3.8.10

Poemetos geniais II [de ontem - Sobre peixes]

Peixolhos, desta vez invadem a tela do paintbrush.


Poema Ímpar

Dois peixes num aquário a olhar

os peixes d’outro aquário a brilhar;

Dois peixes e dois peixes, em par.


.oOºOo.


Poema para montar

Então se vê:

Nadando a esmo,

d’um aquário,

na cidade,

os peixes

não vêem.


.oOºOo.


Lembrete sobre a rachadura do aquário

E vede o vão

d’onde esvai

a vida,

viu?


.oOºOo.


Poemolhado

Num mar de olhos,

Tudo quer ser (m)olhado.




[Todos rascunhados numa sulfite rosa, à bic laranja; rabiscados, referenciados por várias setas, com desenhos estranhos ao lado, metrificados... mas não passam de uma tentativa de extração de imagens a partir de uma imagem que persiste entre meus desenhos: PEIXOLHOS.]

Poemetos "geniais" I [de ontem - Reflexões acerca duns fatos]

Poema da Misericórdia


Deus faz gente estranha,

com o coração cheio de miséria.


- + -


Poema Cristão


Rezava direito,

Andava direito,

Falava direito,

Mas escrevia com a esquerda.



[rabiscados após percebem caricaturas cotidianas, bizarras, e achar que davam um bom assunto em versos. Bobagem. Numa folha rosa, à caneta laranja]

2.8.10

Poemeto da adaptação

Frio que corre o espinhaço
freme as mãos e os lábios,
freezer instantâneo.

Labiosa, labiríntica...
neste frasco lábil,
pouco tremo.




[estudo direto: tradução do tempo e da figura, com um pouco de sensação]

29.7.10

Estudos

...1.....2^..3.....4......5....6.....7.....8...X

Bon/s a/res/ vêm/ de/ lon/ge,/ de/le.....A

........^.............................^......8

Ma/s a/ mi/nha/ de/lí/cia, a/go/ra,.....B

......................................^......8

é,/ só,/ a/que/le/ tan/go ar/den/te,.....C

...............^.............................8

[sen/ti/do, e/ ur/gen/te,/ na/ pe/le...]...A

....................^.......................8

en/rus/ti/do em/ tri/lha/ so/no/ra,.....B

........^......................^...............8

so/b um/ som/ do/ce e/ so/rri/den/te....C




[estudo em folha do word :D Sou dos versos brancos, não me metrifique!]

27.7.10

Soneto simples

Numa floresta quente e escura,
onde música alguma ecoa,
onde esconde-se negra criatura,
avista-se uma boa pessoa:

Vai a moça branca, tão pura,
sussurrando antiga canção,
embora trêmula, como uma jura,
mas sem dar-se por a Muda, então...

Em tiras miúdas, sem cura,
deslumbrada, mas não ressentida,
calada, vê seu vestido no chão.

A vagar por terras sombrias,
de tecido luzente vestida
e uma nova flauta negra na mão.





[estudo em grafite, numa sulfite rosa, mas com falta de rigidez na métrica e nas rimas - poderiam ser versos exatamente do mesmo tamanho e com rimas podres de ricas, mas é que gostei tanto dele... embora isso não justifique.]

26.7.10

Sublimação

Metáfora maior é esta que sinto.

[Como... arde como... arde...]

Só me sobram as dores,
deliciosas dores...
o resto voou.





[pseudo-poema e direto, ao blog e ao ponto. Fresquinho.]

23.7.10

Novo corte

Uma pessoa estranha
a falar coisas estranhas...

Quem é?

O corte descerrou:
desabrochou depois da poda.


[De hoje, à caneta bic rosa, numa folha de sulfite colocada às pressas dentro da bolsa. No trabalho, escrevendo ao acaso, sentada num cantinho perto da porta e esperando a hora de voltar pra casa. Adoro folhas à mão na hora do aperto.]

22.7.10

O que mudei, não sei...

mas mudei.

E me peguei num trecho de uma carta pra uma amiga muito querida:

"Ai, maninha... que coisa engraçada é viver, passar os minutos e de repente perceber que um pedaço ficou pra trás... mas que... perder os pedaços é crescer, não é diminuir. Como é que dói muito quando isso começa e que depois se torna um vício, o que vira dor é não mudar..."

Eu, perdida no mundo de mim. Em todas as instâncias desta afirmação.

18.7.10

Pensamentos alheios

Estava me preparando para uma narrativa delicada; um discurso tênue que quase sumiria perante os traços delineados dos acontecimentos de hoje.
Fui a uma festa de aniversário.
Se você que está lendo já vislumbrou o que vem a seguir e decidiu parar de ler agora, tenha calma, garanto que este não é mais um momento de elucubração. Eu teria muito pouco tempo para resgatar a poesia de qualquer coisa que fosse seriamente pensada no momento da festa. Teria trabalho para diluir as camadas penosas, pesadas, de pensamentos firmemente tecidos, magicamente entrelaçados, para então separá-las e pensar num valor qualquer que lhes coubesse como luva e, finalmente, quase certamente, decidir o que seria mais interessante e mais bonito de pôr em dança com as palavras.

Daí que fui à festa do primeiro aniversário do primeiro filho de um primo meu que quase foi o primeiro de todos nós.
Entretanto, o fato é que nunca me senti tão outra quanto hoje entre meus parentes. Nunca me senti tão alheia, tão distante, tão rastro, tão poeira, tão mínima, tão... E não imagino de onde possa ter surgido tal sensação - atreveria-me a pensar que possa ser do novo corte de cabelo, mas não é.
Daí... e daí que fugiu o resto de mim ali no meio de todos...; uma coisa sem limites: sem forma, sem hora... era o que eu era até escapar o resto, mas agora...?
Por fim, alguém me diz que eu não estava comum nem a mim mesma, constatando ("Por que está triste?") com muita segurança; eu, decidindo querer mesmo escapar dali, pensei que aconteceu mais uma mudança verdadeira.
O eu distante me acenou, lá na festa, e o eu mais próximo continuou a caminhar... para onde eu nem faço questão mais de saber ou adivinhar.


O abismo que se abriu entre mins está aí para ser desvendado - e agora pouco me importa se há caminhos para defini-lo e compreendê-lo. Agora não, pelo menos.

3.7.10

Da Sombra

Estou numa
letargia de sentidos.
E é assim que é quando
se sente tantas coisas, mas
também quando se sente
apenas uma
desesperadamente
enlouquecedoramente
dolorosamente.




Ironia do Paradoxo

Uma subsequência
de ser no máximo ralé:
sentir mínima em tudo
e constatar a incapacidade.

Mas meu desejo é um, o melhor,
o direito...
E por que, meu deus, sempre entorto?
Sempre estou do outro lado de onde deveria estar?
Sempre vejo ao contrário?
Sempre estou tão aquém que,
mesmo pra mim mesma e de mim mesma,
me perco.

É isso ser escória?
Ou é ser tão torta, que até o torto perde o sentido?






[à caneta de ponta fina, marinho; enviesado numa folha de sulfite branca, desenhada, presa numa prancheta, num canto do meu quarto]

25.6.10

Dos poemas avulsos e recentes

Sem ruídos

Na folha branca
encaro minha sorte:
palavras soltas,
caçadas, encaixadas,
modeladas...
num vão vão.
Não são minhas
(por vezes até são)
são ruídos de fora.
Tento escrever, surda.
(...)

E a folha ri:
Sem ruídos?
Impossível.
Muda.

[à caneta de ponta fina e tinta verde numa folha de sulfite num canto qualquer do meu quarto]


Iniciei uma jornada sabendo onde chegaria. Tracei meus objetivos e trabalhei para concretizá-los, orientando-me com um esboço de mapa. Andei e andei tanto que perdi o propósito da jornada. Parecia andar em círculos. Perdida e frustrada, olhei o mapa e os caminhos, culpei as ferramentas e passei um longo tempo tentando compreendê-las, sem sair do lugar. Quando resolvi andar novamente, o tempo era outro e eu era outra: o meu objetivo era a jornada e o propósito era saber a razão de realizá-la. Aconteceu algo... o que foi?

[de um dos cadernos, um amarelado, com um título antigo para uma ideia que viraria um livro, certeza.]

24.6.10



Daí que bateu aquela tristezinha que bate sempre, aquela que me anuncia a vontade de mudar, de rever, de compreender, de aglomerar, de viver mais e melhor. Minha cebola me pegou de jeito com esta rotina à qual me obrigo a me adaptar... mas eu não vou. Não vou mesmo entrar nesta onda que é de mutilação, de medo, de insegurança... Eu vou mudar e vou crescer, com licença poética, etc e tudo mais do gênero.
Entretanto, paro por aqui com as palavras, porque devo ter muito cuidado com elas, devo tratá-las muito bem e não ser verborrágica como venho sendo ultimamente em outros lugares por aí. [e eu quero muito isto... trazer coisas bonitas e bem tratadas para cá]

30.5.10

Girafas com complexo










Não é fixação por girafas. São algumas das minhas contribuições prum site que adoro, aquele com um prazo pra conseguir 1.000.000 de girafas feitas pelos visitantes/contribuidores sem auxílio de tecnologia.
Meu scanner quebrou, então não dá pra ler as coisas escritas porque as fotos estão horrorosas.


Tão verdadeiro... e velho.

Recado

Oi...? Você não me respondeu, e sei que eu já devia ter tirado aqueles sonhos da minha cabeça, mas acontece que eu ainda não terminei de dizer tudo o que queria lhe dizer.
Eu cresci.
Já estou bem mais madura do que era quando me conheceu, um pouco mais consciente também. É isso que o tempo e a vida fazem com a gente quando damos atenção a eles.
Eu cresci mesmo.
Já não tenho mais medo, aquele medo bobo que eu tinha quando você quis realmente me conhecer. E estou bem mais disponível do que estava antes.
Mas cresci muito mesmo.
E eu não posso imaginar até que ponto isto é bom ou ruim para lhe dizer. Na verdade, é só para justificar a minha pergunta: você cresceu também?

27.5.10

Exatamente

A minha vontade era de urrar os sentidos mais cavernosos, tirar tudo de dentro dessa caixa bizarra que venho montando desde que aprendi a colecionar.
Tirar, limpar, jogar um monte de coisa fora, escancarar todas as tampas para que as pessoas vejam e se sintam tão horrorizadas quanto eu.
Não sei por qual razão inventei e atribui todas as responsabilidades dos fatos a mim mesma. Como se eu fosse uma coisa onisciente, onipresente, onipotente.
Eu sou um pouco mais que nada. E só.
Sou eu. E basta.
Mas ainda tenho a vontade. Urge tirar tudo. Tudo, tudinho.
Não porque precisava me reestruturar porque estou me sentindo oh uma coitada, como havia sido a minha vida toda até uns tempos atrás até que aprendi a desobrigar-me do que não me pertence, mas porque eu queria renovar, parar com essa pressão gigante de quem ainda acha que sou eu quem devo algo, de parar de deixar crescer em mim essa responsabilidade também.
Eu não devo NADA.



CARALHO. Embora essa palavra não exista no meu dicionário.

19.5.10

Todo amor...

Hoje uma amiga no trabalho falava sobre o amor que sentia pelo filho. Um amor que, de tanto amor, doía.
Todo amor doi.
(...)

Este diário está se tornando uma verdadeira coleção de desculpas para a falta do que escrever. O que acontece é que as reais desculpas são estas:

- eu realmente não tenho que escrever;
- sabotagem: tenho o que escrever, mas procuro não escrever;
- até escrevo, mas acho horrível e apago tudo;
- escrevo, mas em códigos para que ninguém entenda o que eu quis dizer;
- ou estou realmente animada e quero escrever, estou confiante e serei clara o suficiente para que o texto não pareça um elo perdido e... ou o blog não funciona (como hoje) e a vontade passa, ou a internet não funciona e eu escrevo em outro lugar, de preferência junto com os textos que ninguém lerá (e fico pensando se isto não é, também, alguma sabotagem);

Mas o que eu quero dizer é que eu ia escrever sobre o assunto ali do começo, ia escrever uma constatação que me doeu, mas eu perdi todas as palavras e ficou só a sensação.
E traduzir a sensação é um trabalho... exigente.

Talvez eu escreva.

10.5.10

Protótipo para frustrações

Achei que nunca conseguiria chegar a um consenso.
Queria dormir, mas fiquei acordada... as pessoas apareciam para conversar, e, quando se desconectavam, outras as substituiam.
(Engrenei num assunto, mas não havia o que ser dito. Conversando sobre narcóticos, tive a ideia de escrever um conto muito bom.)
Daí quis ficar acordada, mas fui dormir... estava quase na hora de ir trabalhar e eu precisava descansar um pouco, ao menos.
(Deixei de escrever quando havia o que ser escrito. Então perdi tudo. E fiquei frustrada porque seja lá o que viesse... nunca seria tão bom quanto o que seria antes.)
Entretanto, concluí. Concluí que não importa mais.