17.11.13

Então aquele deslizar da palma da sua mão em minhas coxas fez um mundo de espasmos dançar no meu ventre. Segurei firme, sustentei o seu olhar e sorri. Então mergulhou seus lábios no meu pescoço, e toda a minha fragilidade se pôs à mostra: me vi enlaçada junto ao seu corpo, implorando por mais e mais... mas respirei fundo e me afastei. Duplamente errado e sem sentido; a brisa gelada me tomou e eu fui tomar o sol da calçada, do outro lado da rua. Não vou ser hipócrita de dizer que acabou aí. Não. Continuei olhando, pensando, desejando. Vi aquele sinal esperto, indicando que tem responsabilidade com outra pessoa. Porra, aquilo me colocou de volta pro lugar de onde eu havia conseguido escapar há tão pouco tempo! Então você voltou a se sentar ao meu lado, encostou tua perna na minha e... ponto.
Hoje, hoje foi um dia de folga do mundo. Deitei no sofá e, de repente, meu pensamento o encontrou. Nunca vou conseguir entender com palavras o que só o corpo é capaz de contar. Sei apenas que o corpo é muito, muito, muito honesto com o que sente. Bem como é fiel o suficiente ao juízo. E me pergunto por que é que, com tantas pessoas no mundo, eu sempre acabo me encantando por colossos de dúvidas e de tantas outras coisas que me fazem a mulher mais sozinha, medrosa e chateada da minha existência... nenhuma mulher, pessoa, deveria ser assim.
Nenhum amor deveria ser assim.
Ou é, e todo mundo que sente diz que é aquilo que acalma, que dá segurança e o escambau?
Já me perguntaram o que é que tanto espero pra me comprometer; não canso de confessar que espero por um amor que me tome, me transborde e me faça sentir minha pele um braseiro, meu ar insuficiente e meu desejo tão urgente que chega a doer... mas vou acrescentar um negocinho nessa lista básica: meu amor precisa ser disponível pra mim.