Quando eu estava na faculdade, um professor me fez passar por uma experiência incrível. Ele colocou uma peça de Vivaldi (mas não vou dizer qual era, porque vou fazer um post sobre isso) e nos fez narrar o que estávamos pensando com aquela música. Não é preciso dizer que eu praticamente delirei e não parei de escrever até a música acabar. Quando a música acabou, nem eu sabia ao certo onde eu havia ido parar com o meu texto. Li e nem foi preciso fazer correções, o texto estava ali, prontinho.Daí aconteceu algo muito parecido ontem; estava ouvindo uns discos de música clássica aqui em casa para selecionar algumas peças para passar para as crianças... acontece que eu acabei me rendendo a um dos discos em especial. Ouvi com atenção às primeiras peças, até chegar nesta(apreciem):
Mas, enquanto eu estava passando todas as outras com cerca de 1 minuto de escuta, esta eu não pude passar. Voltei a peça desde o início (no disco nomeada como "String Serenade e major op.22") e ouvi à peça inteira. Este trecho foi um presente maravilhoso, um daqueles que a princípio a gente não quer dividir, mas então a gente entende e quer espalhar para todo mundo mas não sabe como fazer para passar toda a sensação junto...O que senti foi uma grande vontade de chorar, em todas as vezes em que eu escutei. Mas não sei bem por quê choro... Junto com o choro veio uma necessidade imensa de escrever. E então me lembrei daquele exercício e pensei "por que não?"; mas tive muito medo do que ia sair. Não sei medo de quê...Então, sem pensar muito, coloquei o trecho (pela 6ª vez hoje) e comecei a digitar enquanto ouvia... não sabia o que estava digitando até terminar.O que segue é a minha ilustração para essa música incrível. Uma pintura pessoal, diria que até íntima. Não realizei correções e nem reescrevi nada, apenas tirei os erros de digitação e arrumei as letras maiúsculas.
[SEM TÍTULO]
Ela dançava por entre as folhas secas, perdida no abismo do tempo, envelhecendo e envelhecendo... Buscava a fonte da vida, dentre as árvores ressequidas e quase-mortas até sentir um naco de esperanças ao ver brotar uma pequena flor. Sorriu, pairou com a dança ali, observando a flor crescer... A flor crescia e crescia até dobrar-se no próprio talo, de tanta vida, e murchar. Ela continuou a observar, esperançosa d’acontecer um milagre ali... Sonhou, delirou, foi pr’um outro mundo onde tudo era florido, dançou por entre a relva verde e viçosa, imaginando tudo aquilo, toda aquela beleza, subindo pelo seu corpo carcomido... Foi assim que ficou jovem e depois se deitou no solo macio, sentindo a vida lhe passar pelas veias, pelos ossos, por todos os seus órgãos... E a canção da dança era tão bela e tão forte que a fez se levantar e seguir, mais uma vez, dançando e dançando e dançando e dançando e dançando... Em que mundo estaria? Em que mundo gostaria de estar? Ela nem se importava mais, só queria estar. Estar saboreando a vida...