sorriso sem graça, torto de repuxado à força daquele bico de choro evitado, sou mais forte.
Respiro e me retiro com a viola d'água pro canto do palco, desmorono por dentro, enquanto observo as existências, instantes.
[...]
Com pesar, digo que há anos não me comovo com opiniões alheias sobre mim, mas é bom que saibam a fim de evitarem esforços desnecessários. Mesmo assim, me chateio. Pro resto do dia. Porque uma medida sem fim de responsabilidades recaiu sobre mim, e agora busco por aquelas que são minhas, só minhas, numa sede bastante egoísta.
Não é nada contra o que você representa, muito menos contra o que você canta... é que eu já nadava numa marola quando me viu - mas você não viu. E enquanto eu lutava pra respirar, porque já nadava há muito tempo e estava cansada, você me jogou mais coisas sobre a cabeça... coisas que não eram só minhas, coisas que me afundaram e me tiraram o fôlego, coisas que me afogaram por ricos instantes em que eu parecia me encontrar no mar... mas foi assim, inesperadamente e na secura de nem uma trilha sonora pra ajudar...

[exercício de fluxo - sem correção, apenas censura - indicada pelo sinal "[...]"]