A bailarina anda sobre o fio fino,
dobrando seu centro pra frente, pra trás,
beirando a queda iminente.
A bailarina dá um giro inseguro,
olha pro fio do começo e treme,
treme das canelas às mãos, que seguram uma xícara de porcelana, frágil.
A bailarina salta certeira,
dobra os joelhos para amparar os quadris, direita, reta, classuda...
endireita-se e, de repente, não sente mais medo.
A bailarina se venda,
solta os movimentos,
sem saber onde vai chegar: ao chão, ao fim, enfim...
A bailarina segue, com dedos espertos,
dançando o fio, como uma extensão de si...
sabe bailar.