27.5.10

Exatamente

A minha vontade era de urrar os sentidos mais cavernosos, tirar tudo de dentro dessa caixa bizarra que venho montando desde que aprendi a colecionar.
Tirar, limpar, jogar um monte de coisa fora, escancarar todas as tampas para que as pessoas vejam e se sintam tão horrorizadas quanto eu.
Não sei por qual razão inventei e atribui todas as responsabilidades dos fatos a mim mesma. Como se eu fosse uma coisa onisciente, onipresente, onipotente.
Eu sou um pouco mais que nada. E só.
Sou eu. E basta.
Mas ainda tenho a vontade. Urge tirar tudo. Tudo, tudinho.
Não porque precisava me reestruturar porque estou me sentindo oh uma coitada, como havia sido a minha vida toda até uns tempos atrás até que aprendi a desobrigar-me do que não me pertence, mas porque eu queria renovar, parar com essa pressão gigante de quem ainda acha que sou eu quem devo algo, de parar de deixar crescer em mim essa responsabilidade também.
Eu não devo NADA.



CARALHO. Embora essa palavra não exista no meu dicionário.