3.1.11

20/06/2006

Na verdade, estava relendo mesmo o meu diário e descobrindo todo o histórico deste que escrevo agora. Eu ia retirar uns trechos sobre a cebola, de como tudo começou... mas são tantas coisas que... nem sei por onde começar.
Ia ser interessante fazer este paralelo... para eu lembrar.
Daí achei esse textinho tão singelo, que resolvi colocar aqui, assim, sem editar também:

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Nada não


Bem… nada como um dia após o outro… um momento após o outro… um segundo após o outro…

Agora estou prestando atenção no ar que sai e no ar que entra… o ar que entra, entra com muito mais força que o ar que sai, como se fosse preciso muito esforço para que ele subisse e entrasse no meu corpo. Ou como se eu estrivesse determinada em puxá-lo. O que sai, por sua vez, parece inibido ou receoso de juntar-se com o de fora.

É engraçado como é paradoxal com o que estou sentindo agora. Muito mais soltando que absorvendo.

Mas talvez seja da minha natureza… ou talvez seja costume.

Engraçado, engraçado.

Acho que vou aproveitar, reler aquele diário e republicar algumas coisas... ou reescrevê-las, bateu uma dorzinha... que não consigo descrever agora.

Do diário

Eu estava querendo uma coisa antiga que havia escrito, mas não lembrava onde estava... por fim, fui mexer no diário (aquele, o espaço em que só eu posso mexer, mas que nem mesmo lá eu conto tudo pra mim mesma) e encontrei o que queria.
Por alguma razão, talvez uma resposta para uma prima muito querida (que queria saber o que era crescer) vou colar aqui o meu primeiro estranhamento (que só ela entenderá, já que o motivo é o mesmo).
Para os outros, se é que há outros além de mim, talvez não caia muito bem, já que não é propriamente algo trabalhado para ser exposto aqui.
(de 2005 e 2006 - sem edição neste diário/caderno de estudo que é público)

(atualiz.:e olha a metáfora do oceano ali... nem havia visto! eheheh//fui mexer nesse diário porque precisava migrar pro wordpress, parece... será que ficou público? #medo)

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Máquina do Tempo – O estranho olhar que meu avô tem ao tocar uma moda de viola em seu bom e velho violão

Estava sentada sobre a bacia de louça, com um caderno nos joelhos e uma caneta que rodava entre as minhas mãos. Todo o resto dormia, exceto a rua lá fora, onde os carros passavam distribuindo sons e luzes. A porta sanfonada do recinto estava aberta e um corpo com barulhos de sono se fazia presente no cômodo ao lado. A luz era tão amarelada, que fazia com que o toillet onde me encontrava viajasse no tempo.

Para o passado! Não há nada que a gente sinta mais falta que das coisas que já se passaram. Para o passado! Que é tão bem representado com fotos dessa coloração já citada.

Difícil é explicar o que eu sentia… senti como se o cubículo azulejado onde eu estava de repente parasse de contar o tempo. Senti-me como se estivesse presa num álbum de retratos. E, por um longo momento, senti-me inexistente. Nem os roncos dos carros da rua, nem os do corpo do cômodo ao lado ilustravam-se mais. Então vieram os apertos no peito e a tristeza profunda, uma nostalgia que veio sem ser chamada.

Contemplei a menina de vestido rodado que passava dançando, enquanto os ouvidos da minha memória escutavam o som de uma música caipira que estava sendo tocada no violão de um senhor de cabelos, barba e bigode negros. Outra menina acabava de chegar e, dando as mãos com a dançarina, esboçava passos nunca imaginados por profissionais famosos dessa arte.

Eles pareciam tão felizes!

Mas logo veio o tempo que empesteou de fios brancos os cabelos do avô, que agora tocava solitariamente seu violão – talvez preso em seu álbum de retratos – e as meninas, que não trajavam mais vestidos rodados, estavam agora deitadas numa cama, discutindo calorosamente a respeito de suas próprias vidas de adolescentes.

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É antigo… mas que saudade eu tenho de você, vozinho lindo… hoje é dia do seu aniversário e amanhã eu o verei e lhe abraçarei bem forte para matar um pouco dessa saudade.

Hoje estou adulta, mesmo que recém saída da adolescência, e vivo todo o tempo que é possível ao seu lado e ao lado da minha avó, porque sei que um dia não estarão mais presentes de corpo aqui… e eu sei que eu vou sentir muita falta, mas muita falta mesmo de vocês dois… e essa saudade antecipada já me traz algumas dores, embora me torne mais forte pra aguentar o que provavelmente vem por aí.

O problema é que a gente nunca pode prever o que acontece. E assim foi o que aconteceu esses dias; amanhã vou contar tudo para a minha avó e procurar saber o que ela acha… será que de fato estou comovida com alguma coisa que não pretendia estar?

E isso está doendo mais que tudo, porque é um nó que não ata e nem desata… é uma situação que eu não posso resolver, porque não depende apenas do meu aval… rs… e isso me traz uma angústia sem tamanho.

E me pergunto outra vez… "é isto que é crescer?"; "é isto que é sentir?".

Estou me sentindo uma idiota. Idiota, idiota, idiota, rs…

Mas tenho uma novidade… não estou nem aí se estou realmente sendo idiota. Nem se estou sendo qualquer outra coisa e passando qualquer outra imagem… olhando a listagem que fiz com os adjetivos que me empregam, percebi que é por demais extensa e por vezes muito contraditória. a maior contradição é que todo mundo acha que sou mais exata que inexata… logo, todos devem estar errados. Mesmo que estejam certos.

E daí?

Estou pintando novamente a minha face, desta vez sem remorso algum. Estou saindo da minha própria tempestade e afundando meu navio num oceano que eu nem pretendia visitar.

Deuses traiçoeiros.

Só EU tenho essa camiseta :P

30.12.10

Recordar é viver! - Morrendo mais um pouco a cada segundo



[Imagem do Segundo Inicial]

Não devia.
Procurar por mais um pouco de dor
daquela que estava silenciada, amordaçada,
não devia.
(Dor silenciada ainda existe, mas calada
é mais leve de acompanhar...
como some...)
...
É que me lancei numa esperança desesperada quando revi o meu presente
ressurgir no meu presente...
Daí vieram os mesmos sagrados segundos que, com os palpites,
reviveram aquele desejo.
Reanimaram minha alma até aquela lembrança, a mais maldita e cruel, alcançar o ensejo...
ela esmigalhou pela terceira vez o pensamento que mal havia se formado em minha nova mente...
E daí,
remoendo as dores, reconto os segundos até me consumir por completo:
Remorro.


[ficou péssimo, mas é isso que dá mesclar sentimento com estudo exatamente no momento em que se está asfixiado, procurando um sentido, sofrendo. Racionalizar o impossível e tentar traduzí-lo em poesia bem no momento... só para sangue-frios ou verdadeiros mestres, coisas que eu não sou. E, pra ajudar, o som passou a tocar "Mensagem", aquele disco infernal que me faz sofrer ainda mais.]

3.12.10

01h05

Eu ia começar a escrever aqui com "e assim não me sinto roubada; nem minhas memórias, nem meus gostos, nem meu passado, nem o que sou é furtado pelo mundo" [isso veio de pensar sobre como algumas pessoas se apropriam daquilo que achamos que apenas nós temos o direito de gostar e veio, também, de pensar em como nós nos apropriamos do que é dos outros e não nos sentimos culpados por isso - afinal, quem é dono do quê?, o que é exclusividade?, o que é ser único?, o que é original?; só que hoje o meu dia foi algo realmente diferente do que vêm sido os meus dias durante o descanso do descascar a cebola [longa história].
Em conversa à toa, num minuto de sossego do trabalho, conversamos sobre traumas e medos; entre as confissões, eu acabei falando do meu. Senti que foi a primeira vez que fui realmente sincera e aberta com alguém sobre o que é que me compõe. No meu ponto de vista, nada nos torna mais reais e mais humanos que dizer dos nossos medos.
Confessar, enxergar, admitir, expôr, pensar sobre algo que nos apavora nos dá chances de nos sentir dominando uma situação, que muitas vezes é bem menor e mais simples do que enxergávamos, geralmente é... enfim, um enigma só é um enigma até ser desvandado. Logo, conhecer o medo é o que nos dá as ferramentas para compreendê-lo, não é óbvio?
Não que eu nunca tenha dito nada a respeito dos horrores que me cercam; todo mundo sabe dos meus temores acadêmicos, alguns sabem dos meus pavores quando falo de relacionamentos amorosos, outros sabem dos meus horrores quando falo da minha vida profissional, mas quem sabia dos meus medos particulares? Aqueles que ficam ali no fundinho da alma, esquecidos, evitados; aqueles que modelam como agimos e pensamos a respeito de tudo? Quem, diários? Nem diários. Essas coisas não contamos nem pra nós mesmos, porque elas relamente nos apavoram. É preciso muita coregem pra encará-las.
E hoje eu me senti e ainda me sinto corajosa. E me sinto feliz por não ter entrado em crise quando pude olhar para o meu monstro. E é mesmo o meu monstro (alguém diria que: se não mete medo, é porque não tá vendo direito).
E daí eu pude entender o meu gosto por coisas bizarras, por coisas grotescas, por tantas outras coisas que acho incríveis e que meus olhos enxergam dentre uma infinidade de tantas coisas tão incríveis também.
Acho que o que eu queria dizer é que hoje eu reencontrei um pedaço de mim que eu havia perdido há muito tempo e que havia me acostumado a deixar perdido até ter crescido o bastante para carregá-lo de novo.
É como se eu encontrasse uma lente que, através dela, poderá me fazer enxergar muitas linhas tênues e perigosas, me levando a compreender coisas de maneira mais completa e mais minha. Aquelas coisas para as quais não estava preparada ainda.
É uma maravilha ter esse presente e essa oportunidade de voltar a me encarar e voltar a existir cada vez mais.

(Eu não queria que soasse desta maneira, mas não houve como expressar de outra forma, já que era urgente.)

24.11.10

Do baú

O duende que só escondia

Era tudo!

Tudo o que a gente procurava,

a gente nunca encontrava,

porque aquele duendezinho

escondia tudo o que achava!


O duende que só encontrava

Vixe!

Tudo o que a gente tentava esconder,

a gente só encontrava!

(aquela criatura malvada,

procurava tudo o que a gente escondia)


E o duende que não sabia o que fazer?

Então decidimos:

não procuraríamos e não esconderíamos mais nada!

Aí o vermezinho ficou perdido:

ele esconderia ou encontraria?




[Poeminhas de 2007, dum projetusco chamado "a menina que nunca comia" - escrito e ilustrado para a minha sobrinha, que nunca come, ainda.]

13.11.10

#Sandman



[There is only one thing to see in the twilight realm of Desire. It is called The Threshold. The fortress of Desire. Desire has always live on the edge. The Threshold is larger than you can easily imagine. It is a statue of Desire, Him - Her- or It-self. The Thershold is a portrait of Desire complete in all details, built out of blood and flesh, and bone, and skin. And, like every true citadel since time began, the Threshold is inhabited. There is only one occupant, at this time. Desire of the Endless. The Threshold is far too large for just one person. It contains two eardrums larger than a dozen marble ballrooms. And empty, echoing veins, like tunnels. You will walk them until you grow old and die without once retracing your steps. Given Desire's temperament, however, there was only one place in the cathedral of its body to make its home. Desire lives in the heart.]



Descrição perfeita e poética de Desejo, num trecho de Neil Gaiman, em Sandman [Casa de Bonecas]

4.11.10

Entre declarações de amor...

Eu estava só pensando, AGORA, em como tenho abandonado muitas coisas pela metade; todos os tipos de coisas que alguém puder imaginar.
Talvez seja um karma relacionado a minha data de nascimento e eu nunca possa me livrar deste irritante modo de levar a vida que tenho. Originou-se ali e, contudo, nenhuma cirurgia d(n)o mundo é capaz de removê-lo sem deixar marcas na obra divina e/ou sequelas no funcionamento da máquina.
Daí me deparo com coisas simples que meus amigos me dizem ou me escrevem e lembro que eu também consigo deixá-los pela metade. Culpada.



Mas... é assim... vou vivendo ao resgatá-los...

"[...] tá ficando muito ridículo isso de "andarmos sumidas", [...] dá um rélpi neguinha, maninha tá lembrando da gente, falando bem (mal) da gente pros outros (diga de passagem, porque de viagem tá doida prá encher nós duas de porrada, eu no lugar dela também faria o mesmo só que ia bater mais de leve em mim, ora),[...]"

"[...]Impossível se perder nesse mundinho de Deus... pois se até os pombos, os patos e as borboletas, as baleias, e as trutas retornam ao seu lugar de origem, porque a neguinha havia de se perder por aí, né, que injustiça meu Deus... a gente acha ela..[...]mesmo que você esteja sem crédito no celular... não tem problema, a gente acha o diacho do número dela e ligamos a cobrar, afinal... rs... ela nos ama tenho certeza disso[...]"

(Ainda assim, culpada, por estas razões... - dos retalhos, longa história pra este breve post, que meus amigos costuram em mim - a minha vida é a melhor.)

27.10.10

Pra quem não tem mapa... seguir em frente.

Meu tio dizia que, quando não se sabia o caminho para algum lugar, era só seguir reto e, dando ou não dando certo, depois era só voltar reto. Essa sempre foi uma das minhas falas favoritas. Talvez pela simplicidade e pela simpatia de primeiro momento, mas mais por traduzir algo muito além de uma procura por um endereço qualquer.
Ironicamente, eu sempre fui do tipo que andou sem mapas, já que seguir um caminho não era a maior preocupação que eu tinha. Eu queria sempre parar, olhar as coisas pela estrada, sentir as sensações intraduzíveis que esbarravam em mim e, quem sabe, seguir alguma trilha atraente que partia da estrada principal para um lugarzinho perdido, talvez um pedaço de paraíso.
Minha alma exploradora se importava não em seguir, mas em decifrar e registrar todos os mínimos detalhes do caminho pelo qual passei.
E me dou conta de que é só seguir reto, enfim. Reto na direção que nos agradar. E é só voltar reto para o ponto do caminho principal que for o mais coerente com aquilo que se adquiriu nas expedições.
Eu era a criadora de mapas...






Há bem mais de uma semana eu não tenho vontade alguma de escrever... especialmente num diário.
Isso é estranho. Estranho demais quando penso que se trata de mim, que sempre apreendi o mundo através de leituras rabiscadas num papel.
(Onde irão parar os mapas que não forem registrados? Serão apagados?)
Eu amadureci, endureci, esqueci... ou me perdi... de novo?
Não faço ideia e nem me importo, na verdade.
Só vou reto, achando que ainda faço escolhas no caminho e que vivo.



É saudável?







(Então não sei se foi mundo demais dentro de mim ou aquele buraco por onde escapavam as cascas da minha cebola... ele continuou sendo cutucado, para ser mantido aberto, e meu mundo foi escapando de mim... Ser vazia talvez seja melhor que ser medíocre, por isso talvez não me importe, também.)




(Ter meus propósitos reduzidos a quase nada faz parte desta jornada rumo ao vazio... e eu tenho esperança de ser mais eu quando tiver mais espaço. Uma razão paradoxal, a do perder-se para se encontrar.)

Mas eu só acho. Só acho. Acho. E acho.

13.10.10

Floripa


Sabe aquelas imagens sem nome e sem tempo? Então.


O céu de Santa Catarina e as Araucárias espalhadas pela estrada de lá até aqui... <:}
Numa viagem maravilhosa, com pessoas maravilhosas...

3.10.10


Sempre gostei desta canção, talvez mais por conhecer a versão simpática do Santa Esmeralda e ser apaixonada pelo curso dos instrumentos, das palmas e do sorrisinho maroto do vocalista enquanto cantava.
Daí resolvi reparar na letra e me apaixonei pela outra versão... que antes eu não gostava muito.
Agora estou bem no clima da canção [inteira]. Confesso que só agora que entendi, sinceramente, a interpretação da Nina e fiquei com o meu coração doendo também.