2.5.13

Uma palavra e...

Não estou negligenciando o blog, é que voltei a escrever noutros lugares... dentre eles, um que me fazia a maior falta: bloco de papel.
Estou escrevendo coisas que ainda não reconheço... quero dizer... são minhas palavras, meu repertório de escolhas e significações e vivências, mas num molde estranho, de um sabor um tanto mais ácido... e isso me faz feliz de um jeito como se eu tivesse reencontrando uma velha companhia...
Além dos blocos de papel (eu escrevo no que estiver à mão), criei uma página para a Murphy, com pretensão de perpetuar a personagem que ela virou quando botei as mãos nela (isto é, aquela longa história que já contei aqui... e, no fundo, também acho que Murphy realmente tem vida... ehehehe)... aqui: https://www.facebook.com/MurphysCauses
Por enquanto, com o tempo que tenho, estou resgatando o projeto de histórias infantis recontadas por ela, e colocando umas fotos aleatórias; na verdade, a intenção é postar coisas essencialmente aleatórias da rotina da Murphy e promover a interação dela com as pessoas: dar voz a ela, pra que ela continue a ser mais do que uma boneca.

Para encerrar esse post, vou deixar alguns dos últimos escritos nos blocos (sem correção):

Corre pequeno o sonho
nascido em fonte indecisa
Fluidez há de jorrar
num dia manso

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Chiado,
Pássaros ao longe,
Tarde em prantos,
Murmúrio,
Corre o mundo lá fora
E dentro imensidão.

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Não te quero mais
não sorriso de canto a canto
num perfeito linguajar
"faço o que quero, desafio-te"
Não me desafies.
Não me testes.
Não tentes domar, prever, segurar...
não sabes o que te esperas,
pronto para te devorar.
[...] [ou: tenho vergonha do resto]

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Desfio que deixa o traço
O fio desentrelaço
Fica o destroço
[essa, pra mim, é uma obra de arte - considerando além da forma, toda a significação contida... que não explicarei, não precisa de explicação]
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Pousa serena
uma radiante nota ao pé da fera
Cega bela curiosa
pequena desvela o véu
Solstício da muda
Da alma vazia
que torna menor
microcosmo num universo
desverso, inverso, sem versos.
[Aumentando para...]
[Assim mesmo: pontuações e palavras. Gosto muito desse porque é muito significativo pra mim, no momento de que estou saindo]

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Entre tantas ondas que arrebentam n'areia,
você notou aquela feia, torta que tinha tudo para ter dó de si mesma,
e veio forte, altiva, lhe arrancando um tanto de palmas pelo espetáculo.
Era de graça.
Sempre foi de graça.

Antes você não sabia como dizer, como se comportar, como viver.
Queria pagar pelo que não tinha preço,
mas numa troca sem noção de valores e justiça.
Não estava à venda.
Então pensou que havia comprado um serviço,
querendo usufruir, cobrando por usufruir algo que era livre.

O mar calmou, calou... alô?
Então você veio num toque sereno, mas firme, e singelo, mas cheio de significações.
Veio desculpar-se com um genuíno respeito...
Passou dias beijando o mar, paciente por seu despertar...
Dançou com as ondas, viveu um menino de verdade,
sentindo suas roupas úmidas e frias...

Enfim, você voltou para a costa, adentrou a cidade e sumiu.
Sumiu, calou-se, vingou-se?
O mar continuou...
em ondas que arrebentam n'areia.