30.5.10

Girafas com complexo










Não é fixação por girafas. São algumas das minhas contribuições prum site que adoro, aquele com um prazo pra conseguir 1.000.000 de girafas feitas pelos visitantes/contribuidores sem auxílio de tecnologia.
Meu scanner quebrou, então não dá pra ler as coisas escritas porque as fotos estão horrorosas.


Tão verdadeiro... e velho.

Recado

Oi...? Você não me respondeu, e sei que eu já devia ter tirado aqueles sonhos da minha cabeça, mas acontece que eu ainda não terminei de dizer tudo o que queria lhe dizer.
Eu cresci.
Já estou bem mais madura do que era quando me conheceu, um pouco mais consciente também. É isso que o tempo e a vida fazem com a gente quando damos atenção a eles.
Eu cresci mesmo.
Já não tenho mais medo, aquele medo bobo que eu tinha quando você quis realmente me conhecer. E estou bem mais disponível do que estava antes.
Mas cresci muito mesmo.
E eu não posso imaginar até que ponto isto é bom ou ruim para lhe dizer. Na verdade, é só para justificar a minha pergunta: você cresceu também?

27.5.10

Exatamente

A minha vontade era de urrar os sentidos mais cavernosos, tirar tudo de dentro dessa caixa bizarra que venho montando desde que aprendi a colecionar.
Tirar, limpar, jogar um monte de coisa fora, escancarar todas as tampas para que as pessoas vejam e se sintam tão horrorizadas quanto eu.
Não sei por qual razão inventei e atribui todas as responsabilidades dos fatos a mim mesma. Como se eu fosse uma coisa onisciente, onipresente, onipotente.
Eu sou um pouco mais que nada. E só.
Sou eu. E basta.
Mas ainda tenho a vontade. Urge tirar tudo. Tudo, tudinho.
Não porque precisava me reestruturar porque estou me sentindo oh uma coitada, como havia sido a minha vida toda até uns tempos atrás até que aprendi a desobrigar-me do que não me pertence, mas porque eu queria renovar, parar com essa pressão gigante de quem ainda acha que sou eu quem devo algo, de parar de deixar crescer em mim essa responsabilidade também.
Eu não devo NADA.



CARALHO. Embora essa palavra não exista no meu dicionário.

19.5.10

Todo amor...

Hoje uma amiga no trabalho falava sobre o amor que sentia pelo filho. Um amor que, de tanto amor, doía.
Todo amor doi.
(...)

Este diário está se tornando uma verdadeira coleção de desculpas para a falta do que escrever. O que acontece é que as reais desculpas são estas:

- eu realmente não tenho que escrever;
- sabotagem: tenho o que escrever, mas procuro não escrever;
- até escrevo, mas acho horrível e apago tudo;
- escrevo, mas em códigos para que ninguém entenda o que eu quis dizer;
- ou estou realmente animada e quero escrever, estou confiante e serei clara o suficiente para que o texto não pareça um elo perdido e... ou o blog não funciona (como hoje) e a vontade passa, ou a internet não funciona e eu escrevo em outro lugar, de preferência junto com os textos que ninguém lerá (e fico pensando se isto não é, também, alguma sabotagem);

Mas o que eu quero dizer é que eu ia escrever sobre o assunto ali do começo, ia escrever uma constatação que me doeu, mas eu perdi todas as palavras e ficou só a sensação.
E traduzir a sensação é um trabalho... exigente.

Talvez eu escreva.

10.5.10

Protótipo para frustrações

Achei que nunca conseguiria chegar a um consenso.
Queria dormir, mas fiquei acordada... as pessoas apareciam para conversar, e, quando se desconectavam, outras as substituiam.
(Engrenei num assunto, mas não havia o que ser dito. Conversando sobre narcóticos, tive a ideia de escrever um conto muito bom.)
Daí quis ficar acordada, mas fui dormir... estava quase na hora de ir trabalhar e eu precisava descansar um pouco, ao menos.
(Deixei de escrever quando havia o que ser escrito. Então perdi tudo. E fiquei frustrada porque seja lá o que viesse... nunca seria tão bom quanto o que seria antes.)
Entretanto, concluí. Concluí que não importa mais.

27.4.10

24.4.10

A razão pela qual eu me sinto tão horrorosa é, para variar, aquela sensação.
Aquela sensação que me estica, me deixa fina, me deixa falhando em mim, me deixa sumir... assim, com um pronome pessoal oblíquo ao lado de uma vírgula, que eu não sei se, de fato, é um problema.
Eu sumo quando a frustração vem acompanhada daquela falsa esperança de creditar a mim mesma algum adjetivo que seja grandioso e bonito, que persiste até que eu repare, insiste até que eu acredite ser real e desaparece, depois que já estou inebriada com uma imagem que logo vai ruir.
Estou assim, pensando no quanto a mediocre sensação faz com que eu a acompanhe, como sombra, em seus movimentos e idealizações.
Estou assim, sentindo-me horrorosa. Tenho o direito de sentir.

9.4.10

Farelos

A minha vontade era... ser verborrágica e espalhar tudo aqui nesse pedaço de diário. Mas... eu não sei o que há, toda vez que faço o login e vou escrever, o branco me contamina.
Eram os sons dos tambores ao fundo [provavelmente daquela casa que eu achava que não estava mais recebendo visitas por aqui, mas em outra casa... em outro lugar - e que me fez pensar num sonho que tive há uns meses atrás...], misturando com as imagens das minhas HQs favoritas [e preocupações e mais sonhos velhos], com uma ânsia por sonhos novos [e desejos novos], embolando peças do meu quebra-cabeça de relações [e esclarecendo as minhas relações comigo mesma], com a experiência nova de leituras novas [precisas e além]... uma sensação traduzível que, no momento em que eu me propus a defini-la, esmaeceu. Restou isso.

31.3.10

Encontrei o caderno. Dentro da caixa de fitas, dentro do meu quarto. É.

Pré-vendo. Em disposição:
Surtos de genialidade.
Alguém quer comprá-los?


Só pra quebrar o gelo. :D

28.3.10

Do caderno da pós

Ano passado:

Num dia:
4:13 4:15 4:20 4:25 4:30 4:36: 4:40 4:48 fim.

No outro dia:
15h19

Há tantos gênios
tantos
que a genialidade
deixou de ser genial

Não sou gênio,
não sou especial,
sou uma coisa sem nome
Inquieta.

16h00 16h06 16h15

Divergente

16h26

Deste ano:
(numa trecho da aula da manhã, propondo hai-cai - não li os meus, óbvio)

A aranha
tecendo sua teia:
rede de desejos.

Semente que cai
Do alto do pinheiro:
Espio o helicóptero.

Na sala de aula
a aranha quer entrar:
Vem estudar?
(se hai-cai tivesse 4 versos, o último seria: Não, vai. - Certeza.)

Das brincadeiras com versos de Bandeira

(Re)leitura atual de Manuel, o Gostoso

Manuel Gostoso não era ninguém,

Mas um dia ele foi ao bar

Dançou

Cantou

Bebeu e se...

Afogou.

Para Bandeira – Reconstruindo a história


João Gostoso foi ao bar

Afogou-se:

Bebeu

Cantou

Dançou

Embriagou-se, encantou-se e exaltou-se

Flertou

Garrafeou

Herdou copos, não hesitou

Ingeriu e inspirou

Jactou-se, jocoso, à jovem

Levou e lastimou-se

Mamou mais

Naufragou

Obstinou-se a obter o oceano de odres, oscilou

Pegou pileque

Queixou-se

Resmungou, riu

Sorveu

Tomou, tropicou

Ungiu-se

Virou

Xingou

Zoneou, zurziu, zangou(se), zanzou e ZAiu!

Cabeça de Veado

Sonho acordada e sonhos recorrentes. Não tenho a intenção de definir um limite entre a ficção e a materialidade, porque não há um limite definido entre o que está na minha mente e o que está materializado fora dela.
Não é possível dizer se o que se passa é real ou possível; é uma mistura de desejos, de sensações, de definições, de quebra e anseio por libertação de mim para um mim muito mais amplo e ultrarreal... uma certeza de que é possível transcender a materialidade através da própria materialidade bem como a imaterialidade pela própria imaterialidade, porque uma não é o caminho de transcendência da outra (elas são a mesma coisa).
Eu tenho a sensação de estar amalgamada a um fio tênue, que chega a desaparecer de tão delicado, mas que não deixa de existir. E o que eu mais queria era saber sair deste círculo ao qual estou fadada nesta vida.
E daí meus sonhos fazem sentido, pois estão vagando num lugar muito além e me ajudam a observar de longe o meu círculo. Algumas coisas parecem não fazer sentido de tão além que se encontram, então me questionava se realmente precisaria haver um limite que determinaria o que era verdadeiro, que poderia materializar-se, existir e, portanto, tornar-se possível... daquilo que era imaterial, que tinha cara de ficção, de irrealidade, impossibilidade... até julguei logro da minha consciência que sabe muito bem ser cruel; aconteceu, por fim, que colocar um limite faria com que eu definisse muito bem o fio que me prende (ou sobre o qual eu caminho, como eu dizia quando era mais nova).
Esquecer o limite, por outro lado, faz com que desapareça o fio... e aí, se eu realmente ignorar esse julgamento, talvez eu possa pensar que o fio deixou mesmo de existir - quem sabe?
Entretanto, hoje eu tive uma prova muito grande de que limite é bobagem quando resolvi dar chances a minha intuição. Minha consciência dizia que estava pregando uma peça em mim mesma, que minha intuição não poderia me ajudar a resolver questionamentos sérios. Daí me peguei a sentir muitas coisas ao mesmo tempo enquanto sonhava mais uma vez.
Sonhei com a antiga cabeça de veado e os sons dos tambores ao meu redor, com a liberdade de poder deduzir o que é que significam, o que é que me dizem e com o que é que poderei relacioná-los... sonhei em perder o medo de experimentar mais, em todas os momentos da minha vida... sonhei com a quebra do fio e eu liberta, lá no futuro, protegida pela segurança que descobria agora...
E o que mais me tocou foi o encaixe perfeito de tudo o que surgiu no sonho. Uma iluminação para a minha jornada, um caminho a seguir, um sentido para o que não compreendo... tudo, tudo foi chegando e me fazendo esquecer um pouco mais tudo o que não é.
E aquele verso do meu diário, uma anotação depois de um poema sobre limites, faz mais sentido agora do que quando eu era mais nova: "acho que o limite é ser humano". O que eu já compreendia da tradução, que eu dizia ser óbvio, agora parece me afetar mais; era óbvio, mas eu não dava conta.
O limite é estar e ser. O limite é humano. O limite é o que é. Nada além.
Não queria me repetir, mas é justo transcrever aqui, depois, minhas previsões sobre mim mesma, aquilo que eu escrevia e não notava.
Aliás, antes disso, vou caçar umas coisas interessantes aqui no caderno da pós. De repente lembrei que deixei uma pista interessante para me desvendar.
Porque eu cansei de me devorar aos poucos.

26.3.10

Do paradoxo

Eu estava com vontade de colocar algumas anotações e impressões da viagem à praia que fiz em janeiro, mas é impressionante como as coisas somem no meu quarto. Aí pensei que as anotações do caderno da pós poderiam suprir minha necessidade de dizer, mas eram todas ridiculamente inexpressivas. Então desisti de procurar o caderno e no caderno e resolvi esperar a divina providência... Mas, como esta demorou demais, e eu não estou aguentando a ausência de um lugar para despejar as minhas próprias ausências... cá estou.
Cá estou e, agora que estou, não tenho mais necessidade de dizer, mas de calar.
Portanto, calo-me.

15.2.10

Diário de futilidades

Fui viajar e aconteceu uma troca: fui com uma bagagem e voltei com outra.
Não estava procurando, não. Aconteceu.
Aconteceu que me desobriguei de mais uma mala antiga, que pesava em minhas frustrações. Pensei pouco e rapidamente compreendi o que foi que aconteceu na minha vida e que me fez atrasar tanto os passos que tenho dado. Um insight precioso.
Obviamente não vou detalhar nada, nem justificar a metáfora, não interessa pra ninguém exceto a mim. Basta saber que resolvi uma coisa que me doía e me fazia sangrar sempre que rondava o assunto, mesmo que fosse de longe.
...
Aí me peguei colocando outro no lugar, bem parecido. E já ia me achando uma sacana de marca maior comigo mesma. Então percebi: era parecido, mas era outro. Eu arranjei outra mala - desta vez uma mala que eu mesma escolhi carregar, com o peso e o tamanho que eu posso suportar.
Não estou falando de dores. Estou falando daquilo que me pertence.
(Chega de bagagens.)
Fui viajar com a ideia de passar o feriado todo bem longe de casa e de mim mesma, acabou que caí em mim mesma sem querer. Mas gostei do reencontro, não foi doloroso.
Daí que fui um dia depois e voltei dois dias antes do planejado. A princípio até que achei melhor assim: no lugar de cinco dias, ficar apenas dois.
Fui ver minha família. Quando estava no meio do caminho, acabei achando que ia sofrer demais, de novo, e não que iria para um retiro longe de mim mesma. Mas o tesouro que encontrei sarou uma parte de mim, logo comecei a me regenerar e passei a achar que dois dias não seriam suficientes.
Vi as crianças novas da família, roubei acerola do pomar que fica no grande quintal da casa do meu padrinho, rs... fomos almoçar numa churrascaria e eu me empanturrei de carne - coisa que não é comum, por isso passei metade do domingo dormindo. Acordei e fui ver a outra criança fofa e novíssima da família. Não deixei de me surpreender com a minha atitude e pensamentos ao receber uma notícia triste... certamente isso vai ser pauta do próximo conselho da minha cabeça. E fui assistir ao carnaval, as escolas de samba da cidade passando na avenida da praça (um capítulo à parte, em breve).
Então, eu estava pensando sobre algo antes de dormir... de novo. "E não é que as pessoas são tão inseguras quanto nós mesmos somos? Por que não consideramos isto quando nos relacionamos? Achamos que são presunçosas, que são egoístas, que são seres da pior espécie... elas só estão inseguras. E só." (Uma coisa aconteceu... ou deixou de acontecer. Foi isso. Mas... sem detalhes, basta a essência, óbvia, difícil de digerir).
E, pra acabar a viagem deliciosa, hoje apanhei mamão e acerola (com permissão e ajuda, rs...). Trouxe um pedaço do pomar da minha família lá do interior pra cá, pro outro interior. E isso me fez um bem gigantesco.
Sou eu. De novo.
(ps.: Eu estava considerando a relevância para postar isto ou não postar - aliás, como bem tenho feito todos esses dias... escrevo e apago. Aconteceu que eu estava procurando uma palavra que me ocorreu de repente, e o pai-dos-burros caiu da minha mão e publicou antes de eu me decidir. Destino, destino...)

28.1.10

Você não sabe nada

Tempo demais olhando pra dentro. Tempo demais olhando pra fora. Peguei-me sem saber pra onde olhar agora.
Disseram que ando numa bagunça muito grande. Com muita coisa na cabeça e precisando fechá-la e organizá-la, senão não chego a lugar algum.
Mas tô chegando, não sei onde e nem por qual razão. Só sinto que tô chegando e não me incomodo por não saber. Nunca sei de nada mesmo.
Entretanto andei surpresa por não saber o mínimo. Por olhar nada e traduzir nada. Nada, nada mesmo. É uma sensação que também não tem tradução.
Será que estou abusando?

9.12.09

Bojan

O gosto da minha saudade...

(muito)

Eu - resumo em cinco minutos.




Eu...
Seria palavra bastante para poesia:
complexa, misteriosa,
uma asfixia de sentidos
presos, rebentando um saco.
---

Eu seria uma palavra gigante,
gritante, verborrágica,
uma nuvem de sons
pairando escandalosamente. ---


Eu seria uma palavra delicada,
miúda, frágil,
um arranjo de graças graciosas.
---

Eu... Eu teria que ser uma palavra óbvia.
Daquelas bem declaradas,
que todos sabem, que todos vêem.
---

Mas aí a palavra Eu precisaria ser forte,
simplesmente resistente,
uma fortaleza perene.

---
Eu também seria uma palavra mutante,
momentânea, efêmera.
Flexibilidade seria o seu caráter.

---
Então, Eu seria uma palavra única.
Eu muda ou Eu miúda.
Eu escancarada ou Eu ilimitada.
...Eu.

---
Indescritível.