A verdade mesmo é que tenho um tantão de coisas escritas aqui, mas fiquei com preguiça de digitá-las. Daí o tempo passou, já não as acho tão boas assim e... fiquei com vergonha de digitá-las.
Entretanto, farei isso. Do contrário, esse espaço não teria razão (considerando que é muito mais fácil a existência dele para a minha organização... e que estou precisando muito disso agora).
Optei, pra começar, por trazer os textos mais recentes (de ontem, os dois primeiros sem correções; o segundo, com menos fluência de ideias e mais trabalho, consegui uma imagem poética que achei um avanço digno de ser comentado aqui, mas que calo por agora, pois quero ter certeza... mas o terceiro... o terceiro achei lindo, de verdade, foi repensado e reescrito, como verão... no fim do post).
O limão
Senta-se à mesa, mas
mancha de cevada
a roupa
sempre ao sair com Ela.
Bebe longos goles do próprio copo,
só para matar a sede
d'outra taça, que é dela.
Ela não esboça anseios, dores,
ou nada,
e beberica, molhando os lábios,
pronta para ceder-lhe...
uma dose
efêmera no tempo, ou no espaço,
mas latente no gosto.
Ele se levanta,
subitamente desinteressado,
e vai para a rua,
n'outra esquina,
vislumbrando vitrines
e outras coisinhas miúdas
pelo caminho.
Ela, sobressaltada e ruidosa,
termina a taça,
remói os passos espertos
e abre lugar para perguntas
e perguntas
e perguntas
e perguntas...
Mais perdida que saindo do bar,
afunda-se na cadeira,
num sentimento novo, que
explodira e sujara
sua face antes impenetrável.
'Cadê? Onde está?'
Ele olha sedento, mas não vê.
('Coragem!' Alguém disse.
Coragem...
Coragem...
E orgulho guardado no bolso.)
'Entra', Ela murmurou.
Ele ouviu?
Ninguém sabe...
Olhou de fora, acenou,
trocou olhares saudosos, sonhadores
e partiu.
Ela...? derreteu e entrou
pelas frestas,
espalhou-se pelo chão,
numa mancha perfeita,
tal como um suco...
de limão.
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Do amor impossível
Um pedaço de corda
não amarra o vento.
A perfeição é atingida no laço,
em volta de si mesma.
Bem dado, jamais desata.
Mas o vento...
dissolve-se, vai a esmo em todas as direções,
não sabe o que é um nó.
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Pra finalizar os pensamentos no caderninho de anotações, escrevi umas bobeiras, é claro, e, entre elas, isso:
'Sinto saudade de escrever sobre você,
mas é como se eu procurasse me ferir de propósito,
porque dói toda vez que penso e lembro.'
Detestei, obviamente, fiquei alucinada de raiva ao ler isso (mais porque estava muito mal escrito do que pelo sentimento) Não parece qualquer coisa muito ruim?, mas era algo que eu queria expressar, urgentemente. Pensei, trouxe palavras diferentes e não tão óbvias (embora não sejam rebuscadas ou novas) e fiz aquilo que deveria fazer aqui, na proposta inicial deste blog: reescrevi e consertei a imagem poética, ficou assim:
'Sobre a dor, a ausência já não tem mais domínio.
Saudosas são as palavras que te definiam...
são facas que alegremente afio e me firo.'
Muito diferente. Não tão bom, mas o melhor que pude fazer com os remendos e as palavras que tinha (um avanço gostoso, pra mim, que sou tão difícil pra disfarçar coisas tão dolorosas).