11.3.13

O dominó real (Ou: falando o óbvio)

Eu estava mais uma vez lutando contra o sono e daí é que eu começo a permitir que alguns pensamentos, que normalmente quero esconder por alguma razão, saiam dos buracos. De fato, é sempre aí que eu me desnudo com mais sinceridade e observo coisas não tão nobres sobre mim... o que me faz, também, me sentir chateada por não ser tão honesta enquanto estou realmente acordada. Mas vamos ao que estava me incomodando agora (mas só um pouco): o fato de estar tão desinteressada de alguns assuntos que antes eram, pra mim, um sinal de que eu realmente era uma pessoa culta, interessante, inteligente, participativa... enfim, toda aquela baboseira de vaidade (a.k.a. a cebola).

Estou falando de toda essa nojeira de Sistema Organizacional ao qual estamos submetidos (não apenas econômico, falo de algo muito maior), de novo e de novo e de novo e de novo... e parece que esse é o meu assunto preferido deste ano (apesar de que, rememorando algumas coisas que já escrevi por aí, é algo que me incomoda já há muito mais tempo do que apenas este ano).
O fato: não estou interessada em quaisquer processos aos quais submetam os seres que habitam este mundo. Não quero que isso soe tão dramático quanto acabei de imaginar que possa ter soado. Nem que pensem que eu estou dizendo que eu acho que devamos tentar o caos. Nem que eu não pareço fazer ideia do que estou falando. Ou que eu não tenha qualquer noção, afinal.
É que pra mim ainda é um pouco estranho ter essa sensação de que 'tanto faz'. Eu vejo (ouço, leio, enfim, eu leio o mundo sem dó da minha sanidade) muita coisa acontecendo que é difícil filtrar e absorver o que talvez seja até que importante pra mim. É absurda a quantidade de opiniões/discursos a que somos submetidos a cada microssegundo de nossas vidas... pra mim, tem sido muito mais seguro, confortável, fácil e inteligente jogar tudo dentro da caixa de recicláveis, mas daqueles recicláveis que a gente só separa (ou não) e nunca mais tem contato na vida (a não ser que a gente resolva adquirir algum produto ecologicamente correto, mas isso é outra história).
Quero dizer que agora estou enojada, enjoada, de tanta gente dizendo tanta coisa desinteressante. Desinteressante ao extremo. Desinteressante que dói. Não quero saber se sou eu o problema ou se eu deveria ser mais tolerante ou menos egoísta ou sei lá qualquer outra coisa que advenha disso... eu não ligo mais pro problema, nem pra nada, aliás.
Eu imagino que deveria saber/opinar(mesmo?) sobre o que estão fazendo com as coisas e com o mundo a minha volta, pra entender e evitar que me prejudiquem e para tentar mudar algumas intenções que possam prejudicar ainda mais pessoas além de mim. Mas eu cheguei a uma conclusão há um tempo, podem me chamar de pessimista e... enfim: qualquer reação direta contra o Sistema é utópica (sou um gênio, não?)(preciso marcar as figuras de linguagem nesse texto?).
Só sei que a gente muda quando a gente se muda (realmente sou um gênio!). Portanto, estou fazendo a minha parte, tentando me mudar para o que eu acho uma versão mais aceitável de mim mesma que seja colaborativa, construtiva, passível de qualquer atitude que venha a trabalhar positivamente para a massa além de mim mesma... que não deixa de ser eu. Ou seja, sou tão egoísta que quero ser a pessoa mais altruísta do mundo. E o pior é que eu acredito nisso com todas as minhas forças. (e não vou voltar com aquele papo de 'ponto' e de que 'todos os lados são a mesma coisa da mesma coisa' e etc eterno)
Acredito, mas porque eu vejo isso claramente acontecendo todas as vezes em que eu modifico a mim e vejo os outros me respeitando mais e até seguindo o meu exemplo, ou discordando, mas com algum propósito mais nobre, reconstruindo algo ainda mais bonito do que eu mesma achava possível.
Portanto, quero deixar claro pra mim mesma (e para quem mais estiver interessado nisso) que eu realmente ignoro quaisquer ideias, opiniões, fazeres utópicos e, mesmo que eu pareça alienada ou viver em um mundo paralelo, que eu estou trabalhando para este mundo de verdade. Eu sinceramente não me importo com o que pensam de mim. Falem e pensem o que quiserem... eu apenas estou tentando expôr o mais fielmente possível o que está passando aqui agora, numa tentativa de entender uma mudança que aconteceu - uma certeza, um norte um pouco mais definido pra vida - e só. Aliás, podem achar que isso foi um tanto dramático ou que eu sofro de algum tipo de loucura... se quiserem... afinal, já é o que costumam achar de mim, não faz diferença.
(Acho que talvez até o apego que tenho com algumas coisas possa ser explicado com isso tudo... e isso me tranquiliza... nem eu fazia ideia do quanto) (e essa última informação é só minha mesmo)