27.7.10

Soneto simples

Numa floresta quente e escura,
onde música alguma ecoa,
onde esconde-se negra criatura,
avista-se uma boa pessoa:

Vai a moça branca, tão pura,
sussurrando antiga canção,
embora trêmula, como uma jura,
mas sem dar-se por a Muda, então...

Em tiras miúdas, sem cura,
deslumbrada, mas não ressentida,
calada, vê seu vestido no chão.

A vagar por terras sombrias,
de tecido luzente vestida
e uma nova flauta negra na mão.





[estudo em grafite, numa sulfite rosa, mas com falta de rigidez na métrica e nas rimas - poderiam ser versos exatamente do mesmo tamanho e com rimas podres de ricas, mas é que gostei tanto dele... embora isso não justifique.]