22.10.11

Desabafos e Confissões

Não consigo mais sonhar [daydreamer]



Corruptíveis

Gosto de como somos sinceros, exceto quando é para mudarmos nossas vidas.
De como temos coragem, exceto para sermos sinceros.
De como somos fortes, menos para termos coragem.
De como somos honestos, a não ser para sermos fortes.
De como somos justos, menos quando seremos honestos.
De como somos bons, a não ser que sejamos justos.
E de como mudamos nossas vidas, exceto quando somos bons.
A imoralidade privilegia a hipocrisia, diriam.
Mas eu diria que o contrário, quando bem visto, cai melhor.

[Somos inteiros, ainda bem! São os hipócritas que acabam sendo imorais.]


Criadora de Universos - entredentes
(ouça o lam...)

Que é que quando quase quero é quimera,
daí, quando quero, quica a quaisquer que não eu...?
Querelei o que quero, como criação,
ou como quimera, pois que é querência.
Quiçá alcançarei...
ou quietude para minha alma...

[Mas eu consigo sonhar aqueles sonhos estranhos, que não mando em todos os detalhes, que dançam na minha mente enquanto durmo... aqueles sonhos incorrigíveis, que sequer quero pensar durante o dia. Mas aconteceu: uma palavra veio, sua figura se formou lá dentro, dormi e você apareceu de novo. O resultado... o resultado é um dia de lamentação. Já não sei o que é que sinto, acho que é o sentimento inteiro: amor e ódio.]

Daydreamer

[Acordado, vive-se.
Dormindo, sonha-se.]

Sou essa que anda no meio das coisas,
Que fala e faz tudo o que ninguém entende.
Porque é uma fresta.
Uma fresta muito fina entre um lado e o outro.
Um lugar onde tudo se encontra e onde, se você espiar por um longo tempo, se desaprende e esquece o discriminar uma coisa da outra.
A fresta é fina e abismo.

[Só que achava que abismo não tinha fim, ou cheguei do outro lado... pra achar outro abismo para me jogar.]

[E como dói. Uma dor fina e vagarosa.]