11.4.13

Réquiem para Helena num poema para despedir-se

Partindo, despediu-se,
aninhou-se nos braços de todos:
beijos molhados, risos escancarados...
(Geral daqui do céu esperando...
era a boa hora!)
No profundo braço celeste,
reina uma criança serelepe agora.
Cachos dourados, sorriso maroto
pula, gira, brinca, na levada,
cantando seu coração,
pela Aurora agraciada.
Não cansa, não,
dura eternidade,
e ainda zela pelas pequenas terrenas,
lhes dando coragem: coragem!
















Olho para as sombras e me chateio,
quero um longo abraço e um cheiro...
desabo, mas não se incomode,
choro pelos que vão e pelos que ficam...
choro sempre em despedidas...
em desencontros e reencontros...
choro porque é bom chorar...
e por ti tenho um amor tão grande,
que este vazio em meu peito, em que tenho apenas ausências,
é doído,
é gigante,
é pulsante,
e ainda é um lugar.

Mas, numa prece em que me mantenho,
crendo que tudo o que existe é apenas uma e única coisa,
juro que não sofro por injustiça, só de Saudade.


[Minha tia-avó, como uma avó pra mim, partiu na terça-feira. O mundo já estava meio cinza desde o domingo... e, quando soube, por mais que fosse esperado que ela partisse em breve, foi um baque, um baque maior do que eu conseguia suportar. Então desabei... desabei até verter tudo o que estava segurando... e somente agora consigo encarar e me sentir um pouco melhor... somente agora me permito deliciar a saudade... dela e das outras duas que eu também gostava tanto... então penso na única menina que restou... minha avó-avó, como uma mãe pra mim, e daí que eu choro compulsivamente só de pensar no dia em que ela resolver partir também... mas... ninguém fica eterno nessa matéria, eu sei bem e sou desprendida disso totalmente]
[faz sentido? não penso nisso, só escrevo]