12.11.13

Lá vem o poema

Segura das formas que habito,
vazo de mim pra uma imensidão de significados
que amainam e intensificam a figura que existo.
Nesses pulos incertos que arrisco,
num hálito arisco afasto quaisquer modos
de outras figuras, de outras existências, de formas outras que,
na dúvida se apenas consumo, abaporizo ou me desnudo,
me sirvo num prato fresco de sururus apimentados.
E o engulo qual esfinge, mas na imensidão interna, inerte, eterna,
singularizo e personalizo o que finjo que entendo;
do resto, me livro e digo que não presta.
Mas a verdade é que me perco, tanta coisa pra saber...
A verdade é que não sei e me sei nula... mula.
Que segura nas ancas um arreio, dos mais potentes.
Não doa, não goza, não mente.
Não sente.
Luto por uma golfada serena, madruguenta, que desperte essa feroz égua,
que cavalga e sorve cada salto pelo espaço.
Que entende sua presença.
Que domina seus galopes.
Que manda em sua vagina.
Que é capaz de parir o universo que sonha.