Fui viajar e aconteceu uma troca: fui com uma bagagem e voltei com outra.
Não estava procurando, não. Aconteceu.
Aconteceu que me desobriguei de mais uma mala antiga, que pesava em minhas frustrações. Pensei pouco e rapidamente compreendi o que foi que aconteceu na minha vida e que me fez atrasar tanto os passos que tenho dado. Um insight precioso.
Obviamente não vou detalhar nada, nem justificar a metáfora, não interessa pra ninguém exceto a mim. Basta saber que resolvi uma coisa que me doía e me fazia sangrar sempre que rondava o assunto, mesmo que fosse de longe.
...
Aí me peguei colocando outro no lugar, bem parecido. E já ia me achando uma sacana de marca maior comigo mesma. Então percebi: era parecido, mas era outro. Eu arranjei outra mala - desta vez uma mala que eu mesma escolhi carregar, com o peso e o tamanho que eu posso suportar.
Não estou falando de dores. Estou falando daquilo que me pertence.
(Chega de bagagens.)
Fui viajar com a ideia de passar o feriado todo bem longe de casa e de mim mesma, acabou que caí em mim mesma sem querer. Mas gostei do reencontro, não foi doloroso.
Daí que fui um dia depois e voltei dois dias antes do planejado. A princípio até que achei melhor assim: no lugar de cinco dias, ficar apenas dois.
Fui ver minha família. Quando estava no meio do caminho, acabei achando que ia sofrer demais, de novo, e não que iria para um retiro longe de mim mesma. Mas o tesouro que encontrei sarou uma parte de mim, logo comecei a me regenerar e passei a achar que dois dias não seriam suficientes.
Vi as crianças novas da família, roubei acerola do pomar que fica no grande quintal da casa do meu padrinho, rs... fomos almoçar numa churrascaria e eu me empanturrei de carne - coisa que não é comum, por isso passei metade do domingo dormindo. Acordei e fui ver a outra criança fofa e novíssima da família. Não deixei de me surpreender com a minha atitude e pensamentos ao receber uma notícia triste... certamente isso vai ser pauta do próximo conselho da minha cabeça. E fui assistir ao carnaval, as escolas de samba da cidade passando na avenida da praça (um capítulo à parte, em breve).
Então, eu estava pensando sobre algo antes de dormir... de novo. "E não é que as pessoas são tão inseguras quanto nós mesmos somos? Por que não consideramos isto quando nos relacionamos? Achamos que são presunçosas, que são egoístas, que são seres da pior espécie... elas só estão inseguras. E só." (Uma coisa aconteceu... ou deixou de acontecer. Foi isso. Mas... sem detalhes, basta a essência, óbvia, difícil de digerir).
E, pra acabar a viagem deliciosa, hoje apanhei mamão e acerola (com permissão e ajuda, rs...). Trouxe um pedaço do pomar da minha família lá do interior pra cá, pro outro interior. E isso me fez um bem gigantesco.
Sou eu. De novo.
(ps.: Eu estava considerando a relevância para postar isto ou não postar - aliás, como bem tenho feito todos esses dias... escrevo e apago. Aconteceu que eu estava procurando uma palavra que me ocorreu de repente, e o pai-dos-burros caiu da minha mão e publicou antes de eu me decidir. Destino, destino...)