Uma coisa que andou me incomodando consideravelmente foi a questão do planejamento. Já adianto o problema e a razão do incômodo: o problema é que sou imediatista e o incômodo é, ainda assim, nunca estar disponível, ou ter tempo, para fazer o que preciso ou gostaria e, vou assumir, usar a falta de planejamento como desculpa para escapar de algumas coisas sem sentir tanta culpa. Outra coisa que implica no texto de hoje é o fato de que estou mudando há algum tempo alguns comportamentos meus, mas estou mudando porque é preciso mudar e crescer. Tenho aprendido muitas coisas... aprendido a me posicionar, a falar e argumentar sobre minhas ideias e opiniões e a assumir minhas responsabilidades de verdade, todas elas.
[Eis o paradoxo: uma pessoa imediatista que nunca tem tempo porque não consegue ou não quer e quer e não quer deixar de ser assim.]
Minha sábia orientadora da especialização (e que falta ela faz!) me causou uma grande mudança quando me impactou com a definição de um termo qualquer da gramática, que implicava em conhecer realmente o objeto de estudo pelo o que ele é afim de conseguir entender o que o circunda e como estão relacionados... acredito que estou fazendo isso agora, enquanto escrevo este texto.
Sou imediatista, mas não aquela pessoa irresponsável, que desconsidera tudo o que não está presente no momento, que acha que é mais fácil ser assim e evitar os estresses da vida... sou ao contrário, estou quase que 100% do meu tempo refletindo, reorganizando pensamentos, procurando soluções e ideias engenhosas para resolver alguma coisa que estou encontrando... deixa-me ver se consigo explicar melhor... eu tenho objetivos e até estabeleço prazos para eles, mas eu não planejo ações regradamente, não gosto de rotinas, não gosto de nada que me engesse ou me segure, me impedindo de explorar, porque eu gosto de explorar, perceber e trabalhar com o que está disponível ou pode ficar disponível dentro de um futuro alcançável(sic). Por exemplo, meu trabalho: eu tenho um objetivo X para a turma durante o ano, então, durante o ano, nós vamos experimentar muitas coisas para conseguir chegar até X, algumas coisas eu acabo planejando e levando para a sala de aula... então pode até acontecer de eu usar ideias planejadas com bastante antecedência... mas a maioria das coisas são encaixadas e vivenciadas no dia-a-dia da turma na escola (e mesmo o que é planejado sofre algumas alterações no momento). Minha vida é toda assim. Estou sendo clara? rsrsrs...
Mas o que tem me incomodado na minha vida é que eu nunca estou disponível para alguns compromissos e acabo perdendo coisas interessantes... momentos de estar com amigos, por exemplo. Em parte, é porque estou atenta e experimentando coisas ou buscando ideias para aproveitar algo que encontrei e, em parte, é preguiça de me mover e sair da zona de conforto. Viram o paradoxo agora? Como é possível alguém que gosta de explorar e vivenciar o momento ter uma zona de conforto, se, deduz-se que pessoas assim estão sempre desconfortáveis?
Contudo, quando o problema é a preguiça, está sendo bem fácil dizer que não vou fazer algo porque não tenho vontade de fazer... embora eu ainda tenha algum problema com isso e acabe prolongando ainda mais alguma coisa (replanejando compromissos, por exemplo)... sendo honesta comigo mesma agora, sei que isso que mais me incomoda é questão de assumir minhas opiniões e vontade sobre a dos outros, e assumir meus atos decorrentes disso, sem ficar neurótica por estar chateando alguém, ou qualquer coisa do gênero. Logo, o desafio nos últimos meses tem sido dizer 'Sim' e 'Não' exatamente quando devem ser ditos e assumi-los. Estou me saindo bem nisso. E tenho me sentido bem por ser mais honesta com os outros (no fundo, eu estava me obrigando a fazer coisas que não queria ou evitando sem me sentir tão culpada... logo, assumir meu papel me fez ser mais honesta comigo e também com os outros).
Sair da zona de conforto também requer um grande esforço no sentido de me desabituar, mudar, me readaptar, enfim... e isso não é fácil quando se tem apego a algumas coisas que dão segurança... mesmo que eu goste de explorar o mundo, eu tenho sim uma zona de conforto. Já vou dizer a razão: a minha vida toda fui assim, mudando, tecendo ideias, me desfazendo de outras... foi muito difícil manter um porto seguro, um ponto em que eu pudesse retornar e me reconhecer sobre quaisquer dúvidas que eu viesse a ter. Reconhecer-se e reencontrar-se, como se fosse possível um backup de si mesmo, até pouco tempo atrás era uma garantia segura de que eu estava bem. Meu espírito inquieto, entretanto, não estava bem e eu não conseguia admitir que isso era possível. Então veio a história das cebolas, em que eu comecei a me desnudar e a me desfazer de tudo que não era mais meu, fui deixando de ser e fui me perdendo. Hoje, é possível dizer que eu assumi que tudo na vida é mutável e momentâneo, inclusive eu. Mesmo assim, foi difícil me desapegar do hábito de construir uma imagem para mim mesma, de alguma maneira, eu ainda estava construindo essa zona de conforto para me proteger... sei lá, do mundo. Porque eu me assusto com o mundo, eu me maravilho, mas pra mim o mundo é um mar e eu tenho dificuldades para nadar.
Foi há pouco tempo que realmente entendi que eu sou aquele ponto da cebola que não tem casca alguma. Eu posso, tenho o direito, e naturalmente vou mudar. Meu ponto de conforto tem sido orientar a minha mudança, eu ser aquilo que eu acredito e onde eu quero chegar. Então, posso imaginar que qualquer coisa que me distancie disso seja algo que eu não quero e evito o máximo possível... mas faço isso de um jeito que eu não tenha responsabilidades. De um ponto isso me parece o certo, de outro, eu sei que esse radicalismo me afasta de ideias e seres que eu poderia conhecer e, por vezes, gostar.
Por fim, achei que eu poderia me levar a dosar mais as coisas afim de me tirar da zona de conforto enquanto distribuo melhor as tarefas... me dando oportunidades de conhecer além e de gostar de coisas que pensei que jamais gostaria. Estou começando com a ideia, aproveitando a ajuda de uma amiga no meu trabalho, que é minha parceria deste ano. Vai parecer que é uma bobagem qualquer, mas é assim que a gente começa a mudar de verdade. Não é se punindo, não é evitando o mundo... é mudando aos pouquinhos até entender a mudança e assumi-la ou retornar e escolher outro caminho.
Neste ano, estou me dispondo a ser MUITO flexível para conseguir acompanhar minha parceira de trabalho - com os malditos (desculpem, mas é que odeio bastante mesmo) semanários... está sendo divertido até agora, mesmo que eu me perca com esse tipo de organização (o que não fazemos pelos amigos?).
Estou também disposta a trazer esse tipo de organização para o meu dia-a-dia, afim de que eu consiga dar conta do que realmente preciso fazer... porque assim eu conseguirei organizar o tempo para fazer tudo o que é preciso realmente e porque será mais fácil de visualizar as fugas.
Complica a minha vida saber que eu fujo de coisas que eu evito por completo, mas também fujo de alguns compromissos que sei que vou dar conta em outros momentos... ok, eu dou conta, mas a que preço? Portanto, a intenção é de distribuir melhor as necessidades, assumir que eu não quero realmente algumas coisas, permitir conhecer outras e, também, passar menos sufoco com as tarefas e, assim, perder menos momentos legais (amigos que chamam para sair, coisas do tipo... afinal, eu nunca posso)... estou sendo clara ainda...? D:
[Eis o paradoxo: uma pessoa imediatista que nunca tem tempo porque não consegue ou não quer e quer e não quer deixar de ser assim.]
Minha sábia orientadora da especialização (e que falta ela faz!) me causou uma grande mudança quando me impactou com a definição de um termo qualquer da gramática, que implicava em conhecer realmente o objeto de estudo pelo o que ele é afim de conseguir entender o que o circunda e como estão relacionados... acredito que estou fazendo isso agora, enquanto escrevo este texto.
Sou imediatista, mas não aquela pessoa irresponsável, que desconsidera tudo o que não está presente no momento, que acha que é mais fácil ser assim e evitar os estresses da vida... sou ao contrário, estou quase que 100% do meu tempo refletindo, reorganizando pensamentos, procurando soluções e ideias engenhosas para resolver alguma coisa que estou encontrando... deixa-me ver se consigo explicar melhor... eu tenho objetivos e até estabeleço prazos para eles, mas eu não planejo ações regradamente, não gosto de rotinas, não gosto de nada que me engesse ou me segure, me impedindo de explorar, porque eu gosto de explorar, perceber e trabalhar com o que está disponível ou pode ficar disponível dentro de um futuro alcançável(sic). Por exemplo, meu trabalho: eu tenho um objetivo X para a turma durante o ano, então, durante o ano, nós vamos experimentar muitas coisas para conseguir chegar até X, algumas coisas eu acabo planejando e levando para a sala de aula... então pode até acontecer de eu usar ideias planejadas com bastante antecedência... mas a maioria das coisas são encaixadas e vivenciadas no dia-a-dia da turma na escola (e mesmo o que é planejado sofre algumas alterações no momento). Minha vida é toda assim. Estou sendo clara? rsrsrs...
Mas o que tem me incomodado na minha vida é que eu nunca estou disponível para alguns compromissos e acabo perdendo coisas interessantes... momentos de estar com amigos, por exemplo. Em parte, é porque estou atenta e experimentando coisas ou buscando ideias para aproveitar algo que encontrei e, em parte, é preguiça de me mover e sair da zona de conforto. Viram o paradoxo agora? Como é possível alguém que gosta de explorar e vivenciar o momento ter uma zona de conforto, se, deduz-se que pessoas assim estão sempre desconfortáveis?
Contudo, quando o problema é a preguiça, está sendo bem fácil dizer que não vou fazer algo porque não tenho vontade de fazer... embora eu ainda tenha algum problema com isso e acabe prolongando ainda mais alguma coisa (replanejando compromissos, por exemplo)... sendo honesta comigo mesma agora, sei que isso que mais me incomoda é questão de assumir minhas opiniões e vontade sobre a dos outros, e assumir meus atos decorrentes disso, sem ficar neurótica por estar chateando alguém, ou qualquer coisa do gênero. Logo, o desafio nos últimos meses tem sido dizer 'Sim' e 'Não' exatamente quando devem ser ditos e assumi-los. Estou me saindo bem nisso. E tenho me sentido bem por ser mais honesta com os outros (no fundo, eu estava me obrigando a fazer coisas que não queria ou evitando sem me sentir tão culpada... logo, assumir meu papel me fez ser mais honesta comigo e também com os outros).
Sair da zona de conforto também requer um grande esforço no sentido de me desabituar, mudar, me readaptar, enfim... e isso não é fácil quando se tem apego a algumas coisas que dão segurança... mesmo que eu goste de explorar o mundo, eu tenho sim uma zona de conforto. Já vou dizer a razão: a minha vida toda fui assim, mudando, tecendo ideias, me desfazendo de outras... foi muito difícil manter um porto seguro, um ponto em que eu pudesse retornar e me reconhecer sobre quaisquer dúvidas que eu viesse a ter. Reconhecer-se e reencontrar-se, como se fosse possível um backup de si mesmo, até pouco tempo atrás era uma garantia segura de que eu estava bem. Meu espírito inquieto, entretanto, não estava bem e eu não conseguia admitir que isso era possível. Então veio a história das cebolas, em que eu comecei a me desnudar e a me desfazer de tudo que não era mais meu, fui deixando de ser e fui me perdendo. Hoje, é possível dizer que eu assumi que tudo na vida é mutável e momentâneo, inclusive eu. Mesmo assim, foi difícil me desapegar do hábito de construir uma imagem para mim mesma, de alguma maneira, eu ainda estava construindo essa zona de conforto para me proteger... sei lá, do mundo. Porque eu me assusto com o mundo, eu me maravilho, mas pra mim o mundo é um mar e eu tenho dificuldades para nadar.
Foi há pouco tempo que realmente entendi que eu sou aquele ponto da cebola que não tem casca alguma. Eu posso, tenho o direito, e naturalmente vou mudar. Meu ponto de conforto tem sido orientar a minha mudança, eu ser aquilo que eu acredito e onde eu quero chegar. Então, posso imaginar que qualquer coisa que me distancie disso seja algo que eu não quero e evito o máximo possível... mas faço isso de um jeito que eu não tenha responsabilidades. De um ponto isso me parece o certo, de outro, eu sei que esse radicalismo me afasta de ideias e seres que eu poderia conhecer e, por vezes, gostar.
Por fim, achei que eu poderia me levar a dosar mais as coisas afim de me tirar da zona de conforto enquanto distribuo melhor as tarefas... me dando oportunidades de conhecer além e de gostar de coisas que pensei que jamais gostaria. Estou começando com a ideia, aproveitando a ajuda de uma amiga no meu trabalho, que é minha parceria deste ano. Vai parecer que é uma bobagem qualquer, mas é assim que a gente começa a mudar de verdade. Não é se punindo, não é evitando o mundo... é mudando aos pouquinhos até entender a mudança e assumi-la ou retornar e escolher outro caminho.
Neste ano, estou me dispondo a ser MUITO flexível para conseguir acompanhar minha parceira de trabalho - com os malditos (desculpem, mas é que odeio bastante mesmo) semanários... está sendo divertido até agora, mesmo que eu me perca com esse tipo de organização (o que não fazemos pelos amigos?).
Estou também disposta a trazer esse tipo de organização para o meu dia-a-dia, afim de que eu consiga dar conta do que realmente preciso fazer... porque assim eu conseguirei organizar o tempo para fazer tudo o que é preciso realmente e porque será mais fácil de visualizar as fugas.
Complica a minha vida saber que eu fujo de coisas que eu evito por completo, mas também fujo de alguns compromissos que sei que vou dar conta em outros momentos... ok, eu dou conta, mas a que preço? Portanto, a intenção é de distribuir melhor as necessidades, assumir que eu não quero realmente algumas coisas, permitir conhecer outras e, também, passar menos sufoco com as tarefas e, assim, perder menos momentos legais (amigos que chamam para sair, coisas do tipo... afinal, eu nunca posso)... estou sendo clara ainda...? D:
Desse modo, vamos planejar a sesta! :D Mesmo que eu não tenha seguido o planejamento anterior! :D - pois é, o planejamento do feriadão não saiu nos conformes, em nada, mas foi porque não fiz o que deveria, especialmente porque ainda não me esforcei, e, também, porque aconteceram muitos imprevistos (aliás, como sempre na minha vida).
Blá, blá, blá... o planejamento deste final de semana inclui um aniversário de quinze anos (o da minha única sobrinha) e um combo casamento+festa (da família). Provavelmente, não vai adiantar muito pensar em mais nada, porque somente as duas festas já ocuparão o final de semana inteiro com preparativos e horas pra ficar do ladinho da família.
Se eu fizer qualquer coisa muito radical, tipo as que aconteceram neste feriadão, vou fazer questão em retornar a este post e atualizá-lo, ahahahhahaha.
ATUALIZAÇÃO [domingo, 10h]
ATUALIZAÇÃO [domingo, 10h]
Almoço de aniversário da minha sobrinha, única sobrinha, único aniversário de 15 anos: FUI.
Cerimônia e festa de casamento da prima: FUI.
Festa de aniversário da sobrinha (porque a prima marcou o casamento no dia, rsrsrs): é mais tarde, mas quero dizer que irei.
Outras coisas: não deu tempo de fazer outras coisas, porque andei escrevendo esse texto... fui bem cuidadosa e passei alguns momentos tentando assumir minhas falhas e sendo sincera ao buscar alternativas para mudar esse quadro que me desagrada... então, acredito que aproveitei bem esses dias e não posterguei tarefas (as fugas) para fazer coisas de menor importância... incluo também umas conversas muito bacanas com uma amiga e com uma prima a respeito de uma tormenta do meu passado... conversar, desabafar e tentar entender aquela minha dor junto com elas me fez ver que realmente a coisa ficou pra trás e que agora estou disposta e disponível para seguir em frente... elas me ajudaram a ficar mais segura e me deram muita força para terminar de aceitar a mudança... embora eu creia que eu posso enquadrar a conversa com essa minha amiga como uma das atividades radicais não planejadas, ahahahha...
Escola: não tive tempo de fazer nada em relação ao trabalho... mas... não estou me culpando por isso, felizmente.
Cerimônia e festa de casamento da prima: FUI.
Festa de aniversário da sobrinha (porque a prima marcou o casamento no dia, rsrsrs): é mais tarde, mas quero dizer que irei.
Outras coisas: não deu tempo de fazer outras coisas, porque andei escrevendo esse texto... fui bem cuidadosa e passei alguns momentos tentando assumir minhas falhas e sendo sincera ao buscar alternativas para mudar esse quadro que me desagrada... então, acredito que aproveitei bem esses dias e não posterguei tarefas (as fugas) para fazer coisas de menor importância... incluo também umas conversas muito bacanas com uma amiga e com uma prima a respeito de uma tormenta do meu passado... conversar, desabafar e tentar entender aquela minha dor junto com elas me fez ver que realmente a coisa ficou pra trás e que agora estou disposta e disponível para seguir em frente... elas me ajudaram a ficar mais segura e me deram muita força para terminar de aceitar a mudança... embora eu creia que eu posso enquadrar a conversa com essa minha amiga como uma das atividades radicais não planejadas, ahahahha...
Escola: não tive tempo de fazer nada em relação ao trabalho... mas... não estou me culpando por isso, felizmente.