Sempre afirmo que desisti daquele amor que me consome, daí descubro que fui eficientemente incompetente, porque não consigo me desfazer de um micro pedaço que o reconstrói cada vez mais bonito e seguro. Pena. Pena, pois toda essa riqueza existe somente em mim. Logo, nem consigo acreditar na paradoxal fragilidade à qual me submeto sempre que o bonito me seduz. Me desfaço numa rajada de nacos, espatifados como um velho e cansado espelho que se despede da vida ao se desprender de um pedestal qualquer. Essa sou eu, mendiga, febril, desvairada, sem freios na gana de o abraçar até que meus braços não sejam mais meus e se despreguem de mim, largando meu corpo mudo e satisfeito, talvez... não bastasse esse colo, meu desejo é, também, a ânsia descomedida de o ter em todo canto do que eu existo e exalo... é uma sensação de que tudo, toda a possibilidade, é insuficiente... e agora estou desaguando um mar pelos meus olhos, me desmanchando numa querência sem endereço... naquela acepção da ânsia que pressupõe o enjoo, porque o deixo livre e me olha com indiferença, me fala sem sabor e me toca com frieza... e toda a minha alma esperava pelo seu retorno, crendo que estaria mais certo e especialmente mais leve... para brincar, para... sei lá... deixar vir o que quer que seja desse novo encontro que planejo com tanto esmero... por que tão distante, como se houvesse ficado algures, na empreitada de encontrar a si mesmo noutras terras distantes?