15.8.10

Estribar

Com o jogo resolvido, fiquei curiosa pela próxima palavra, e qual não foi a minha surpresa?


es.tri.bar v.t.d., int. e pron. 1 firmar(-se) nos estribos ñ t.d.i. e pron. 2 (prep. em) ter como fundamento; basear(-se)


Esta palavra combina com o meu sentimento de hoje, exatamente.

Jogo do dicionário finalmente resolvido:

Juglandácea

Noz
no biscoito
de leite:
um sonho.



[o máximo da minha sublimação e o máximo que a metáfora me permite alcançar agora; poemeto achado repentinamente: um achado! E não se esqueçam: as palavras são minhas amigas. Próxima palavra!]

Teorizações que sucederam a uma ilustração de um conceito qualquer

Antes de mais retratações a respeito do jogo do dicionário, eu gostaria de fazer uns comentários sobre uma coisa que me incomoda (mesmo que ninguém vá ler).
O caso que me perturbou e que não convém ser esclarecido ainda não saiu da minha cabeça; eu não pude fazer estes questionamentos durante o problema, porque eles não cabiam para o momento, mas eu não posso segurá-los mais: quem as pessoas pensam que são quando dizem quem são? Quem elas estão enganando? Quem é capaz, REALMENTE, de considerar que existe certo e errado? Será que elas não percebem que o que existe é o que convém? Quem elas acham que estão se tornando sendo que para elas a mudança não faz parte do que são? Como podem ignorar a conveniência quando admitem a existência de múltiplos conceitos "auto-excludentes" (para elas) dentro de suas considerações? Como podem querer discutir METAFÍSICA se ignoram o que está além da superfície? Como podem ser tão mais medíocres, teorizando algo que está além do alcance da compreensão e estabelecendo critérios de conveniência para um pseudogrupo que deverá se expandir para a humanidade? COMO? COMO? COMO?

12.8.10

Um pouco de...


...às vezes cai bem.

1ª Tentativa de retratação

E
era
uma vez
uma bruxa
com casca em vez de coração.
No oco da casca,
a princípio,
só o oco.
(Sufoco
era o vazio
que preenchia)

Daí veio um fruto seboso,
intrometido,
um tumor crescendo bem ali naquela casca.
E cresceu tanto que brotou.
E o broto vingou que saiu pela boca.
Cresceu.
Cresceu.
Cresceu ainda mais que era mais árvore que bruxa.
E da árvore caiam outras cascas
que, com a queda, partiam-se
e alimentavam a todos.

Fim.


[Escrito sem pensar; um texto vergonhoso que durou cerca de 8 minutos, mas que, sei lá por qual motivo, achei que valia o registro.]

11.8.10

Juglandácea [a ideia do jogo do dicionário]

Cultivei, num pequeno buraco, uma semente. Tão dura, tão seca, tão áspera, tão feia era, que expectativas não brotavam. Ao mesmo tempo, cultivei, no abismo do tempo, uma expectativa. Tão grande, tão vistosa, tão forte, tão... que a espera era dolorosa. O final clichê da mensagem: a semente brotou, cresceu, sem alarde. A expectativa minguou rapidamente na queda. Agora o poema em construção:


Me joguei,
esperando alcançar a sublime essência celestial.
Doloroso foi chegar ao terreno seco.

Dias longos arrastaram-se sem piedade sobre a minha carcaça,
e o vento cobriu-me com um manto poeirento.
Adormeci sem sonhos.

Então, brotei
[...]

ju.glan.dá.cea s.f. BOT espécime das juglandáceas, família de árvores e arbustos aromáticos, cultivados como ornamentais, pela madeira e por seus frutos com sementes comestíveis, como a noz e a pecã ~juglandáceo adj [míni Houaiss]

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Jogo do dicionário é para gente entediada. Abre-se o dicionário numa página qualquer e um verbete aleatório vira tema. Daí, a pessoa entediada tem uns dias pra refletir, encontrar uma figura poética e escrever alguma coisa que seja boa ou inteligente. Acontece que eu tô querendo trapacear e escolher outra palavra aleatória. Mas trapaça não é uma coisa muito bonita e nem muito construtora da personalidade consistente que tanto almejo.
Foi assim: peguei a palavra, não tive ideia do que fazer com ela; mal pensei e cheguei num clichê daqueles bem batidos; fiquei com preguiça e larguei o jogo pela metade. Entretanto, isto virou uma questão de honra. Resolvi postar essa coisa para me obrigar a pensar em outra coisa melhor.
[E, sim. É questão da monografia também.]
Pra salvar este post, vou dizer a metáfora perfeita mais linda de hoje, que merece muito mais que uns tweets.

Onde eu trabalho, eu tenho o maior prazer do mundo. E eu tenho a sorte de ouvir coisas maravilhosas das crianças. Coisas que eles dizem sem medo, sem procurar por recompensas, sem achar que dizem besteiras.
O meu maior defeito é não registrar. Eu sou bem hedonista mesmo, curto o momento, me delicio, preservo um pouco na memória e daí, fico sempre a espera do próximo momento.
Conversando com a estagiária hoje, contei dos meus projetos deste ano e disse da minha preocupação em trabalhar a linguagem. (eu acredito sinceramente que quem sabe se expressar, se comunicar com eficiência, é a pessoa mais feliz e bem vista no mundo) Mas também falei deste meu defeito em não registrar as coisas que acontecem.
Cheguei em casa com a conversa na cabeça e conclui que eu vou trabalhar isto (rsrs...).

Hoje eu tive o prazer de ouvir de uma das crianças da minha turma a coisa mais linda.
Pra explicar mais ou menos de onde veio, a base histórica da coisa, rs...: estamos estudando botânica estes dias. E eu encontrei um livro muito legal, lá na estante da biblioteca, sobre plantio; com dicas para cultivar as mais variadas sementes, bulbos e mudas.
Daí, levei o livro para eles e propus uns dias para plantarmos algumas daquelas coisas (feijão, amaryllis e mudas de árvores para recuperar o jardim que foi destruído com a reforma da escola).
Noutro dia, levei os bulbos para que eles pudessem ver que a figura do livro era de verdade mesmo e que a gente ia mesmo plantar. Este dia foi praticamente um milagre: sem ter o que fazer (reforma, chuva e muitas crianças entediadas com a semana longa) sentei com eles e ficamos durante quase 2h conversando sobre o assunto. Contei sobre o plantio e comparei o crescimento das plantas ao crescimento da gente.
Hoje, durante o almoço, a fruta servida foi mexerica. Disse, sem dar conta, para prestarem atenção aos caroços. E seguiu isso:

"T: PRÔ, PRÔ!!! EU TIVE UMA IDEIA!!!
Eu: Que ideia você teve, Thalles?
T: O caroço da mexerica é uma semente, não é?
Eu: Isso mesmo! O caroço é uma semente. Muito bem!
T: Então a gente pode plantar, não é?
Eu: Sim, a gente pode plantar. [aqui eu já estava muito feliz]
T: E que tal se a gente plantar?
Eu: Mas que ideia boa você teve! Vamos fazer assim então: separa as suas sementes aí que eu vou contar a sua ideia para os seus amigos e pedir para que eles as separem também, tá?"

Passei de mesa em mesa e contei para as crianças a ideia e elas ficaram MUITO empolgadas! Corri até à secretaria, peguei um saquinho para que eles colocassem as sementes dentro e quando voltei foi que aconteceu. O Thalles estava abrindo todos os gomos da mexerica e separando as sementes, rsrs... e daí, quando ele me viu, disse:

"PRÔ! OLHA, PRÔ, QUE LEGAL! Os bebês sementes estão saindo de dentro do ovo laranja! AI QUE LINDO!"

E eu só queria ter filmado pra guardar isso melhor na minha memória. A carinha dele estava ótima, os olhinhos brilhando e, todo melecado com o suco a mexerica, ele sorria e repetia a metáfora: Esse ovo laranja é lindo, e os bebês também!

(Então cheguei em casa e minha mente preocupada com a criação de metáforas perfeitas não conseguiu estudar a botânica de uma mera Juglandácea. Acho que vou pedir socorro ao meu querido aluno, rsrs...)

10.8.10

Mar teu (pra quem já leu a mensagem)

Quis velejar e
naufraguei,
mas me acostumei às águas,
justas em mim,
e à maré:
modelando,
embalando,
carregando
este veleiro que vai firme ao seu fim...
ir...
ir...
ir.

3.8.10

Poemetos geniais II [de ontem - Sobre peixes]

Peixolhos, desta vez invadem a tela do paintbrush.


Poema Ímpar

Dois peixes num aquário a olhar

os peixes d’outro aquário a brilhar;

Dois peixes e dois peixes, em par.


.oOºOo.


Poema para montar

Então se vê:

Nadando a esmo,

d’um aquário,

na cidade,

os peixes

não vêem.


.oOºOo.


Lembrete sobre a rachadura do aquário

E vede o vão

d’onde esvai

a vida,

viu?


.oOºOo.


Poemolhado

Num mar de olhos,

Tudo quer ser (m)olhado.




[Todos rascunhados numa sulfite rosa, à bic laranja; rabiscados, referenciados por várias setas, com desenhos estranhos ao lado, metrificados... mas não passam de uma tentativa de extração de imagens a partir de uma imagem que persiste entre meus desenhos: PEIXOLHOS.]

Poemetos "geniais" I [de ontem - Reflexões acerca duns fatos]

Poema da Misericórdia


Deus faz gente estranha,

com o coração cheio de miséria.


- + -


Poema Cristão


Rezava direito,

Andava direito,

Falava direito,

Mas escrevia com a esquerda.



[rabiscados após percebem caricaturas cotidianas, bizarras, e achar que davam um bom assunto em versos. Bobagem. Numa folha rosa, à caneta laranja]

2.8.10

Poemeto da adaptação

Frio que corre o espinhaço
freme as mãos e os lábios,
freezer instantâneo.

Labiosa, labiríntica...
neste frasco lábil,
pouco tremo.




[estudo direto: tradução do tempo e da figura, com um pouco de sensação]

29.7.10

Estudos

...1.....2^..3.....4......5....6.....7.....8...X

Bon/s a/res/ vêm/ de/ lon/ge,/ de/le.....A

........^.............................^......8

Ma/s a/ mi/nha/ de/lí/cia, a/go/ra,.....B

......................................^......8

é,/ só,/ a/que/le/ tan/go ar/den/te,.....C

...............^.............................8

[sen/ti/do, e/ ur/gen/te,/ na/ pe/le...]...A

....................^.......................8

en/rus/ti/do em/ tri/lha/ so/no/ra,.....B

........^......................^...............8

so/b um/ som/ do/ce e/ so/rri/den/te....C




[estudo em folha do word :D Sou dos versos brancos, não me metrifique!]

27.7.10

Soneto simples

Numa floresta quente e escura,
onde música alguma ecoa,
onde esconde-se negra criatura,
avista-se uma boa pessoa:

Vai a moça branca, tão pura,
sussurrando antiga canção,
embora trêmula, como uma jura,
mas sem dar-se por a Muda, então...

Em tiras miúdas, sem cura,
deslumbrada, mas não ressentida,
calada, vê seu vestido no chão.

A vagar por terras sombrias,
de tecido luzente vestida
e uma nova flauta negra na mão.





[estudo em grafite, numa sulfite rosa, mas com falta de rigidez na métrica e nas rimas - poderiam ser versos exatamente do mesmo tamanho e com rimas podres de ricas, mas é que gostei tanto dele... embora isso não justifique.]

26.7.10

Sublimação

Metáfora maior é esta que sinto.

[Como... arde como... arde...]

Só me sobram as dores,
deliciosas dores...
o resto voou.





[pseudo-poema e direto, ao blog e ao ponto. Fresquinho.]

23.7.10

Novo corte

Uma pessoa estranha
a falar coisas estranhas...

Quem é?

O corte descerrou:
desabrochou depois da poda.


[De hoje, à caneta bic rosa, numa folha de sulfite colocada às pressas dentro da bolsa. No trabalho, escrevendo ao acaso, sentada num cantinho perto da porta e esperando a hora de voltar pra casa. Adoro folhas à mão na hora do aperto.]

22.7.10

O que mudei, não sei...

mas mudei.

E me peguei num trecho de uma carta pra uma amiga muito querida:

"Ai, maninha... que coisa engraçada é viver, passar os minutos e de repente perceber que um pedaço ficou pra trás... mas que... perder os pedaços é crescer, não é diminuir. Como é que dói muito quando isso começa e que depois se torna um vício, o que vira dor é não mudar..."

Eu, perdida no mundo de mim. Em todas as instâncias desta afirmação.

18.7.10

Pensamentos alheios

Estava me preparando para uma narrativa delicada; um discurso tênue que quase sumiria perante os traços delineados dos acontecimentos de hoje.
Fui a uma festa de aniversário.
Se você que está lendo já vislumbrou o que vem a seguir e decidiu parar de ler agora, tenha calma, garanto que este não é mais um momento de elucubração. Eu teria muito pouco tempo para resgatar a poesia de qualquer coisa que fosse seriamente pensada no momento da festa. Teria trabalho para diluir as camadas penosas, pesadas, de pensamentos firmemente tecidos, magicamente entrelaçados, para então separá-las e pensar num valor qualquer que lhes coubesse como luva e, finalmente, quase certamente, decidir o que seria mais interessante e mais bonito de pôr em dança com as palavras.

Daí que fui à festa do primeiro aniversário do primeiro filho de um primo meu que quase foi o primeiro de todos nós.
Entretanto, o fato é que nunca me senti tão outra quanto hoje entre meus parentes. Nunca me senti tão alheia, tão distante, tão rastro, tão poeira, tão mínima, tão... E não imagino de onde possa ter surgido tal sensação - atreveria-me a pensar que possa ser do novo corte de cabelo, mas não é.
Daí... e daí que fugiu o resto de mim ali no meio de todos...; uma coisa sem limites: sem forma, sem hora... era o que eu era até escapar o resto, mas agora...?
Por fim, alguém me diz que eu não estava comum nem a mim mesma, constatando ("Por que está triste?") com muita segurança; eu, decidindo querer mesmo escapar dali, pensei que aconteceu mais uma mudança verdadeira.
O eu distante me acenou, lá na festa, e o eu mais próximo continuou a caminhar... para onde eu nem faço questão mais de saber ou adivinhar.


O abismo que se abriu entre mins está aí para ser desvendado - e agora pouco me importa se há caminhos para defini-lo e compreendê-lo. Agora não, pelo menos.

3.7.10

Da Sombra

Estou numa
letargia de sentidos.
E é assim que é quando
se sente tantas coisas, mas
também quando se sente
apenas uma
desesperadamente
enlouquecedoramente
dolorosamente.




Ironia do Paradoxo

Uma subsequência
de ser no máximo ralé:
sentir mínima em tudo
e constatar a incapacidade.

Mas meu desejo é um, o melhor,
o direito...
E por que, meu deus, sempre entorto?
Sempre estou do outro lado de onde deveria estar?
Sempre vejo ao contrário?
Sempre estou tão aquém que,
mesmo pra mim mesma e de mim mesma,
me perco.

É isso ser escória?
Ou é ser tão torta, que até o torto perde o sentido?






[à caneta de ponta fina, marinho; enviesado numa folha de sulfite branca, desenhada, presa numa prancheta, num canto do meu quarto]

25.6.10

Dos poemas avulsos e recentes

Sem ruídos

Na folha branca
encaro minha sorte:
palavras soltas,
caçadas, encaixadas,
modeladas...
num vão vão.
Não são minhas
(por vezes até são)
são ruídos de fora.
Tento escrever, surda.
(...)

E a folha ri:
Sem ruídos?
Impossível.
Muda.

[à caneta de ponta fina e tinta verde numa folha de sulfite num canto qualquer do meu quarto]


Iniciei uma jornada sabendo onde chegaria. Tracei meus objetivos e trabalhei para concretizá-los, orientando-me com um esboço de mapa. Andei e andei tanto que perdi o propósito da jornada. Parecia andar em círculos. Perdida e frustrada, olhei o mapa e os caminhos, culpei as ferramentas e passei um longo tempo tentando compreendê-las, sem sair do lugar. Quando resolvi andar novamente, o tempo era outro e eu era outra: o meu objetivo era a jornada e o propósito era saber a razão de realizá-la. Aconteceu algo... o que foi?

[de um dos cadernos, um amarelado, com um título antigo para uma ideia que viraria um livro, certeza.]

24.6.10



Daí que bateu aquela tristezinha que bate sempre, aquela que me anuncia a vontade de mudar, de rever, de compreender, de aglomerar, de viver mais e melhor. Minha cebola me pegou de jeito com esta rotina à qual me obrigo a me adaptar... mas eu não vou. Não vou mesmo entrar nesta onda que é de mutilação, de medo, de insegurança... Eu vou mudar e vou crescer, com licença poética, etc e tudo mais do gênero.
Entretanto, paro por aqui com as palavras, porque devo ter muito cuidado com elas, devo tratá-las muito bem e não ser verborrágica como venho sendo ultimamente em outros lugares por aí. [e eu quero muito isto... trazer coisas bonitas e bem tratadas para cá]