2.2.13

Hoje é sábado...

...e vocês, que por acaso estão lendo isso e sabem que eu fiz um combinado comigo mesma de seguir a uma regra de postagem (achando que estabelecer uma rotina me ajudaria a trazer este blog à vida), também estão percebendo o quanto eu sou ótima em seguir o que planejei? Enfim, voltei ao trabalho, então talvez isso melhore, rsrsrsr (não estou prometendo escrever todos os dias, o que já é uma coisa muito inteligente de minha parte...).
Estou bem animada com o retorno ao trabalho, mesmo que ainda esteja assustada com o presente que me aguardava na atribuição de classes. Vou ser bem honesta: é o primeiro ano em que estarei lidando com um grupo vindo, em peso, de creches. Isso é o que mais está pegando. Tenho também no grupo duas inclusões interessantes, digo isso porque são questões de fala, que é a especialidade da casa, rsrsrs... era sobre o meu trabalho que eu queria refletir um pouco e achei que o blog seria uma boa ferramenta para isso (taí uma justificativa de usar o blog no dia não combinado, :D).
Minha formação é voltada para a Linguagem (Letras e Literaturas), mas eu venho estudando a fundo, desde o magistério, questões que são relacionadas ao uso da linguagem por crianças e para crianças (em especial, a linguagem usada através da Literatura). Portanto, eu tenho algum conhecimento sobre dificuldades e desvios na fala que são justamente com o que terei de lidar este ano. Não são as primeiras crianças com esta dificuldade com as quais eu terei que trabalhar, eu venho trabalhando com questões referentes à linguagem desde que tive contato direto com crianças e, mais intensa e diretamente, desde que assumi uma turma como professora. Estes serão o 3º e o 4º casos clínicos (com 'clínicos' quero dizer que são casos que necessitam de tratamento além do fonoaudiológico, porque são questões mais graves e complexas). Portanto, o que me aflige não é a dificuldade com as inclusões, mas como gerenciar com qualidade tantas questões em um  período tão curto.
Sem conhecer as crianças e as famílias, eu já posso levantar algumas questões de acordo com a minha experiência profissional (são 10 anos lidando com a Educação para os pequenos, observando, estudando, experimentando e lecionando e eu sinto que é tão pouco!), estive pensando sobre:

1- Crianças que vêm da creche costumam ter maior autonomia e confiança para lidar com a rotina e o ambiente escolar, portanto, questões de adaptação e de rotina tendem a ser mais tranquilas;
2- Entretanto, essas crianças também costumam ter atitudes mais difíceis de gerenciar e às vezes demoram mais para seguir combinados estabelecidos pelo grupo e regras da escola, portanto, podem sofrer com um adaptação mais longa em relação às mudanças, mesmo que já sejam autônomas e não chorem para ficar no novo ambiente;
3- O grupo possui muitas divisões, ainda não é possível saber quantas permanecerão, mas notei ao menos 4: as crianças que vêm de creche - que podem se agrupar, inclusive, por terem frequentado a mesma unidade (4 u.e. - 17 crianças) -, as crianças que não tiveram experiências em outras unidades escolares (5 crianças), as crianças com dificuldades de fala (2 ou mais crianças), as crianças que possuem diferenças de idade muito gritantes (quanto menores as crianças, maiores as diferenças; nesse caso, crianças que possuem alguns meses de diferença costumam ter conflitos com muita frequência, este grupo contém crianças que nasceram em abril de um ano e crianças que nasceram em março do outro ano, de 1/4 a 25/03, posso dizer que têm um ano de diferença!). Um grupo tão dividido é o maior desafio;
4- Minha experiência anterior era mais complicada, porque a divisão do grupo era muito maior e, além disso, metade da turma já havia sido da minha turma anterior; para este ano, esse desafio já não me assombra mais, porque todos serão alunos novos para mim e para a escola, portanto, estarão praticamente no mesmo nível de conhecimento de atividades e rotinas;
5- Crianças com dificuldades tendem a ser deixadas de lado pelo grupo e estabelecer um senso coletivo de colaboração e respeito é extremamente difícil, especialmente quando outras crianças do grupo possuem questões tão importantes e delicadas quanto (familiares, de aprendizagem, biológicas - comportamentais - ou outras questões individuais - como carências e outros tipos de rituais);

Bem, acho que comecei o meu diário :D. Em verdade, estas são apenas suposições. Toda turma é uma caixinha de surpresas... estou me preparando psicologicamente para receber estas questões que são frutos da minha experiência profissional, entretanto, as crianças podem me surpreender e trazer coisas muito diferentes e, talvez, não seja necessário um trabalho tão forte ou tanta intervenção... talvez eles se tornem um grupo mais cedo do que o esperado... e meu trabalho seja somente com questões de conhecimentos de mundo e etc etc... (ou talvez nem se tornem um grupo e daí eu caia em depressão, rsrsrsr). Quero dizer que já estou reconhecendo o meu trabalho, meus objetivos e que estou satisfeita com o que terei de lidar... espero sair satisfeita, também, ao final do ano letivo; sabendo que fiz o que estava ao meu alcance e que me esforcei para chegar além dele, que fui o melhor que pude ser.
Durante este ano, talvez eu desabafe sobre algumas questões aqui, buscando soluções... sabem? Nós temos um caderno de planejamento que eu detesto e que estou sendo obrigada a usar, rsrssrrs, então... é bem provável que meu vínculo saudável seja com este blog e que eu queime o caderno assim que não precise mais dar conta dele, rsrsrrsrs... mas isso é segredo nosso.
(Inclusive, eu já desmontei o caderno e reorganizei numa sequência inteligente para o meu uso... isso quer dizer que eu estou me esforçando para seguir uma norma que eu não gosto, e isso é bom... não é?)