...e, segundo a prô, parece que será um ano bom, cheio de trabalho, de mudanças, de adaptações, de tudo o que temos direito enquanto profissionais da educação.
Hoje foi um dia manso, nós saímos numa volta pela comunidade e revisitamos algumas paisagens que dão vontade de chorar... mas não dá pra chorar se precisamos trabalhar para dar melhores condições para nossos alunos e suas famílias, esperando que algo cresça com eles e se espalhe pela comunidade de alguma forma...
Nós trabalhamos num bairro bem populoso, a comunidade que atendemos, em maioria, é de baixa renda e vive num estado que não conseguimos realmente entender. E o que ainda assusta é pensar que existe situações muito mais degradantes para pessoas que são como nós... isso , vou repetir, ainda choca e dói. Dói porque o meu esforço e o meu trabalho se torna nada. Porque os sistemas organizacionais que parecem funcionar em verdade são obsoletos e prejudiciais, minam a evolução quando prescrevem e cobram soluções e atitudes que tornam tudo moroso, corruptível e desproporcional. Mas o pensamento é outro, neste momento, é sobre o meu trabalho, não sobre os sistemas ruins aos quais todos nós somos subjugados (e algozes e vítimas).
Todos sabem daquela dor adolescente de não poder mudar o mundo... todos parecem sofrer com isso... eu há muito não sou mais adolescente, mas essa dor ainda me é tão cruel que tudo o que aprendi com anos e anos de vida e de trabalho não são suficientes para me manter calma e focada e satisfeita diante desses choques de realidade.
Eu sei que eu não posso mudar o mundo de repente (talvez meu esforço realmente fosse notado se eu pudesse ser fora do comum, ou se eu tivesse bastante sorte de encontrar o momento certo para aparecer e expressar o que penso e sinto para alguns olhares certeiros e atentos... enfim... excluindo isso e voltando à realidade...), mas posso investir em pessoas que estão crescendo e aprendendo e transformando e que podem disseminar algo que seja realmente essencial para uma vida mais digna e saudável naquele local ou onde elas estiverem e alcançarem.
Eu realmente acredito que eu posso alcançar alguns de meus alunos e fazer uma diferença boa em seus olhares e que eles vão crescer e vão usar e propagar aquilo que importa...
E eis o meu incentivo e o meu desejo de todo ano que não é fazer com que eles aprendam a decodificar e a utilizar o código de nossa língua... que não é que eles aprendam a lidar com a lógica e a utilizar ferramentas que os auxiliem a solucionar problemas do cotidiano... que não é estimulá-los a um trabalho em equipe, para que possam viver em sociedade, compartilhando e colaborando para que todos possam progredir... que não é levá-los a encontrar suas identidades e a reconhecer o mundo em que vivem... que não é despertar conhecimentos que permeiam muitas culturas do mundo... que não é levá-los a explorar suas habilidades e enfrentar desafios para desenvolvê-las... que não é disseminar entre eles um espírito e senso coletivo de organização, justiça... enfim... que não é apenas isso, mas que é tudo isso e muito mais além e além e além.
E eles só têm 4 anos. Mas 4 anos é o suficiente para muitas coisas do mundo, e, felizmente, muitas das mais importantes.