3.1.14

Desatar nós é algo que sempre me surpreende, pois passo muito tempo puxando e apertando os fios até que deixem de se mover e eu resolva analisar, de bem perto, o estrago que lhes causei. Sempre me parece que nasceram grudados, no fim. Então, tento com a boca. Acho que daí passa um mundo de coisas que me faz desistir desta ação. Respiro fundo e, pacientemente, passo a puxar o fio de cima... posso até ferir meus dedos, mas o fio vai sair dali.
Depois de desfeito, o nó se torna muita metafísica pra digerir... mas nada clichê, como "resolução de conflitos", não, é algo mais como... "estrada para o infinito"... me torno todos os viajantes literários... Alice, Crusoé, Dr. Lidenbrock, Phileas Fogg... não sei o que acontece... me perco em mim e esqueço de completar a tarefa, largo pelo meio caminho...
Tamanha admiração se dá quando observo o nó que tem no meu pensamento sensível... tento desatá-lo há anos, e só posso acreditar que essa persistência é fruto de querer logo largar pela metade. Tenho pra mim que sou dessas pessoas vingativas.